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Tuesday, March 20, 2012
Pode?
Pode existir um mundo em que a conexão carnal possa andar a par com a conexão espiritual, amorosa, e de compromisso?
Ou parte-se já do principio que este será um mundo sem princípios ou respeito?
Um mundo em que não haja julgamentos por parte de quem não viveu, não sabe, nem sonha.
Um mundo onde há precipitação, momentos intensos e não há futuro.
Um mundo onde a única moral a ser cumprida é a nossa, e os princípios mesmo que desrespeitados sejam os nossos.
Um mundo em que o que não consideramos maldoso, quando nos é mostrada a outra face da moeda, continuemos a concordar com a nossa ideia inicial.
Um mundo em que a obrigação, o compromisso e o respeito, não andem de mãos dadas por não serem solidários com a hipocrisia e a falsa moral.
Um mundo em que não há mentira, pois todas as pessoas são incrivelmente francas e genuínas.
Um mundo em que o egoísmo é algo positivo, porque quem o pratica é mais feliz, e não precisa de magoar ou passar por cima dos outros para atingir essa felicidade.
Um mundo em que o nosso espaço é respeitado, exactamente por ser "nosso", e ao ser nosso, somente a nós dizer respeito.
Poderá a utopia ser palpável?
Ou os sonhos deixarem de ser gasosos?
Monday, May 09, 2011
um dia pego fogo a esta merda toda
Acendi um fósforo, e peguei fogo a tudo.
Começou tudo a arder.
A casa, as folhas, os meus pés, as minhas unhas, o meu cabelo, a minha cama.
A minha cama parecia um poço de sangue gaseificado.
Longas chamas atingiam o tecto e fugiam para consumir o resto do quarto.
E um silêncio brutal.
Um silêncio tão brutal e um ar tão apático de todos os "objectos" animados e inanimados que o mundo inteiro ao saber desta história, passou a colorir em sua mente, a palavra silêncio de côr preta.
Deixou de haver ar, mas também não sufoquei.
Lentamente observei a tridimensionalidade a desfazer-se em cinzas.
Inspirei tão fundo que senti os pulmões a estalarem e o meu corpo a ficar "desorganizado", tornando-se numa carcaça oca, em que só circulava a aragem fresca de tal cenário.
Tremendo alívio!
Foi tão bom.
Começou tudo a arder.
A casa, as folhas, os meus pés, as minhas unhas, o meu cabelo, a minha cama.
A minha cama parecia um poço de sangue gaseificado.
Longas chamas atingiam o tecto e fugiam para consumir o resto do quarto.
E um silêncio brutal.
Um silêncio tão brutal e um ar tão apático de todos os "objectos" animados e inanimados que o mundo inteiro ao saber desta história, passou a colorir em sua mente, a palavra silêncio de côr preta.
Deixou de haver ar, mas também não sufoquei.
Lentamente observei a tridimensionalidade a desfazer-se em cinzas.
Inspirei tão fundo que senti os pulmões a estalarem e o meu corpo a ficar "desorganizado", tornando-se numa carcaça oca, em que só circulava a aragem fresca de tal cenário.
Tremendo alívio!
Foi tão bom.
Friday, March 11, 2011
Tuesday, December 07, 2010
provérbios figurados
Meti os dedos à boca,
mas nem às pedras da calçada consegui chorar.
Meti os dedos à boca,
mas nem a água bateu, nem a pedra moeu.
Meti os dedos à boca,
mas nem caíu o Carmo, nem a Trindade.
Meti os dedos à boca,
mas nem presunção, nem água benta.
Meti os dedos à boca,
mas nem às paredes confessei.
Meti os dedos à boca,
mas afinal a encomenda era igual ao cabaz.
Meti os dedos à boca,
mas nem a bolsa ficou leve, nem o coração menos pesado.
Meti os dedos à boca,
mas nem pão nem queijo.
Meti os dedos à boca,
mas nem leste escuro, nem sol seguro.
Meti os dedos à boca,
mas nem tudo o que abanou, caíu.
Meti os dedos à boca,
mas nem sequer a voz me doeu.
Meti os dedos à boca,
mas não passei da cepa torta.
mas nem às pedras da calçada consegui chorar.
Meti os dedos à boca,
mas nem a água bateu, nem a pedra moeu.
Meti os dedos à boca,
mas nem caíu o Carmo, nem a Trindade.
Meti os dedos à boca,
mas nem presunção, nem água benta.
Meti os dedos à boca,
mas nem às paredes confessei.
Meti os dedos à boca,
mas afinal a encomenda era igual ao cabaz.
Meti os dedos à boca,
mas nem a bolsa ficou leve, nem o coração menos pesado.
Meti os dedos à boca,
mas nem pão nem queijo.
Meti os dedos à boca,
mas nem leste escuro, nem sol seguro.
Meti os dedos à boca,
mas nem tudo o que abanou, caíu.
Meti os dedos à boca,
mas nem sequer a voz me doeu.
Meti os dedos à boca,
mas não passei da cepa torta.
Monday, October 11, 2010
O limbo do sentimento ou o melhor e o pior de um mundo.

Às vezes penso, o quão engraçado será trabalhar num aeroporto.
Caras novas todos os dias, novos conhecimentos, que vão e vêm tão rapidamente que mal dá tempo para sequer tecer uma ferida, ou criar uma erupção cutânea.
Poder passar os dias a fantasiar sobre vidas alheias, tentar adivinhar o que fazem, os seus interesses, os pequenos pormenores que os deixam felizes ou que os aborrecem, as suas amarguras, as suas tristezas, o seu propósito de vida, o berço em que foram criados...
Enfim... colorir as sombras (que por mim eventualmente passariam, se ali trabalhasse), com as cores que eu as pinto.
Depois penso, na quantidade de energias e sentimentos que circulam naquele espaço.
As chegadas. A ansiedade, a saudade, a alegria, o amor, o desejo, a paixão, os sorrisos, os choros de felicidade, os abraços, os beijos, os apertos de mão..
As partidas. A ansiedade, a saudade, a alegria, a tristeza, a saudade, os sorrisos nervosos, os choros, os abraços, os beijos, os apertos de mão, os choros, as saudades, o medo.
De um modo global, focar o olhar de "explorador de vidas", apenas em partidas e chegadas mais intensas.
Viver ali a minha telenovela. Assumir as vidas como minhas, as emoções como minhas.
Assumi-las, chorá-las, quer de tristeza, quer de alegria.
Encher-me com isso, como se de um largo copo de café bem quente se tratasse.
Uma emoção reconfortante.
Não há cá espaço para um sentimento de médio valor no meio destas pessoas.
Não há insensibilidades, não há friezas. Nem nos cafés há gelo.
Os olhos são o espelho da alma, não é o que dizem?
Ler tudo isso, e sentir o pior e o melhor.
Não há limbo. Não há limbo no aeroporto. Não há meios termos. E é horrível.
Não gostaria de as ver todos os dias.
Não gostaria de viver nestes dois mundos todos os dias, e sentir que não há um piso mais estável, em que a ignorância, e o só estar, existe.
Fosse eu poeta, fosse eu pintor, fosse eu músico, fosse eu artista.. se calhar tinha ali matéria-prima. Mas não.
Wednesday, October 06, 2010
Friday, February 01, 2008
segunda carta
Olá..
Desta vez escrevo-te porque não sei desenhar.
E só me vem uma imagem à cabeça.
A do meu sonho.
A do meu acordar.
Brincávamos que nem adolescentes depois de mais uma noite de "paixão" juntos.
Eu fingia que tinha cócegas, só para me agarrares mais e mais.
Só te queria ali, por mais um minuto. Para não te dizer nada, e quando partisses, descansar na minha dor.
Esta foi a segunda carta que te escrevi, e rasguei.
Palavras para uma imagem.
Desta vez escrevo-te porque não sei desenhar.
E só me vem uma imagem à cabeça.
A do meu sonho.
A do meu acordar.
Brincávamos que nem adolescentes depois de mais uma noite de "paixão" juntos.
Eu fingia que tinha cócegas, só para me agarrares mais e mais.
Só te queria ali, por mais um minuto. Para não te dizer nada, e quando partisses, descansar na minha dor.
Esta foi a segunda carta que te escrevi, e rasguei.
Palavras para uma imagem.
Wednesday, November 28, 2007
rascunhos
Aquele conforto
Saiu de casa, após horas a fio entre folhas soltas, beatas de cigarros, incensos queimados, música deprimente e um corte de cabelo novo.
A noite já ía longa, e só o vento e barulhos de carros em movimento bem longe da estrada, importunavam a fria, mas bonita noite.
Comprou uma cerveja e sentou-se num banco de jardim a fumar mais um cigarro. Ficou ali longos minutos até se começar a sentir incomodada pelo frio.
Ir para casa não era uma hipótese.
Pegou no telefone e enviou-lhe uma mensagem.
Chegou ao lar de um conhecido estranho onde foi recebida com um olá tímido, um beijo na face, e uma caneca de chá quente.
Sentaram-se no sofá a ouvir uma música calma, completamente nova para ela.
Ele embrulhou-a num cobertor e acariciou-lhe o cabelo até ela adormecer.
Era tudo o que ela queria.

O conforto do não-conhecimento da realidade
Ela adormeceu.
Levantou-se lentamente do sofá, aconchegando-a mais um pouco. Olhou para ela como se fosse um anjo ali perdido.
Suspirou profundamente, e foi para o seu quarto...
...onde ficou horas a fio, entre folhas soltas e beatas de cigarros, incensos queimados, música deprimente, e uma fotografia rasgada.
Sunday, November 18, 2007
odeio-te

Odeio-te.
Odeio o teu cheiro que se entranha nas minhas narinas e não desaparece facilmente, tornando-se incómodo.
Odeio o teu espreguiçar, principalmente quando rasgas um sorriso tímido.
Odeio os teus olhos semi-cerrados em tom de sedutor.
Odeio a maneira como passas a mão pelo teu cabelo.
Odeio a tua voz cheia de ritmo e meio profunda.
Odeio os teus olhos penetrantes e as tuas longas pestanas.
Odeio as curvas do teu dorso.
Odeio como te vestes despreocupadamente, mas mesmo assim estás sempre bem.
Odeio os teus ténis sujos e as tuas calças apertadas.
Odeio as tuas escolhas musicais.
Odeio a maneira como mexes o chá e respiras o ar puro das árvores com ar de satisfação.
Odeio a tua vida boémia, e as danças parvas que fazes.
Odeio ouvir o teu riso lá de longe quando estou a beber café com os meus amigos.
Odeio essa tua cara de menino grande.
Odeio o teu andar acelerado e o teu andar calmo.
Odeio o teu humor sarcástico.
Odeio quando me fazes rir.
Odeio todos os teus pormenores físicos, psicológicos, interiores e exteriores.
Odeio o sabor dos teus beijos longos.
Odeio os teus abraços apertados.
Odeio sentir a tua respiração forte e descontroladamente suave quando te digo que te amo.
Wednesday, November 07, 2007
vejo o mesmo que tu

até que sou uma miuda simples.
já me custou mais olhar para ti, agora não custa tanto.
agora já me habituei que não és o que quero. o que quero não, o que eu gostava que me passasse a mão pelo cabelo. quem eu gostava de levar a passear de carro a descer uma serra, com o vento a roçar a nossa pele, e a deixar-se envolver pelos nossos risos. quem eu gostava de levar a beber o meu chá preferido. quem eu gostava que visse todos os meus tiques e rituais de ser humano. quem eu queria que experimentasse todas as massas horríveis que cozinho, mas que só eu gosto. quem eu gostava que pudesse apreciar a minha cara de estúpida quando se ouve a Disappointment dos Cranberries sem eu estar à espera.
já passei a mão pelo teu cabelo sem tu sequer reparares que eu o estava a fazer. a tocar em cada fio, e a sentir a sua macieza. porque eu até sou boa miuda, só que não estou muito para mim virada. por isso é que já não me custa olhar para ti.
porque me quero virar para mim. e tu não queres. tu queres virar-te para ti.
já o sabes, mas não o queres saber.
porque também queres aquele conforto do corpo morto ao teu lado, que na realidade não é quem desejas.
e também existes tu. que não te conheço, mas que quero conhecer. porque tu se calhar é que és aquele a quem também passo a mão no cabelo. e passo.
mas trazes-me um olhar que há muito que não via.
és um contador de histórias.
e eu só me deixo envolver nisso porque preciso de imaginar algo naqueles instantes antes de adormecer.
e tu e eu? isso não existe. mas também nunca existirá.
e este que me deram a conhecer? Fritz Perls disse:
Eu faço o que me é próprio, e tu o que te é próprio.
Não estou neste mundo para satisfazer as tuas expectativas,
e tu não estás neste mundo para satisfazer as minhas.
Tu és tu, e eu sou eu.
E, se eventualmente nos encontrarmos, é maravilhoso.
Se não, não tem remédio.[a primeira foto foi retirada deste site http://olhares.aeiou.pt/quartadimensao. é uma fotografia de ricardo jorge, embora não conheça, gosto das fotografias. obrigada]
Monday, October 15, 2007
é mudo

procurei-te na multidão
travei-me para não te procurar
mas ergui o meu whisky e fingi divertir-me
porque me achei ridícula na procura do que não quero
se te vir não te digo, se te cheirar não vais saber
se te possuir não vai passar disso
porque não me deixo querer
dancei aqueles instantes que me destruíam
até vestir a melhor máscara que tenho
e esquecer-me da razão da minha vinda
fui-me embora mais animada.
hoje não sei onde pûs a máscara,
mas não há problema, porque estou sozinha
amanhã vou fumar os meus cigarros e mexer o meu café
e não vou partilhar esta dôr
nem dá-la a conhecer
estalo os dedos com uma frieza que me dá a conhecer o que os outros acham que conhecem de mim
não me guardo para ti nem ninguém
só eu sei o amor que sou capaz de transportar
e o tanto que tenho para dar
prefiro sofrer com dôr, do que sofrer por amor
prefiro sofrer por amar, sem ter um amor
que me possa fazer sofrer
Tuesday, January 02, 2007
combustão cerebral prestes a explodir
Quase quase e não sei onde pára. Acho que perdi o raciocínio lógico.
Não faço ideia onde o deixei.
Se calhar foi perto da caixa de comprimidos que o Napoleão me dá a tomar, porque há pouco sabia onde estava.
Sinto bebedeira de conjugações verbais, sentimentos e emoções.
A caligrafia foge da minha mão.
Onde é que foi toda a gente que morava ao pé de mim?
Porque é que o meu corpo não pára de tremer?
Vais jantar? Só pergunto porque não sei se me apetece jantar contigo.
Eu quero estar contigo, mas ao mesmo tempo não quero. Porque sei que quando estiveres por perto eu não vou querer estar. Ou melhor, o meu lado racional não vai querer estar.
E eu que o perdi!!
Monday, October 16, 2006
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