Friday, October 14, 2011
O esquilo bochechudo
Sou um esquilo.
Sou um esquilo pequeno, de fraca figura.
Trepo às árvores e corro sem olhar para trás.
Corro irracionalmente e inconscientemente em busca de mais e mais comida.
Não sou um esquilo gordo, pois apesar de comer muito, tudo o que como é-me ameaçado como vómito, e expelido em fezes.
As minhas bochechas enormes armazenam toda a comida que não aprecio, mas que não consigo deixar de sorver.
O que mais gosto é aspirado instantaneamente para o meu estômago, e todo o restante - acre, amargo, podre, sem sabor - fica reservado durante muito tempo nas minhas bochechas.
Bem que tento mastigar com a pouca força que tenho, mas de pouco ou nada me vale.
Sou um esquilo que sabe escrever.
Sou um esquilo pequeno, de fraca figura.
Trepo às árvores e corro sem olhar para trás.
Corro irracionalmente e inconscientemente em busca de mais e mais comida.
Não sou um esquilo gordo, pois apesar de comer muito, tudo o que como é-me ameaçado como vómito, e expelido em fezes.
As minhas bochechas enormes armazenam toda a comida que não aprecio, mas que não consigo deixar de sorver.
O que mais gosto é aspirado instantaneamente para o meu estômago, e todo o restante - acre, amargo, podre, sem sabor - fica reservado durante muito tempo nas minhas bochechas.
Bem que tento mastigar com a pouca força que tenho, mas de pouco ou nada me vale.
Sou um esquilo que sabe escrever.
Tuesday, October 11, 2011
Casa de espelhos
Desculpa se a tua nuvem não é a que chove sempre em cima de mim.
Desculpa não seres inteiramente aquilo que te prometeram.
Desculpa este texto não ser para ti.
Desculpa não ser uma gruta que só ecoa a tua voz.
Pensamentos hexagonais são os que me instruí a não ter.
Vivo dentro de um cubo, que às vezes se transforma num hexágono, e ambos vivem dentro de um círculo.
Esse hexágono tem uma porta giratória, que tal como as convencionais só gira numa direcção.
O seu suporte, agreste e calcetado, segue somente o caminho do círculo, que se situa paralelo ao vasto universo da insensatez de um quadrado maior.
O quadrado pequeno é a minha casa, o meu espaço.
Lá guardo a minha memória, os meus princípios, os meus objectivos, a minha sensatez.
Quando as portas giratórias se abrem para o hexágono, assumo o papel de capitão, mas trago sempre cascos do meu quadrado comigo.
Peço desculpa se o meu cubo não tem seis lados, como o hexágono quer impôr.
Viver nesse círculo, é algo que não me atinge, nem sei se me atingirá alguma vez.
O quadrado gigante, paralelo ao círculo, vejo-o de vez em quando - quando salto do meu quadrado directamente para o maior, e abro apenas uma fresta para entrar ar fresco.
Mas nem sempre o ar fresco é bom para a saúde.
Às vezes em demasia causa-me náuseas e comichões na garganta.
Pego então no meu saco-cama e arrasto-me para onde a minha disposição me levar.
Monday, October 03, 2011
A velhice é um estado de espírito
Velhos prematuros, são aqueles que não conseguem compreender o ambiente ao seu redor ou conceber a verdade em que acreditam, independentemente da idade que têm.
Creio que haja casos em que estes velhos prematuros depressa se tornam em loucos.
Pecados mortais habitam e desabitam em seus corpos, como as marés. Maioritariamente imprevisíveis (ou irregulares).
Os ossos de seus corpos são de açúcar, e facilmente bamboleam e desfalecem. Quando de velhos passam a loucos, os mesmos ossos tornam-se em caramelo duro e inquebrável, nada fácil de roer e que só tendem a partir os dentes de quem os ataca, negando-lhes a verdade ou compreensão, pelas quais durante anos penaram e lutaram.
E não há velhos loucos.
Só loucos ou velhos.
Creio que haja casos em que estes velhos prematuros depressa se tornam em loucos.
Pecados mortais habitam e desabitam em seus corpos, como as marés. Maioritariamente imprevisíveis (ou irregulares).
Os ossos de seus corpos são de açúcar, e facilmente bamboleam e desfalecem. Quando de velhos passam a loucos, os mesmos ossos tornam-se em caramelo duro e inquebrável, nada fácil de roer e que só tendem a partir os dentes de quem os ataca, negando-lhes a verdade ou compreensão, pelas quais durante anos penaram e lutaram.
E não há velhos loucos.
Só loucos ou velhos.
Não é isso
Doem-me os pés, mas não é isso que atrasa o meu passo.
A camisa sobe-me, mas não é isso que faz com que a ajuste.
O cigarro sabe-me bem, mas não é isso que faz com que o devore.
O sistema de rega assalta o ruído em redor, mas não é isso que embeleza o silêncio.
A mão é ligeiramente jovem, mas não é isso que faz a caneta deixar de tombar.
A cortina está desfiada, mas não é isso que faz com que se feche.
O cansaço senta-se na sala de estar, mas não é isso que me faz querer dormir.
As pedras da calçada alimentam-me a imaginação, mas não é isso que me faz sorrir.
A minha espinha dorme o dia inteiro, mas não é isso que me mói.
É que.. eu odeio esperar.
A camisa sobe-me, mas não é isso que faz com que a ajuste.
O cigarro sabe-me bem, mas não é isso que faz com que o devore.
O sistema de rega assalta o ruído em redor, mas não é isso que embeleza o silêncio.
A mão é ligeiramente jovem, mas não é isso que faz a caneta deixar de tombar.
A cortina está desfiada, mas não é isso que faz com que se feche.
O cansaço senta-se na sala de estar, mas não é isso que me faz querer dormir.
As pedras da calçada alimentam-me a imaginação, mas não é isso que me faz sorrir.
A minha espinha dorme o dia inteiro, mas não é isso que me mói.
É que.. eu odeio esperar.
Thursday, September 29, 2011
Enquanto a vida não arrebenta
Arrancada da placenta
Pela mão que a amamenta
Nasce uma míuda sardenta
No início dos anos oitenta.
Deveras rabugenta
É banhada em água benta
Naquela Páscoa barulhenta
Feito que p'ra sempre lamenta.
Com o seu metro e cinquenta
Come pastilhas de menta
D'aventuras sedenta
O sol cumprimenta.
Quando a febre fermenta
E quando já não aguenta
Olha o corpo que a atormenta
E demolha-a na sebenta.
Pela mão que a amamenta
Nasce uma míuda sardenta
No início dos anos oitenta.
Deveras rabugenta
É banhada em água benta
Naquela Páscoa barulhenta
Feito que p'ra sempre lamenta.
Com o seu metro e cinquenta
Come pastilhas de menta
D'aventuras sedenta
O sol cumprimenta.
Quando a febre fermenta
E quando já não aguenta
Olha o corpo que a atormenta
E demolha-a na sebenta.
Wednesday, September 21, 2011
VAI A ABRIR!
Sunday, August 28, 2011
Como ninguém
Ninguém me dá o descanso e a paz, como o conforto material construído pelo homem.
Em cubículos dispendiosos, que só interessam a ociosos, olho em redor e deparo-me com ninguém.
Corpos inválidos, sem donos de si próprios, em sítios duvidosos, abanando-se como ninguém.
Mentes suportadas, por marionetistas, em corpos descrentes, pensam e agem como ninguém.
Tremo entre paragens, anseio por outras paisagens, ao longo das duas margens, enquanto flutuo como ninguém.
"O egoísmo reina!", grita-me a voz, mas eu não quero acreditar. Amo-te como ninguém.
Wednesday, August 24, 2011
Acorda-me quando deixares de falar.
Esta vista entorpecida deixa-me mal disposta, a recordar e a aperceber-me do que não quero.
Mas há dias em que se não tivesse esta vista, o dia iria ter uma performance mais confusa e entediante.
E assim são dois, contando com o factor surpresa.
Dois dias de tédio.
E dois é positivo!?
Mas há dias em que se não tivesse esta vista, o dia iria ter uma performance mais confusa e entediante.
E assim são dois, contando com o factor surpresa.
Dois dias de tédio.
E dois é positivo!?
Monday, August 08, 2011
este mundo dá-me náuseas
"Minhas entranhas são como animais de estimação mal-educados. Elas podem-se revoltar a qualquer momento sem motivo aparente, mas no final eu quase sempre consigo domá-las. Basta dar mais atenção a leitura ou cantar uma boa música."
por Mariane Montedori (ler texto integral aqui)
por Mariane Montedori (ler texto integral aqui)
Monday, August 01, 2011
Aninhava-me num monte de merda. Na boa.
(E aqui, o ponto final é o que faz mais sentido, é o que tem mais poder, é o que decide tudo. É o que dá a sentença aos braços cansados, pior que os braços cruzados. Braços moles e dormentes à espera de gangrenarem. É o que define o cansaço, é o que atropela as vírgulas, essas que se agregam nesta, naquela, e na outra, oportunidades de caminharem para a frente, como numa frase. Ele às vezes gostava de ser bem mais pesado, mais rígido, mais respeitado. Mas ele tem o mesmo peso que as suas sentenças. E acaba por se ver resumido, a um mero ponto final.)
Friday, July 22, 2011
Dores de cabeça infernais
Ele não chorava. Não sabia ou não queria, nem ele percebia.
As gerações de lágrimas que na sua cabeça habitavam, formavam uma família de gotas cada vez maior que se tornava num mar.
Um mar revoltado por se ver mudo.
Um mar frustrado por não se poder expandir.
Um mar sufocado por se ver preso.
Povoavam deprimidas entre as órbitas e o cucuruto deste ser, multiplicando-se cada vez em mais, inúmeras, lágrimas salgadas.
Os seus gritos eram ensurdecedores.
Roíam o seu caminho até à órbita, na tentativa de fazer ruir a fachada da mesma.
O canal nasal ou a traqueia, ficariam a um nível muito acima ou muito abaixo.
Comunicar de outra maneira não sabiam, por isso ferir o coração estava fora de questão.
Portanto já que dali não conseguiam sair, a única forma que tinham de se manifestar era através de ruídos ensurdecedores, causados pela fúria da movimentação dos seus ventos, e pelo embate forte na fachada da órbita.
O que causava fortes enxaquecas a este ser, que não queria chorar.
As gerações de lágrimas que na sua cabeça habitavam, formavam uma família de gotas cada vez maior que se tornava num mar.
Um mar revoltado por se ver mudo.
Um mar frustrado por não se poder expandir.
Um mar sufocado por se ver preso.
Povoavam deprimidas entre as órbitas e o cucuruto deste ser, multiplicando-se cada vez em mais, inúmeras, lágrimas salgadas.
Os seus gritos eram ensurdecedores.
Roíam o seu caminho até à órbita, na tentativa de fazer ruir a fachada da mesma.
O canal nasal ou a traqueia, ficariam a um nível muito acima ou muito abaixo.
Comunicar de outra maneira não sabiam, por isso ferir o coração estava fora de questão.
Portanto já que dali não conseguiam sair, a única forma que tinham de se manifestar era através de ruídos ensurdecedores, causados pela fúria da movimentação dos seus ventos, e pelo embate forte na fachada da órbita.
O que causava fortes enxaquecas a este ser, que não queria chorar.
Thursday, July 07, 2011
"Tudo vale a pena quando a alma não é pequena."
Hmm.. não creio, meu caro!
Isto é tudo muito bonito de se dizer, mas sejamos prácticos.. não é bem assim.
A minha alma é grande, e não vale a pena pisar um cagalhão p'ra voltar a saber que cheira mal e vai custar a sair.
Se não do sapato, pelo menos da memória.
Isto é tudo muito bonito de se dizer, mas sejamos prácticos.. não é bem assim.
A minha alma é grande, e não vale a pena pisar um cagalhão p'ra voltar a saber que cheira mal e vai custar a sair.
Se não do sapato, pelo menos da memória.
Sunday, June 19, 2011
O pão que o dia(bo) amassou
Era de pão, a cama onde o diabo se deitou.
Pão que fez, e amassou.
O pão que o diabo amassou, pû-lo na sopa.
E foi o melhor momento do meu dia inteiro.
Sentir o quente na boca de quem não queria comer.
Sentir o pão duro com dias, quase meses, a definhar dentro da sopa, como um corpo dormente a ser absorvido pelo universo.
Curioso serem hábitos de anos, que facilmente se tornam comparáveis a acções duvidosas de razão e certezas.
Comi o pão que o diabo amassou.
O diabo ignorante, que nem sequer era padeiro.
Quase se queimava seriamente a pôr a fornada ao lume.
Mas não se queimou, só ficou com uma ferida enorme que ardeu para sempre.
O pão estava mal cozido.
Se calhar por isso é que a sopa não me caíu bem.
Pão que fez, e amassou.
O pão que o diabo amassou, pû-lo na sopa.
E foi o melhor momento do meu dia inteiro.
Sentir o quente na boca de quem não queria comer.
Sentir o pão duro com dias, quase meses, a definhar dentro da sopa, como um corpo dormente a ser absorvido pelo universo.
Curioso serem hábitos de anos, que facilmente se tornam comparáveis a acções duvidosas de razão e certezas.
Comi o pão que o diabo amassou.
O diabo ignorante, que nem sequer era padeiro.
Quase se queimava seriamente a pôr a fornada ao lume.
Mas não se queimou, só ficou com uma ferida enorme que ardeu para sempre.
O pão estava mal cozido.
Se calhar por isso é que a sopa não me caíu bem.
Friday, June 17, 2011
O grande poder do olho de vidro e do cubo de gelo.
As pestanas.
São longas pestanas, em olhos de vidro.
Pestanas que correm o dia inteiro com a pressa que chegue a noite para que possam descansar.
Passam dias inteiros sem ver os seus próprios pés, pois a gravidade não lhes permite fazê-lo antes do corpo portador se decidir a descansar.
As lágrimas.
São lágrimas em vão.
É chuva que cai no chão.
Não se aproveitam, não se reciclam.
Abraçam-se ao globo ocular, escorregando de seguida.
Repetem o procedimento vezes sem conta.
Talvez por esquecimento, talvez por teimosia.
Talvez por quererem acreditar que é possível agarrá-lo e não voltar a cair.
O olho de vidro co-habita com o corpo humano.
Apesar de se tornar parte dele, marca sempre a sua posição, tal qual um cubo de gelo.
Frio, imóvel, intacto, alheio a movimentos à sua volta.
Indiferente aos restantes habitantes do mesmo, de modo a que a sua não manifestação de sentimentos ou opiniões, não se possam virar contra ele como uma faca de dois gumes, e que isto faça com que o corpo o cuspa para fora.
Limita-se a estar, e a viver no seu egoísmo.
Faz-me crer que tudo o que é irracional e inanimado é facilmente comparável à suposta identidade, individualidade, independência e racionalidade do ser humano.
São longas pestanas, em olhos de vidro.
Pestanas que correm o dia inteiro com a pressa que chegue a noite para que possam descansar.
Passam dias inteiros sem ver os seus próprios pés, pois a gravidade não lhes permite fazê-lo antes do corpo portador se decidir a descansar.
As lágrimas.
São lágrimas em vão.
É chuva que cai no chão.
Não se aproveitam, não se reciclam.
Abraçam-se ao globo ocular, escorregando de seguida.
Repetem o procedimento vezes sem conta.
Talvez por esquecimento, talvez por teimosia.
Talvez por quererem acreditar que é possível agarrá-lo e não voltar a cair.
O olho de vidro co-habita com o corpo humano.
Apesar de se tornar parte dele, marca sempre a sua posição, tal qual um cubo de gelo.
Frio, imóvel, intacto, alheio a movimentos à sua volta.
Indiferente aos restantes habitantes do mesmo, de modo a que a sua não manifestação de sentimentos ou opiniões, não se possam virar contra ele como uma faca de dois gumes, e que isto faça com que o corpo o cuspa para fora.
Limita-se a estar, e a viver no seu egoísmo.
Faz-me crer que tudo o que é irracional e inanimado é facilmente comparável à suposta identidade, individualidade, independência e racionalidade do ser humano.
Thursday, May 19, 2011
a ferida de Sara

Sara era saudosista.
Sara andava sempre nua, e por isso apanhava maleitas. Mal se curava de uma, adoecia logo de outra.
Acontecia muitas vezes ter o bom de uma doença (a febre quente, e os mimos que recebia), e o mau de estar de boa saúde (não se poder queixar, sentindo-se insatisfeita com isso).
Sara não parou de crescer. Crescia e mingava conforme o tempo; conforme os apeteceres do seu corpo; conforme as suas crenças, conforme as palpitações do seu corpo.
Sara amou muito. Também odiou, também ressentiu. Mas como tudo na vida dela, o ódio, os ressentimentos, o rancor, todos eles eram também visitantes passageiros.
Sara tinha sonhos perpétuos. Muitos reais, muitos ficcionais.
Sara era um livro aberto, que só se fechava quando um capítulo era aborrecido, ou o pó não a deixava ler-se.
Sara respirava como um peixe fora de água. Sofregamente mas a um ritmo tremendamente lento. Abria a boca muito devagar e passavam-se meses, e quando a fechava, já cansada, outros tantos haviam passado.
Sara tinha goelas rugosas, lascadas, moldadas pelo tempo, que embora a preservasse de muitas maneiras, não deixava de passar por ela, castigando-a, como o resto dos mortais.
Mas Sara nunca definhava.
Sara era como um vírus.
Sara era o momento em que a língua do felino toca na sua própria pele vezes e vezes sem conta.
Sara estava enferma de tanto beber o suco da vida.
Sara desfazia-se como um copo de açúcar. Quando lhe tocavam desfazia-se em ardor.
Sara pecava e traía.
Sara era hiperactiva.
Sara tinha um coração que batia tão depressa como um pequeno mamífero em apuros, mas que era tão grande como o de um animal de grande porte.
Sara era um animal, racional e irracional. Sentia dor prazer, e um misto de culpa com ignorância.
Sara nunca estava bem, a sua ferida era enorme.
Sara tinha um tique nervoso. Abria e fechava o porta-moedas incessantemente.
Sara comia as suas próprias crostas, na esperança de ficar melhor, de esquecer o propósito das mesmas. Do porquê de ali se terem instalado.
Sara não era conformista, mas gostava de ser. Ela acreditava que talvez assim, a sua ferida sarasse.
Monday, May 16, 2011
Eu, breu.

"Tantos carros e nenhum me passa por cima."
Estava tão aborrecido que voltou para casa.
Por lá, o tédio continuava a dominar o ar, embora tivesse deixado as janelas todas abertas de forma a arejar a casa.
Esticou-se no sofá.
De barriga para cima, fixava o tecto, na esperança de ser embalado pelo cansaço de tentar manter os olhos abertos o máximo tempo possível sem os piscar.
Há muito tempo que não estava assim tão aborrecido.
Nada o animava, nada fazia o tempo passar mais depressa.
Na verdade, o dia ao invés de avançar, parecia ficar cada vez mais claro.
"Que tédio." - pensou.
Já havia tomado banho duas vezes, assaltado a sua despensa outras tantas.
A rua não o aliciava, as pessoas não o seduziam.
A televisão e o computador só mostravam o sinal de estática, diziam-lhe os olhos dele.
Enfadonhado começou a observar o seu corpo.
Cada cicatriz, cada sinal, cada veia, cada pêlo, cada desnível de carne, tudo era novo para ele.
Nunca antes havia tomado tanto tempo a olhar para o seu simples corpo.
As peles soltas, os pêlos encravados, os pontos negros, as marcas do sol e da velhice, a marca do relógio, a profundidade do seu umbigo..
Aí começou a indagar sobre o seu interior.
Se conseguisse ver o seu interior, talvez viesse a descobrir um novo mundo e por certo que este monstruoso aborrecimento iria acabar, e a noite iria chegar mais depressa.
Mas tal feito não se cria concebível.
Fechava os olhos mas só via um fundo preto. Às vezes umas listas brancas, mas maioritariamente, tudo preto.
Fechar os olhos obviamente que não iria ajudar. Mas talvez com eles abertos..
Tentou espremer a face o mais perto que conseguia para perto da nuca, mas a única coisa que acontecia, era os seus olhos focarem o nariz, e por vezes conseguir ver um pouco a saliência das suas maçãs do rosto.
"Isto assim não está a resultar. E se abrir a boca?"
Não sendo belfo, seria complicado, mas tentou fazê-lo.
Pegando no lábio inferior, começou a puxá-lo para longe da sua cara, mais longe, mais longe, mais longe, até o fazer tão grande que cobriu a cara!
Olhando para baixo viu tudo escuro, tudo preto. Nem listas brancas havia.
"Deve ser isto a que chamam breu".
Monday, May 09, 2011
um dia pego fogo a esta merda toda
Acendi um fósforo, e peguei fogo a tudo.
Começou tudo a arder.
A casa, as folhas, os meus pés, as minhas unhas, o meu cabelo, a minha cama.
A minha cama parecia um poço de sangue gaseificado.
Longas chamas atingiam o tecto e fugiam para consumir o resto do quarto.
E um silêncio brutal.
Um silêncio tão brutal e um ar tão apático de todos os "objectos" animados e inanimados que o mundo inteiro ao saber desta história, passou a colorir em sua mente, a palavra silêncio de côr preta.
Deixou de haver ar, mas também não sufoquei.
Lentamente observei a tridimensionalidade a desfazer-se em cinzas.
Inspirei tão fundo que senti os pulmões a estalarem e o meu corpo a ficar "desorganizado", tornando-se numa carcaça oca, em que só circulava a aragem fresca de tal cenário.
Tremendo alívio!
Foi tão bom.
Começou tudo a arder.
A casa, as folhas, os meus pés, as minhas unhas, o meu cabelo, a minha cama.
A minha cama parecia um poço de sangue gaseificado.
Longas chamas atingiam o tecto e fugiam para consumir o resto do quarto.
E um silêncio brutal.
Um silêncio tão brutal e um ar tão apático de todos os "objectos" animados e inanimados que o mundo inteiro ao saber desta história, passou a colorir em sua mente, a palavra silêncio de côr preta.
Deixou de haver ar, mas também não sufoquei.
Lentamente observei a tridimensionalidade a desfazer-se em cinzas.
Inspirei tão fundo que senti os pulmões a estalarem e o meu corpo a ficar "desorganizado", tornando-se numa carcaça oca, em que só circulava a aragem fresca de tal cenário.
Tremendo alívio!
Foi tão bom.
Thursday, April 21, 2011
trilhos
"It was one of those days when it's a minute away from snowing and there's this electricity in the air, you can almost hear it. And this bag was, like, dancing with me. Like a little kid begging me to play with it. For fifteen minutes. And that's the day I knew there was this entire life behind things, and... this incredibly benevolent force, that wanted me to know there was no reason to be afraid, ever. Video's a poor excuse, I know. But it helps me remember... and I need to remember... Sometimes there's so much beauty in the world I feel like I can't take it, like my heart's going to cave in."
in American Beauty
in American Beauty
Wednesday, April 13, 2011
Wednesday, March 23, 2011
passos largos e descompensados
Os blocos cimentados com suor, fazem agora suar quem ama.
As estradas calcetadas à torreira do sol, abrem espaço para o sol aquecer os apaixonados.
Salas construídas por solitários, guardam momentos do passado dos presentes, para sempre recordarem.
Cimentam-se pessoas do passado, para um futuro risonho, mas em que o passado teimar em rasgar sorrisos tortos.
Uma data de coisas fantásticas, e incongruências esquisitas.
É o que se vê simplesmente na rua, de um trajecto do trabalho para casa.
É no que se pensa quando se faz tempo para se começar a fazer qualquer coisa.
As estradas calcetadas à torreira do sol, abrem espaço para o sol aquecer os apaixonados.
Salas construídas por solitários, guardam momentos do passado dos presentes, para sempre recordarem.
Cimentam-se pessoas do passado, para um futuro risonho, mas em que o passado teimar em rasgar sorrisos tortos.
Uma data de coisas fantásticas, e incongruências esquisitas.
É o que se vê simplesmente na rua, de um trajecto do trabalho para casa.
É no que se pensa quando se faz tempo para se começar a fazer qualquer coisa.
A prodigiosa jogadora de futebol

- Dizes que não tenho pés de gato para escalar esta montanha.
Mas eu nem sequer sei se a vou subir. Eu só estava a ver.
Dizes que como sempre as mesmas palavras, mas são as únicas que sei cantar, assim como tu, que pintas a tua dôr, sempre do mesmo tom.
Dizes que estou contente com algo que não tenho, mas para mim já ter esse sonho, é meio pedaço trincado.
Dizes que sou desarrumada, que deixo tudo espalhado, mas tu és igual.
Só que tu não deixas que ninguém o veja.
Dizes que ganhei esse vício horroroso de cuspir na água, mas tu só não cospes porque nunca abres a boca.
Eu digo-te: só gostava que deixasses de me acordar às três da manhã para me apontar um dedo que nem sequer é palpável.
És tão parecida com a minha mãe.
- Ai! Dôr de cabeça? Jogo sujo..
Friday, March 11, 2011
Wednesday, March 09, 2011
não me deixes, nunca
Adoro ver-te correr.
A forma como deslizas neste chão branco, fugindo e atropelando as sombras com as tuas pequenas, rápidas, mas concentradas passadas de côr negra, é fascinante.
Todos os dias me contas uma história nova.
Todos os dias me deixas seguir-te.
Por bons e maus caminhos, mas nunca te esqueces de mim.
Viras a página, mas levas-me contigo.
Corre, corre, corre. Viaja!
Pousas delicadamente nesse chão: branco; sempre limpo; novinho; a estrear; só para ti.
Fazes dele o que queres. Eu em ti não mando nada.
És a única que comanda os meus pensamentos, o que realmente quero dizer.
Ser-te-ei fiel, enquanto a lucidez me permitir.
A forma como deslizas neste chão branco, fugindo e atropelando as sombras com as tuas pequenas, rápidas, mas concentradas passadas de côr negra, é fascinante.
Todos os dias me contas uma história nova.
Todos os dias me deixas seguir-te.
Por bons e maus caminhos, mas nunca te esqueces de mim.
Viras a página, mas levas-me contigo.
Corre, corre, corre. Viaja!
Pousas delicadamente nesse chão: branco; sempre limpo; novinho; a estrear; só para ti.
Fazes dele o que queres. Eu em ti não mando nada.
És a única que comanda os meus pensamentos, o que realmente quero dizer.
Ser-te-ei fiel, enquanto a lucidez me permitir.
Sunday, February 27, 2011
O Fogo acabou
"O Fogo acabou."
Por favor, não me digas isso.
"O Fogo a-ca-bou."
Porquê, mas porquê?
Porquê agora? Sem aviso..
Logo agora que eu mais precisava de ti.
Sem ti, não sei mais escrever.
Sem ti, este mar e vento frio perdem todo o encanto.
Sem ti, este mar e vento frio passam de reconfortantes, a demónios que lançam os seus braços e agarram a minha solidão.
Não vim para aqui para estar só.
Não me digas que o fogo acabou.
Nem às pedras da calçada me posso chorar, pois elas riem-se de mim, imóveis, irónicas, como só elas o sabem ser.
Não me digas isso, por favor.
És só tu a minha companhia.
O meu único vício, a minha única droga, não preciso de mais nada.
Não me deixes aqui, preso, agarrado aos meus pensamentos incontroláveis, que só tu sabes amenizar.
Sem ti, este quadro deixa de fazer sentido, perde a beleza.
Sem ti, perco-me nesta areia.
Sem ti, a minha vida pinta-se em tons cinzentos, de cimento.
Não quero voltar, quero ficar aqui.
Estou tão bem aqui.
Não me digas que o fogo acabou.
Mundo cruel. Sentindo-se castigado, volveu à cidade, e enterrou o momento partido, num cinzeiro cheio de beatas.
Por favor, não me digas isso.
"O Fogo a-ca-bou."
Porquê, mas porquê?
Porquê agora? Sem aviso..
Logo agora que eu mais precisava de ti.
Sem ti, não sei mais escrever.
Sem ti, este mar e vento frio perdem todo o encanto.
Sem ti, este mar e vento frio passam de reconfortantes, a demónios que lançam os seus braços e agarram a minha solidão.
Não vim para aqui para estar só.
Não me digas que o fogo acabou.
Nem às pedras da calçada me posso chorar, pois elas riem-se de mim, imóveis, irónicas, como só elas o sabem ser.
Não me digas isso, por favor.
És só tu a minha companhia.
O meu único vício, a minha única droga, não preciso de mais nada.
Não me deixes aqui, preso, agarrado aos meus pensamentos incontroláveis, que só tu sabes amenizar.
Sem ti, este quadro deixa de fazer sentido, perde a beleza.
Sem ti, perco-me nesta areia.
Sem ti, a minha vida pinta-se em tons cinzentos, de cimento.
Não quero voltar, quero ficar aqui.
Estou tão bem aqui.
Não me digas que o fogo acabou.
Mundo cruel. Sentindo-se castigado, volveu à cidade, e enterrou o momento partido, num cinzeiro cheio de beatas.
Wednesday, February 02, 2011
Friday, December 17, 2010
A borracha que apagou, as memórias do meu avô.
Depois de ver seus pais, quem amou demais, e as saudades imortais, à sua espera ali tão perto.
Depois de ver Maria, que jazia, naquele dia, no sofá de sua casa.
Depois de ver Luís, seu petiz, que outrora fora feliz, a lhe ser tirado.
Depois de receber a sua neta, uma míuda um pouco esperta, com uma vida tão incerta, a trazer-lhe rebuçados.
Depois de receber carinhos e postais de natal, brincar não lhe fez mal, a viver na sua terra natal, terra que o viu crescer.
(Da herança, tive esperança, de ficar com a lembrança, do que é ser criança.)
Paz à sua alma, na sua campa não murcharão, as flores da saudade.
Serafim Luís dos Santos
03.02.1910 - 17.12.2005
Depois de ver Maria, que jazia, naquele dia, no sofá de sua casa.
Depois de ver Luís, seu petiz, que outrora fora feliz, a lhe ser tirado.
Depois de receber a sua neta, uma míuda um pouco esperta, com uma vida tão incerta, a trazer-lhe rebuçados.
Depois de receber carinhos e postais de natal, brincar não lhe fez mal, a viver na sua terra natal, terra que o viu crescer.
(Da herança, tive esperança, de ficar com a lembrança, do que é ser criança.)
Paz à sua alma, na sua campa não murcharão, as flores da saudade.
Serafim Luís dos Santos
03.02.1910 - 17.12.2005
Wednesday, December 08, 2010
há 9 anos era assim
Sobre um abalo de emoções,
rabisco umas quantas palavras.
Palavras estas, que mais tarde recordarei
e que talvez sinta saudades de..!
Abrir a janela.. receber um abraço..
APAGAR esses gritos que me atormentam de certa forma, e mais tarde me voltam a atormentar...
Queixar-me... e retraír-me.
Afogar-me, sufocar-me, engasgar-me... com as minhas próprias palavras... os meus próprios sentimentos...
As palavras do coração.. coração que sofre porque ama.. odeia porque ama... critica porque ama; não saem, sobre um comando consciente que incorpora a capa da vergonha e falta de coragem...
AI, A DÔR! que devíamos sentir pelos outros que definham e se encontram abraçados pela morte, tão pouco depois de terem sido entregues à vida... e para sempre abraçados...
10.07.01, algures perto da praia de Algés, a observar gaivotas e pescadores.
p.s.: ainda não sinto saudades de..!
rabisco umas quantas palavras.
Palavras estas, que mais tarde recordarei
e que talvez sinta saudades de..!
Abrir a janela.. receber um abraço..
APAGAR esses gritos que me atormentam de certa forma, e mais tarde me voltam a atormentar...
Queixar-me... e retraír-me.
Afogar-me, sufocar-me, engasgar-me... com as minhas próprias palavras... os meus próprios sentimentos...
As palavras do coração.. coração que sofre porque ama.. odeia porque ama... critica porque ama; não saem, sobre um comando consciente que incorpora a capa da vergonha e falta de coragem...
AI, A DÔR! que devíamos sentir pelos outros que definham e se encontram abraçados pela morte, tão pouco depois de terem sido entregues à vida... e para sempre abraçados...
10.07.01, algures perto da praia de Algés, a observar gaivotas e pescadores.
p.s.: ainda não sinto saudades de..!
Tuesday, December 07, 2010
provérbios figurados
Meti os dedos à boca,
mas nem às pedras da calçada consegui chorar.
Meti os dedos à boca,
mas nem a água bateu, nem a pedra moeu.
Meti os dedos à boca,
mas nem caíu o Carmo, nem a Trindade.
Meti os dedos à boca,
mas nem presunção, nem água benta.
Meti os dedos à boca,
mas nem às paredes confessei.
Meti os dedos à boca,
mas afinal a encomenda era igual ao cabaz.
Meti os dedos à boca,
mas nem a bolsa ficou leve, nem o coração menos pesado.
Meti os dedos à boca,
mas nem pão nem queijo.
Meti os dedos à boca,
mas nem leste escuro, nem sol seguro.
Meti os dedos à boca,
mas nem tudo o que abanou, caíu.
Meti os dedos à boca,
mas nem sequer a voz me doeu.
Meti os dedos à boca,
mas não passei da cepa torta.
mas nem às pedras da calçada consegui chorar.
Meti os dedos à boca,
mas nem a água bateu, nem a pedra moeu.
Meti os dedos à boca,
mas nem caíu o Carmo, nem a Trindade.
Meti os dedos à boca,
mas nem presunção, nem água benta.
Meti os dedos à boca,
mas nem às paredes confessei.
Meti os dedos à boca,
mas afinal a encomenda era igual ao cabaz.
Meti os dedos à boca,
mas nem a bolsa ficou leve, nem o coração menos pesado.
Meti os dedos à boca,
mas nem pão nem queijo.
Meti os dedos à boca,
mas nem leste escuro, nem sol seguro.
Meti os dedos à boca,
mas nem tudo o que abanou, caíu.
Meti os dedos à boca,
mas nem sequer a voz me doeu.
Meti os dedos à boca,
mas não passei da cepa torta.
Monday, November 15, 2010
Thursday, November 11, 2010
Tuesday, November 09, 2010
isto foi assim
foi assim, num ataque de ansiedade, lá p'rós lados de Março, num bar dançante pelas ruas de Lisboa.
a vida boémia tortura-me.
e eu já há algum tempo que a larguei.
mas ela sussurra e ri-se no escuro, pega-me no braço e arrasta-me no meio das multidões, com os seus olhos negros e brincalhões.
geme por mim, tenta-me seduzir.
faz-me lembrar uma mulher morena, de cabelos negros, e olhos castanhos, dóceis, mas sedutores.
curvílinea, que dança com movimentos largos, espaçados, e esbeltos.
como tudo, nunca acabei (o texto).
a vida boémia tortura-me.
e eu já há algum tempo que a larguei.
mas ela sussurra e ri-se no escuro, pega-me no braço e arrasta-me no meio das multidões, com os seus olhos negros e brincalhões.
geme por mim, tenta-me seduzir.
faz-me lembrar uma mulher morena, de cabelos negros, e olhos castanhos, dóceis, mas sedutores.
curvílinea, que dança com movimentos largos, espaçados, e esbeltos.
como tudo, nunca acabei (o texto).
contextualizações e cenas
Thursday, November 04, 2010
Wednesday, November 03, 2010
Thursday, October 21, 2010
ouvi dizer
"É melhor escrevermos para nós próprios e não termos público, do que escrever para o público e não nos termos a nós."
Cyril Connolly
Cyril Connolly
Saturday, October 16, 2010
Estado sólido/Eu Lúcida (um acrescento)
"Somos feitos da matéria dos sonhos, nossa vida pequenina é cercada pelo sono."
William Shakespeare
hmmm.. será?
William Shakespeare
hmmm.. será?
Tuesday, October 12, 2010
Estado sólido/Eu Lúcida

Toco na tua pele, e os meus dedos colam-se aos teus.
Questiono este fenómeno, e tu respondes que é gasoso, como os sonhos.
Feitos de algo que se dissolve, que não é palpável, algo criado pelo inconsciente, que na realidade, não é sólido, nem líquido, mas sim gasoso, como os sonhos.
E eu, lúcida das minhas ideias, nego.
E renego.
E tu questionas o meu estado apreensivo.
Não líquido, mas sólido.
E eu respondo: "Quem me dera voltar aos dias em que se trocavam batatas por couves, e a existência humana era pouco questionada entre os comerciantes e estabelecidos".
Monday, October 11, 2010
O limbo do sentimento ou o melhor e o pior de um mundo.

Às vezes penso, o quão engraçado será trabalhar num aeroporto.
Caras novas todos os dias, novos conhecimentos, que vão e vêm tão rapidamente que mal dá tempo para sequer tecer uma ferida, ou criar uma erupção cutânea.
Poder passar os dias a fantasiar sobre vidas alheias, tentar adivinhar o que fazem, os seus interesses, os pequenos pormenores que os deixam felizes ou que os aborrecem, as suas amarguras, as suas tristezas, o seu propósito de vida, o berço em que foram criados...
Enfim... colorir as sombras (que por mim eventualmente passariam, se ali trabalhasse), com as cores que eu as pinto.
Depois penso, na quantidade de energias e sentimentos que circulam naquele espaço.
As chegadas. A ansiedade, a saudade, a alegria, o amor, o desejo, a paixão, os sorrisos, os choros de felicidade, os abraços, os beijos, os apertos de mão..
As partidas. A ansiedade, a saudade, a alegria, a tristeza, a saudade, os sorrisos nervosos, os choros, os abraços, os beijos, os apertos de mão, os choros, as saudades, o medo.
De um modo global, focar o olhar de "explorador de vidas", apenas em partidas e chegadas mais intensas.
Viver ali a minha telenovela. Assumir as vidas como minhas, as emoções como minhas.
Assumi-las, chorá-las, quer de tristeza, quer de alegria.
Encher-me com isso, como se de um largo copo de café bem quente se tratasse.
Uma emoção reconfortante.
Não há cá espaço para um sentimento de médio valor no meio destas pessoas.
Não há insensibilidades, não há friezas. Nem nos cafés há gelo.
Os olhos são o espelho da alma, não é o que dizem?
Ler tudo isso, e sentir o pior e o melhor.
Não há limbo. Não há limbo no aeroporto. Não há meios termos. E é horrível.
Não gostaria de as ver todos os dias.
Não gostaria de viver nestes dois mundos todos os dias, e sentir que não há um piso mais estável, em que a ignorância, e o só estar, existe.
Fosse eu poeta, fosse eu pintor, fosse eu músico, fosse eu artista.. se calhar tinha ali matéria-prima. Mas não.
Wednesday, October 06, 2010
Humor cão, Amor cão, O murcão.
Nos dias que correm, conclui-se..
Que o sangue que me sai mensalmente do corpo, me faz questionar mais sobre mim e sobre o que me rodeia, do que o que me corre todos os dias nas veias.
Que as pessoas gostam mais de mim ou me atribuem mais valor quando sou intocável, ou estou menos presente. (O feitiço das medusas vira-se contra o feiticeiro).
E aqui jaz mais uma página do tempo inacabada.
Que o sangue que me sai mensalmente do corpo, me faz questionar mais sobre mim e sobre o que me rodeia, do que o que me corre todos os dias nas veias.
Que as pessoas gostam mais de mim ou me atribuem mais valor quando sou intocável, ou estou menos presente. (O feitiço das medusas vira-se contra o feiticeiro).
E aqui jaz mais uma página do tempo inacabada.
Tuesday, September 14, 2010
o meu sistema nervoso
Sou portadora de um intestino turbulento quando os meus olhos não suam.
As palavras que ecoam no meu pequeno corpo, são interpeladas por vómitos e má disposição.
Saem gritos grotescos em forma de eructações, protestando contra a barreira invisível, que priva as palavras de saírem.
A noite quer-me desperta, e o dia adormecida.
Às vezes há comportamentos no meu corpo que me fazem lembrar o dito "volvo". Mas se a porcaria toda que aqui vai quiser realmente sair, ou sufoco, ou me sufoco.
O meu coração bate tão forte, que vejo a t-shirt a mover-se arritmadamente.
O meu corpo pede-me café, a minha boca pede-me cigarros, a minha cabeça quer dormir, o meu coração quer colo.
Mas no meio disto tudo não quero é nada.
As palavras que ecoam no meu pequeno corpo, são interpeladas por vómitos e má disposição.
Saem gritos grotescos em forma de eructações, protestando contra a barreira invisível, que priva as palavras de saírem.
A noite quer-me desperta, e o dia adormecida.
Às vezes há comportamentos no meu corpo que me fazem lembrar o dito "volvo". Mas se a porcaria toda que aqui vai quiser realmente sair, ou sufoco, ou me sufoco.
O meu coração bate tão forte, que vejo a t-shirt a mover-se arritmadamente.
O meu corpo pede-me café, a minha boca pede-me cigarros, a minha cabeça quer dormir, o meu coração quer colo.
Mas no meio disto tudo não quero é nada.
Wednesday, September 08, 2010
pergunto-me
The Smiths - Well I Wonder
Well I wonder
Do you hear me when you sleep ?
I hoarsely cry
Why...
Well I wonder
Do you see me when we pass ?
I half die...
Why...
Please keep me in mind
Please keep me in mind
Gasping - but somehow still alive
This is the fierce last stand of all I am
Gasping - dying - but somehow still alive
This is the final stand of all I am
Please keep me in mind
Well I wonder
Well I wonder
Please keep me in mind
Keep me in mind
Keep me in mind
Well I wonder
Do you hear me when you sleep ?
I hoarsely cry
Why...
Well I wonder
Do you see me when we pass ?
I half die...
Why...
Please keep me in mind
Please keep me in mind
Gasping - but somehow still alive
This is the fierce last stand of all I am
Gasping - dying - but somehow still alive
This is the final stand of all I am
Please keep me in mind
Well I wonder
Well I wonder
Please keep me in mind
Keep me in mind
Keep me in mind
Wednesday, August 04, 2010
eu, tu, ele, nós, vós e eles
se eu estou bem, e tu estás mal, e por média nós estamos mais ou menos.. que verbo é esse?
Sunday, June 20, 2010
No Teu Coração
Orelha Negra - Tanto Tempo
"Procura no sítio mais escabroso do teu coração
Lá me encontrarás
a cantar
de cerveja na mão
E se te parecer que sorrio
não passará de uma impressão
causada pelo calafrio
constante que me traz a solidão.
Baixa o volume,
dá-me a mão
e um abraço
é que eu passo
tanto tempo
à tua espera."
Carlos Nobre
"Procura no sítio mais escabroso do teu coração
Lá me encontrarás
a cantar
de cerveja na mão
E se te parecer que sorrio
não passará de uma impressão
causada pelo calafrio
constante que me traz a solidão.
Baixa o volume,
dá-me a mão
e um abraço
é que eu passo
tanto tempo
à tua espera."
Carlos Nobre
ele diz, e eu concordo
"As coisas mais belas são ditadas pela loucura e escritas pela razão" - André Gide
Tuesday, June 15, 2010
palavras
Friday, June 11, 2010
ontem conheci um ex-tísico
uma melodia alegre, para animar as hostes..
Bessie Smith - Nobody knows you when you're down and out
Once I lived the life of a millionaire
Spending my money, I didn't care
I carried my friends out for a good time
Bying bootleg liquor, champagne and wine
Then I began to fall so low
I didn't have a friend, and no place to go
So if I ever get my hand on a dollar again
I'm gonna hold on to it till them eagle's green
Nobody knows you when you down and out
In my pocket not one penny
And my friends I haven't any
But If I ever get on my feet again
Then I'll meet my long lost friend
It's mighty strange, without a doubt
Nobody knows you when you down and out
I mean when you down and out
When you're down and out
Not one penny
And my friends I haven't any
Well I felt so low
Nobody wants me round their door
Without a doubt,
No man can use you wen you down and out
I mean when you down and out.
Bessie Smith - Nobody knows you when you're down and out
Once I lived the life of a millionaire
Spending my money, I didn't care
I carried my friends out for a good time
Bying bootleg liquor, champagne and wine
Then I began to fall so low
I didn't have a friend, and no place to go
So if I ever get my hand on a dollar again
I'm gonna hold on to it till them eagle's green
Nobody knows you when you down and out
In my pocket not one penny
And my friends I haven't any
But If I ever get on my feet again
Then I'll meet my long lost friend
It's mighty strange, without a doubt
Nobody knows you when you down and out
I mean when you down and out
When you're down and out
Not one penny
And my friends I haven't any
Well I felt so low
Nobody wants me round their door
Without a doubt,
No man can use you wen you down and out
I mean when you down and out.
Monday, June 07, 2010
postsecret
hoje li isto..
ao mesmo tempo que ouvia isto..
..e é curioso o número de pessoas à volta do globo, que se preocupou com esta pessoa, e manifestou interesse em mantê-la entre nós.
faz-me pensar em mil e quinhentas coisas, com interesse e sem interesse.
em confrontos de ideias que as minhas vozes interiores têm todos os dias ao deitar.
mas não as consigo expôr, por isso deixo a vosso critério.
ao mesmo tempo que ouvia isto..Smashing Pumpkins - Mayonaise
..e é curioso o número de pessoas à volta do globo, que se preocupou com esta pessoa, e manifestou interesse em mantê-la entre nós.
faz-me pensar em mil e quinhentas coisas, com interesse e sem interesse.
em confrontos de ideias que as minhas vozes interiores têm todos os dias ao deitar.
mas não as consigo expôr, por isso deixo a vosso critério.
Thursday, May 27, 2010
adicione q.b. de condimentos
Monday, April 26, 2010
parir ou não parir: eis a questão

já repararam na semelhança entre um bébé recém-nascido e um morto-vivo?
"O filho, quando nasce, martiriza, tortura a mãe... mata-a muitas vezes... e não ri ao chegar ao mundo... Não ri... chora... grita..." in Loucura de Mário de Sá-Carneiro.
ambos berram imenso, a maior diferença é que os mortos-vivos já têm força suficiente para poder atacar alguém.
estavam tão descansados no cantinho deles.. e nós resolvemos importuná-los e trazê-los para o nosso mundinho.
Thursday, April 22, 2010
the more you change the less you feel
- mamã, não quero ir à escola.
20 anos depois..
- mamã, não quero dormir.
20 anos depois..
- mamã, não quero dormir.
Thursday, April 15, 2010
Monday, April 12, 2010
visão turva

às vezes parece que estou a viver debaixo de água.
porque toda a minha percepção da realidade fica turva.
e eu tento dizer-me que é da minha cabeça, que é só dos meus olhos, como se estivesse debaixo de água.
será correcto tentar domar os nossos instintos mais "violentos"?
eu acho que sim.
acho que não há nada mais livre, do que podermos tomar a decisão de castrar a nossa própria liberdade.
Monday, March 22, 2010
Tuesday, February 09, 2010
Wednesday, January 13, 2010
respirar ou esperar

quando acordo, só penso em ir dormir.
dormir para adiantar horas mortas.
dormir para matar o tempo morto.
para que chegue mais rápido a noite, o escuro, e que faça então sentido ir dormir outra vez.
quando me deito, estou desperta.
e só quero estar acordada.
para que passe mais rápido o tempo morto.
para que o possa matar, entretendo-me com trivialidades.
para que surja a manhã e me dê vontade de caminhar pelo dia.
tenho a doença a consumir-me o corpo, e o "tédio" a consumir-me o resto.
o tédio e a escuridão de tudo o resto.
sinto-me um espantalho incapaz, a ser debicado pelos corvos.
dormir para adiantar horas mortas.
dormir para matar o tempo morto.
para que chegue mais rápido a noite, o escuro, e que faça então sentido ir dormir outra vez.
quando me deito, estou desperta.
e só quero estar acordada.
para que passe mais rápido o tempo morto.
para que o possa matar, entretendo-me com trivialidades.
para que surja a manhã e me dê vontade de caminhar pelo dia.
tenho a doença a consumir-me o corpo, e o "tédio" a consumir-me o resto.
o tédio e a escuridão de tudo o resto.
sinto-me um espantalho incapaz, a ser debicado pelos corvos.
- "mexe-te mulher!" (guincham eles)
mas eu não consigo..
Saturday, December 26, 2009
Friday, December 18, 2009
Thursday, December 17, 2009
Monday, December 14, 2009
no corpo da escuridão
em todo o silêncio que ronda estas quatro paredes, não podia encontrar melhores palavras para descrever todo o peso do meu corpo como as que foram usadas por outro que não eu.
- "nem consigo fazer a simples tarefa de lavar a roupa.."
- "estás molengão?"
- "não, é esta escuridão que não me deixa."
- "nem consigo fazer a simples tarefa de lavar a roupa.."
- "estás molengão?"
- "não, é esta escuridão que não me deixa."
para vós
depois de toda esta loucura, onde estarão os níveis de insanidade?
quando a insanidade repousar, onde irão pousar as vossas cabeças?
quando a insanidade repousar, onde irão pousar as vossas cabeças?
Sunday, November 01, 2009
memórias
ela disse: "construí um barreira terrível de medos à minha volta, e não consigo mandar abaixo."
- "mas que medos?"
e acendeu um cigarro.
- "mas que medos?"
e acendeu um cigarro.
Monday, June 15, 2009
...
_________________________________________________________________
quase a passar a linha que separa a lucidez da loucura.
Tuesday, June 02, 2009
La Llorona
Rebekah Del Río - Llorona (@Mulholland Drive)
Yo estaba bien por un tiempo,
volviendo a sonreír.
Luego anoche te vi
tu mano me tocó
y el saludo de tu voz.
Y hablé muy bien de tu
sin saber que he estado
llorando por tu amor.
Luego de tu adiós sentí todo mi dolor.
Sola y llorando,
llorando.
No es fácil de entender
que al verte otra vez
Yo seguiré llorando
Yo que pensé que te olvidé
pero es verdad es la verdad
que te quiero aún más,
mucho más que ayer.
Dime tú qué puedo hacer
no me quieres ya
y siempre estaré
llorando por tu amor.
Tu amor se llevó
todo mi corazon
y quedo llorando
llorando
por tu amor.
Yo estaba bien por un tiempo,
volviendo a sonreír.
Luego anoche te vi
tu mano me tocó
y el saludo de tu voz.
Y hablé muy bien de tu
sin saber que he estado
llorando por tu amor.
Luego de tu adiós sentí todo mi dolor.
Sola y llorando,
llorando.
No es fácil de entender
que al verte otra vez
Yo seguiré llorando
Yo que pensé que te olvidé
pero es verdad es la verdad
que te quiero aún más,
mucho más que ayer.
Dime tú qué puedo hacer
no me quieres ya
y siempre estaré
llorando por tu amor.
Tu amor se llevó
todo mi corazon
y quedo llorando
llorando
por tu amor.
Tuesday, May 26, 2009
linda
P.J. Harvey - The Letter
Put the pen
To the paper
Press the envelope
With my scent
Can't you see
In my handwriting
The curve Of my g?
The longing
Oh
Who is left that
Writes these days?
You and me
We'll be different
Take the cap
Off your pen
Wet the envelope
Lick and lick it
Oh
I need you
The time is running out
Oh baby
Can't you hear me call?
It turns me on
To imagine
Your blue eyes
On my words
Your beautiful pen
Take the cap off
Give me a sign and I'd come running
Oh
It's you
I want you
Put the pen
To the paper
Press the envelope
With my scent
Can't you see
In my handwriting
The curve Of my g?
The longing
Oh
Who is left that
Writes these days?
You and me
We'll be different
Take the cap
Off your pen
Wet the envelope
Lick and lick it
Oh
I need you
The time is running out
Oh baby
Can't you hear me call?
It turns me on
To imagine
Your blue eyes
On my words
Your beautiful pen
Take the cap off
Give me a sign and I'd come running
Oh
It's you
I want you
Monday, May 25, 2009
enevoado
[num destes dias; provavelmente confusos.]
Andas-me a trincar os calcanhares
para ver se desfaleço
porque sabes que não estou em posses de cair.
Já vi o precipício,
senti o cheiro da terra molhada,
colhi as ervas daninhas
e desfiz-las em pedaços pequenos.
Para saborear o poder
que é não sentir mais nada.
Andas-me a trincar os calcanhares
para ver se desfaleço
porque sabes que não estou em posses de cair.
Já vi o precipício,
senti o cheiro da terra molhada,
colhi as ervas daninhas
e desfiz-las em pedaços pequenos.
Para saborear o poder
que é não sentir mais nada.
Friday, May 22, 2009
o mar
por falar em mar, água, rio, gotas, lágrimas, taínhas, chuva, ondas e maresias..
Jimmy Cliff - Many Rivers To Cross
Jimmy Cliff - Many Rivers To Cross
Wednesday, May 13, 2009
Monday, May 11, 2009
um punhado de palavras
[num domingo destes, à tarde]
Conheci um feto que cresceu, e hoje teria mais ou menos a minha idade.
Mas afoguei-o.
Afoguei-o em tragédias e dramas.
Afoguei-o em estórias deste mundo e do outro.
Estórias que se crê que sejam da minha cabeça.
Molestei-o tanto que me pediu que o afogasse.
Hoje, o seu corpo reside na terra.
Mas a sua alma não descansa.
Anda comigo para todo o lado.
Conheci um feto que cresceu, e hoje teria mais ou menos a minha idade.
Mas afoguei-o.
Afoguei-o em tragédias e dramas.
Afoguei-o em estórias deste mundo e do outro.
Estórias que se crê que sejam da minha cabeça.
Molestei-o tanto que me pediu que o afogasse.
Hoje, o seu corpo reside na terra.
Mas a sua alma não descansa.
Anda comigo para todo o lado.
Friday, May 08, 2009
Morrer Onde Não Quis Ter Nascido
Esta forma de estar é desconcertante.
Saberei eu o que é importante?
Viver ou guardar na memória
O calor do que já vivi?
Morrer talvez agora, só se for neste momento
neste auge do meu tormento.
Porque odeio toda a gente
quero amar quem não sei
percorra eu ruas ou galáxias,
seja quem me dói ou me desdém.
Porque odeio e não suporto
nem a mim nem a ninguém.
Só eu sei o que não quero saber
Ou prolongar.
Só eu sei que o Passado me foi...
luz
Que o Passado me é
fado.
Tudo fluía e agora pergunto-me:
A que foz fui dar?
Não sei nadar nestas
Águas estagnadas saturadas
Ora quentes ora frias;
Nestes mesmos quatro cantos
Ou mar onde morro e onde não sei
ser salmão e escapar;
Remar e remar corrente acima
E morrer onde nasci.
Filipe Costa Campos in Mar de Silêncios
Saberei eu o que é importante?
Viver ou guardar na memória
O calor do que já vivi?
Morrer talvez agora, só se for neste momento
neste auge do meu tormento.
Porque odeio toda a gente
quero amar quem não sei
percorra eu ruas ou galáxias,
seja quem me dói ou me desdém.
Porque odeio e não suporto
nem a mim nem a ninguém.
Só eu sei o que não quero saber
Ou prolongar.
Só eu sei que o Passado me foi...
luz
Que o Passado me é
fado.
Tudo fluía e agora pergunto-me:
A que foz fui dar?
Não sei nadar nestas
Águas estagnadas saturadas
Ora quentes ora frias;
Nestes mesmos quatro cantos
Ou mar onde morro e onde não sei
ser salmão e escapar;
Remar e remar corrente acima
E morrer onde nasci.
Filipe Costa Campos in Mar de Silêncios
Tuesday, April 28, 2009
Sunday, April 26, 2009
vomitório
as palavras andam tão soltas a correr pela minha cabeça, que não as consigo apanhar e juntá-las.
já deixaram de fazer sentido. correm mais que eu. mais que um puto de 10 anos.
vou-me pôr a dormir.
pode ser que passe.
já deixaram de fazer sentido. correm mais que eu. mais que um puto de 10 anos.
vou-me pôr a dormir.
pode ser que passe.
Thursday, April 02, 2009
ora essa..
Cinematic Orchestra - All That You Give
e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se..
e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se..
Friday, March 27, 2009
lugar comum
"Se eu quisesse, enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis. Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio... Enfim, às vezes já não consigo arrumar tudo isso. Porquê, sabe?, acorda-se às quatro da manhã num quarto vazio, acende-se um cigarro... Está a ver? A pequena luz do fósforo levanta de repente a massa das sombras, a camisa caída sobre a cadeira ganha um volume impossível, a nossa vida... compreende?... a nossa vida, a vida inteira, está ali como... como um acontecimento excessivo... Tem de se arrumar muito depressa. Há felizmente o estilo. Não calcula o que seja? Vejamos: o estilo é o modo subtil de transferir a confusão e a violência da vida para um plano mental de uma unidade de significação. Faço-me entender? Não? Bem, não aguentamos a desordem estuporada da vida. E então pegamos nela, reduzimo-la a dois ou três tópicos que se equacionam. Depois, por meio de uma operação intelectual, dizemos que esses tópicos se encontram no tópico comum, suponhamos , do Amor ou da Morte. Percebe? Uma dessas abstracções que servem para tudo. O cigarro consome-se, não é?, a calma volta. Mas pode imaginar o que seja isto todas as noites, durante semanas ou meses ou anos. (...)"
Estilo, Os Passos em Volta, 1963
Herberto Helder
cortesia de Fernando.
Estilo, Os Passos em Volta, 1963
Herberto Helder
cortesia de Fernando.
Thursday, February 12, 2009
só porque me apetece beber d'esta voz
The Organ - Let The Bells Ring
That's the way that it is. I live under a bell-shaped curve for being average. I know you have been wanting to mention... I dream of death because I'm dying for attention. and then my hopes soar in my hand, and climb up a mountain. and call the names of the people I know who will rock me in the end. Lie rest assured you'll have your own reverberate the walls. Lie rest assured you'll have your own reverberate the halls.
That's the way that it goes. I climbed so bloody high I couldn't stop my bleeding nose. I dream of death and it feels good so I cheat more. and when I spend, touching you's less of a chore. and then I take a soar, in my hand, and climb up a mountain, and call the names of the people I know who will rock me in the end. but lie rest assured you'll have your own reverberate the walls. but lie rest assured you'll have your own reverberate the halls.
Let the bells ring.
Let the bells ring.
Let the bells ring.
Let the bells ring.
Let the bells ring.
Let the bells ring.
That's the way that it is. I live under a bell-shaped curve for being average. I know you have been wanting to mention... I dream of death because I'm dying for attention. and then my hopes soar in my hand, and climb up a mountain. and call the names of the people I know who will rock me in the end. Lie rest assured you'll have your own reverberate the walls. Lie rest assured you'll have your own reverberate the halls.
That's the way that it goes. I climbed so bloody high I couldn't stop my bleeding nose. I dream of death and it feels good so I cheat more. and when I spend, touching you's less of a chore. and then I take a soar, in my hand, and climb up a mountain, and call the names of the people I know who will rock me in the end. but lie rest assured you'll have your own reverberate the walls. but lie rest assured you'll have your own reverberate the halls.
Let the bells ring.
Let the bells ring.
Let the bells ring.
Let the bells ring.
Let the bells ring.
Let the bells ring.
Wednesday, February 04, 2009
Thursday, January 22, 2009
viaduto
neste mundo, onde a contradição não é uma coisa aceitável, é possível temer e amar a morte com a mesma força?
e amar a morte e a vida, e temê-las por igual?
e amar a morte e a vida, e temê-las por igual?
Monday, January 19, 2009
Wednesday, January 07, 2009
algo para a noite
David Bowie - Wild Is The Wind
Love me, love me, love me, love me,
say you do
Let me fly away with you
For my love is like the wind,
and wild is the wind
Wild is the wind
You touch me, I hear the sound of mandolins
You kiss me
With your kiss my life begins
You're spring to me, all things to me
Don't you know you're life, itself!
Like the leaf clings to the tree,
Oh, my darling, cling to me
For we're like creatures of the wind,
and wild is the wind
Wild is the wind
Wild is the wind
Wild is the wind
Wild is the wind
Monday, December 15, 2008
folhas soltas
mais um dia de pinturas.
foi-me informado que limpasse o armário.
ao invés, limpei umas gavetas e a secretária.
encontrei.. papéis de multibanco, bilhetes de autocarro/metro/comboio, flyers de eventos, releases de artistas portugueses, folhas pequenas, folhas grandes, folhas fartas, tudo escrito até a ponta da caneta (ou do lápis) se cruzar com o horizonte da folha.
nelas.. palavras sem sentido. prossegue o estudo.
(o começo com a frase já mais que batida: "cada vez mais se torna insuportável respirar neste mundo". neste mundo insano, acrescento.)
Enquanto a cabeça esvoaça, e o sorriso teima em rasgar para o erguer de um novo dia, o coração palpita ferozmente e as fossas nasais entopem.
O corpo passa a ser mais uma máquina, porque a alimentação que lhe é servida, de manhã, ao almoço, e ao jantar, está poluída de futilidades, egoísmo, e malícia.
O soro que salva esta vida é incerto como o tempo.
Como o frio, como a chuva, como a trovoada, como a neblina, como o sol, como o calor, como a lua..
foi-me informado que limpasse o armário.
ao invés, limpei umas gavetas e a secretária.
encontrei.. papéis de multibanco, bilhetes de autocarro/metro/comboio, flyers de eventos, releases de artistas portugueses, folhas pequenas, folhas grandes, folhas fartas, tudo escrito até a ponta da caneta (ou do lápis) se cruzar com o horizonte da folha.
nelas.. palavras sem sentido. prossegue o estudo.
(o começo com a frase já mais que batida: "cada vez mais se torna insuportável respirar neste mundo". neste mundo insano, acrescento.)
Enquanto a cabeça esvoaça, e o sorriso teima em rasgar para o erguer de um novo dia, o coração palpita ferozmente e as fossas nasais entopem.
O corpo passa a ser mais uma máquina, porque a alimentação que lhe é servida, de manhã, ao almoço, e ao jantar, está poluída de futilidades, egoísmo, e malícia.
O soro que salva esta vida é incerto como o tempo.
Como o frio, como a chuva, como a trovoada, como a neblina, como o sol, como o calor, como a lua..
Tuesday, November 25, 2008
confidências
vasculhando entre velhos papéis neste antro onde durmo, encontrei um postal que me fora enviado em outros tempos. 1998, penso.
nele, entre tantas outras coisas vem um P.S. que diz o seguinte:
"não penses demais nas coisas: sente-as."
nele, entre tantas outras coisas vem um P.S. que diz o seguinte:
"não penses demais nas coisas: sente-as."
Monday, November 17, 2008
ode às taínhas
suja como a taínha.
essa que não me compreende, lembras-te?
eu suja como a taínha, e ele?
puro.
do mais puro que já conheci.
não o posso sujar.
quero-me limpar mas estas escamas não me saem.
falta-me a lingua aguçada para as limpar, os dentes saudáveis para as roer.
por mais que tente, esta sujidade não sai.
esta demência não tem cura.
não me posso misturar.
é como as taínhas. não se misturam com o mar.
se há as que se misturam, então é para lá que vou. para me limpar.
mas não sei onde é.
eu bem tento falar com elas, pode ser que me ouçam.
mas nem com a demência potenciada ao máximo elas me ouvem.
limitam-se a nadar a nadar a nadar, em busca de nada. ou em busca de tudo. e não encontram. morrem.
libertam-se?
não sei.
vou continuar a nadar? não sei.
se calhar vou procurar esse tal mar.
azul, primário.
gosto demasiado de vocês para vos fazer mal.
vou nadando. boiem.
essa que não me compreende, lembras-te?
eu suja como a taínha, e ele?
puro.
do mais puro que já conheci.
não o posso sujar.
quero-me limpar mas estas escamas não me saem.
falta-me a lingua aguçada para as limpar, os dentes saudáveis para as roer.
por mais que tente, esta sujidade não sai.
esta demência não tem cura.
não me posso misturar.
é como as taínhas. não se misturam com o mar.
se há as que se misturam, então é para lá que vou. para me limpar.
mas não sei onde é.
eu bem tento falar com elas, pode ser que me ouçam.
mas nem com a demência potenciada ao máximo elas me ouvem.
limitam-se a nadar a nadar a nadar, em busca de nada. ou em busca de tudo. e não encontram. morrem.
libertam-se?
não sei.
vou continuar a nadar? não sei.
se calhar vou procurar esse tal mar.
azul, primário.
gosto demasiado de vocês para vos fazer mal.
vou nadando. boiem.
Saturday, November 15, 2008
d'O louco
Além-Tédio
Nada me espira já,nada me vive
Nem a tristeza nem as horas belas.
De as não ter e de nunca vir a tê-las,
Fartam-me até as coisas que não tive.
Como eu quisera, enfim d'alma esquecida,
Dormir em paz num leito d'hospital...
Cansei dentro de mim,cansei a vida
De tanto a divagar em luz irreal.
Outrora imaginei escalar os céus
À força de ambição e nostalgia,
E doente-de-Novo, fui-me Deus
No grande rastro fulvo que me ardia.
Parti. Mas logo regressei à dor,
Pois tudo me ruiu...Tudo era igual:
A quimera, cingida, era real,
A própria maravilha tinha cor!
Ecoando-me em silêncio, a noite escura
Baixou-me assim na queda sem remédio;
Eu próprio me traguei na profundura,
Me sequei todo, endureci de tédio.
E só me resta hoje uma alegria:
É que, de tão iguais e tão vazios,
Os instantes me esvoam dia a dia
Cada vez mais velozes,mais esguios...
Mário de Sá Carneiro
Nada me espira já,nada me vive
Nem a tristeza nem as horas belas.
De as não ter e de nunca vir a tê-las,
Fartam-me até as coisas que não tive.
Como eu quisera, enfim d'alma esquecida,
Dormir em paz num leito d'hospital...
Cansei dentro de mim,cansei a vida
De tanto a divagar em luz irreal.
Outrora imaginei escalar os céus
À força de ambição e nostalgia,
E doente-de-Novo, fui-me Deus
No grande rastro fulvo que me ardia.
Parti. Mas logo regressei à dor,
Pois tudo me ruiu...Tudo era igual:
A quimera, cingida, era real,
A própria maravilha tinha cor!
Ecoando-me em silêncio, a noite escura
Baixou-me assim na queda sem remédio;
Eu próprio me traguei na profundura,
Me sequei todo, endureci de tédio.
E só me resta hoje uma alegria:
É que, de tão iguais e tão vazios,
Os instantes me esvoam dia a dia
Cada vez mais velozes,mais esguios...
Mário de Sá Carneiro
Wednesday, October 29, 2008
dôr
dói-me tanto.
sinto a carne a rasgar, a cabeça a inchar. as lágrimas caem, os maxilares desdobram-se em mil. a dôr não passa. anda adormecida.
afastem-se de mim, deixem-me passar. finjam que não estou cá.
idolatrem a minha máscara, mas não se aproximem
imaginem uma redoma em torno da minha pessoa. intocável. como a maçã de adão. envenenada.
leiam relatos, catástrofes.
desenganem-se aqueles que me dizem que tudo isto é minha ilusão.
nada é ilusão se não tem um porquê.
se tem um porquê é real, pode-se apalpar, mexer, consertar.
mas aqui não há um porquê, não há uma explicação. não há um kharma justificável.
não sabemos por que vidas andamos a pagar. não sabemos os erros que cometemos, se os que cometemos não foram graves. foram humanos.
sempre ouvi dizer que tudo torna para nós. todo o mal que distribuímos torna para nós.
eu não sei do meu.
hoje é o papel da vítima. normalmente é o outro.
há que ser original.
Kings Of Leon - Closer
nota: precisa-se paciência. já não há sono que me ature, lençóis que me embrulhem com gosto, nem letras que vomitem o que sinto. estou aborrecida, apática, sem forças.
sinto a carne a rasgar, a cabeça a inchar. as lágrimas caem, os maxilares desdobram-se em mil. a dôr não passa. anda adormecida.
afastem-se de mim, deixem-me passar. finjam que não estou cá.
idolatrem a minha máscara, mas não se aproximem
imaginem uma redoma em torno da minha pessoa. intocável. como a maçã de adão. envenenada.
leiam relatos, catástrofes.
desenganem-se aqueles que me dizem que tudo isto é minha ilusão.
nada é ilusão se não tem um porquê.
se tem um porquê é real, pode-se apalpar, mexer, consertar.
mas aqui não há um porquê, não há uma explicação. não há um kharma justificável.
não sabemos por que vidas andamos a pagar. não sabemos os erros que cometemos, se os que cometemos não foram graves. foram humanos.
sempre ouvi dizer que tudo torna para nós. todo o mal que distribuímos torna para nós.
eu não sei do meu.
hoje é o papel da vítima. normalmente é o outro.
há que ser original.
Kings Of Leon - Closer
nota: precisa-se paciência. já não há sono que me ature, lençóis que me embrulhem com gosto, nem letras que vomitem o que sinto. estou aborrecida, apática, sem forças.
Tuesday, October 21, 2008
Mãe
Aldina Duarte - Mulheres ao Espelho [2008]Mãe
Mãe, eu quero ir-me embora - a vida não é nada
Daquilo que disseste quando os meus seios começaram
A crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,
Murcharam tão depressa as rosas que me deram -
Se é que me deram flores, já não tenho a certeza, mas tu
Deves lembrar-te porque disseste que isso ía acontecer.
Mãe, eu quero ir-me embora - os meus sonhos estão
Cheios de pedras e de terra; e quando fecho os olhos,
Só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais
Que a escuridão por cima. Ainda por cima, matei todos
Os sonhos que tiveste para mim - tenho a casa vazia,
Deitei-me com mais homens do que aqueles que amei
E o que amei de verdade nunca acordou comigo.
Mãe, eu quero ir-me embora - nenhum sorriso abre
Caminho no meu rosto e os beijos azedam na minha boca.
Tu sabes que não gosto de deixar-te sozinha, mas desta vez
Não chames pelo meu nome, não me peças que fique -
As lágrimas impedem-me de caminhar e eu tenho de ir-me
Embora, tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue
De uma ferida que se foi encostando ao meu peito como
Uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer.
Mãe, eu vou-me embora - esperei a vida inteira por quem
Nunca me amou e perdi tudo, até o medo de morrer. A esta
Hora as ruas desertas e as janelas convidam à viagem.
Para ficar, bastava-me uma voz que me chamasse, mas
Essa voz, tu sabes, não é a tua - a última canção sobre
O meu corpo já foi há muito tempo e desde então os dias
Foram sempre tão compridos, e o amor tão parco, e a solidão
Tão grande, e as rosas que disseste que um dia chegariam
Virão já amanhã, mas desta vez, não as verei murchar.
Daquilo que disseste quando os meus seios começaram
A crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,
Murcharam tão depressa as rosas que me deram -
Se é que me deram flores, já não tenho a certeza, mas tu
Deves lembrar-te porque disseste que isso ía acontecer.
Mãe, eu quero ir-me embora - os meus sonhos estão
Cheios de pedras e de terra; e quando fecho os olhos,
Só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais
Que a escuridão por cima. Ainda por cima, matei todos
Os sonhos que tiveste para mim - tenho a casa vazia,
Deitei-me com mais homens do que aqueles que amei
E o que amei de verdade nunca acordou comigo.
Mãe, eu quero ir-me embora - nenhum sorriso abre
Caminho no meu rosto e os beijos azedam na minha boca.
Tu sabes que não gosto de deixar-te sozinha, mas desta vez
Não chames pelo meu nome, não me peças que fique -
As lágrimas impedem-me de caminhar e eu tenho de ir-me
Embora, tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue
De uma ferida que se foi encostando ao meu peito como
Uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer.
Mãe, eu vou-me embora - esperei a vida inteira por quem
Nunca me amou e perdi tudo, até o medo de morrer. A esta
Hora as ruas desertas e as janelas convidam à viagem.
Para ficar, bastava-me uma voz que me chamasse, mas
Essa voz, tu sabes, não é a tua - a última canção sobre
O meu corpo já foi há muito tempo e desde então os dias
Foram sempre tão compridos, e o amor tão parco, e a solidão
Tão grande, e as rosas que disseste que um dia chegariam
Virão já amanhã, mas desta vez, não as verei murchar.
Maria do Rosário Pedreira
[nota: não é dedicado à minha mãe. é dedicado a outros. aos sonhadores, aos iludidos. aos perdidos, aos que acreditaram, aos que continuam a acreditar. aos solidários, aos solitários, aos saudosos. aos infelizes. que se fodam os felizes. aos egoístas. gente feliz deve ser aquela que nunca se questionou nem questiona.]
Friday, September 26, 2008
come and live with me
não consigo exprimir o que sinto quando ouço esta música ou vejo este vídeo.
é muito forte.
muito intenso.
muito nosso.
muito eu.
Massive Attack - Live With Me
It don't matter, when you turn
Gonna survive, live and learn.
I've been thinking about you baby
By the light of dawn, and in my blues
Day and night, I been missing you
I've been thinking about you baby,
Almost makes me crazy,
Come and live with me
Either way, win or lose,
When you're born into trouble you live the blues
I've been thinking about you baby
See it almost makes me crazy child
Nothing's right if you ain't here
I'd give all that I have just to, keep you near
I wrote you a letter and tried to make it clear
That you just don't believe that, I'm sincere.
I've been thinking about you baby...
Plans and schemes, hopes and fears
Dreams i've denied for all these years
I've been thinking about you babe, living with me, well.....
I've been thinking about you baby, makes me wanna...child
Nothing's right, if you ain't here
I give all that I have just to keep you near
I wrote you a letter darlin', trying to make it clear
How much you just don't believe that I'm sincere.
Thinking about you baby, I want you near me
é muito forte.
muito intenso.
muito nosso.
muito eu.
Massive Attack - Live With Me
It don't matter, when you turn
Gonna survive, live and learn.
I've been thinking about you baby
By the light of dawn, and in my blues
Day and night, I been missing you
I've been thinking about you baby,
Almost makes me crazy,
Come and live with me
Either way, win or lose,
When you're born into trouble you live the blues
I've been thinking about you baby
See it almost makes me crazy child
Nothing's right if you ain't here
I'd give all that I have just to, keep you near
I wrote you a letter and tried to make it clear
That you just don't believe that, I'm sincere.
I've been thinking about you baby...
Plans and schemes, hopes and fears
Dreams i've denied for all these years
I've been thinking about you babe, living with me, well.....
I've been thinking about you baby, makes me wanna...child
Nothing's right, if you ain't here
I give all that I have just to keep you near
I wrote you a letter darlin', trying to make it clear
How much you just don't believe that I'm sincere.
Thinking about you baby, I want you near me
Wednesday, September 17, 2008
Subscribe to:
Posts (Atom)








