Friday, May 08, 2009

Morrer Onde Não Quis Ter Nascido

Esta forma de estar é desconcertante.
Saberei eu o que é importante?
Viver ou guardar na memória
O calor do que já vivi?
Morrer talvez agora, só se for neste momento
neste auge do meu tormento.

Porque odeio toda a gente
quero amar quem não sei
percorra eu ruas ou galáxias,
seja quem me dói ou me desdém.
Porque odeio e não suporto
nem a mim nem a ninguém.

Só eu sei o que não quero saber
Ou prolongar.
Só eu sei que o Passado me foi...
luz
Que o Passado me é
fado.
Tudo fluía e agora pergunto-me:
A que foz fui dar?
Não sei nadar nestas
Águas estagnadas saturadas
Ora quentes ora frias;
Nestes mesmos quatro cantos
Ou mar onde morro e onde não sei
ser salmão e escapar;
Remar e remar corrente acima
E morrer onde nasci.

Filipe Costa Campos in Mar de Silêncios

Tuesday, April 28, 2009

isto são..

espasmos emocionais

tædium movere si

Sunday, April 26, 2009

vomitório

as palavras andam tão soltas a correr pela minha cabeça, que não as consigo apanhar e juntá-las.
já deixaram de fazer sentido. correm mais que eu. mais que um puto de 10 anos.
vou-me pôr a dormir.
pode ser que passe.

Thursday, April 02, 2009

ora essa..

Cinematic Orchestra - All That You Give



e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e ri-se, e chora-se, e chora-se, e ri-se..

Friday, March 27, 2009

lugar comum

"Se eu quisesse, enlouquecia. Sei uma quantidade de histórias terríveis. Vi muita coisa, contaram-me casos extraordinários, eu próprio... Enfim, às vezes já não consigo arrumar tudo isso. Porquê, sabe?, acorda-se às quatro da manhã num quarto vazio, acende-se um cigarro... Está a ver? A pequena luz do fósforo levanta de repente a massa das sombras, a camisa caída sobre a cadeira ganha um volume impossível, a nossa vida... compreende?... a nossa vida, a vida inteira, está ali como... como um acontecimento excessivo... Tem de se arrumar muito depressa. Há felizmente o estilo. Não calcula o que seja? Vejamos: o estilo é o modo subtil de transferir a confusão e a violência da vida para um plano mental de uma unidade de significação. Faço-me entender? Não? Bem, não aguentamos a desordem estuporada da vida. E então pegamos nela, reduzimo-la a dois ou três tópicos que se equacionam. Depois, por meio de uma operação intelectual, dizemos que esses tópicos se encontram no tópico comum, suponhamos , do Amor ou da Morte. Percebe? Uma dessas abstracções que servem para tudo. O cigarro consome-se, não é?, a calma volta. Mas pode imaginar o que seja isto todas as noites, durante semanas ou meses ou anos. (...)"

Estilo, Os Passos em Volta, 1963
Herberto Helder


cortesia de Fernando.

Thursday, February 12, 2009

só porque me apetece beber d'esta voz

The Organ - Let The Bells Ring


That's the way that it is. I live under a bell-shaped curve for being average. I know you have been wanting to mention... I dream of death because I'm dying for attention. and then my hopes soar in my hand, and climb up a mountain. and call the names of the people I know who will rock me in the end. Lie rest assured you'll have your own reverberate the walls. Lie rest assured you'll have your own reverberate the halls.

That's the way that it goes. I climbed so bloody high I couldn't stop my bleeding nose. I dream of death and it feels good so I cheat more. and when I spend, touching you's less of a chore. and then I take a soar, in my hand, and climb up a mountain, and call the names of the people I know who will rock me in the end. but lie rest assured you'll have your own reverberate the walls. but lie rest assured you'll have your own reverberate the halls.

Let the bells ring.
Let the bells ring.

Let the bells ring.
Let the bells ring.

Let the bells ring.
Let the bells ring.

Wednesday, February 04, 2009

Thursday, January 22, 2009

viaduto

neste mundo, onde a contradição não é uma coisa aceitável, é possível temer e amar a morte com a mesma força?

e amar a morte e a vida, e temê-las por igual?

Monday, January 19, 2009

palavras soltas neste quarto escuro

acordei cedo hoje, hein?



medo.
cobardia.
frio.
chuva.

Wednesday, January 07, 2009

algo para a noite

David Bowie - Wild Is The Wind




Love me, love me, love me, love me,
say you do
Let me fly away with you
For my love is like the wind,
and wild is the wind
Wild is the wind

You touch me, I hear the sound of mandolins
You kiss me
With your kiss my life begins
You're spring to me, all things to me
Don't you know you're life, itself!

Like the leaf clings to the tree,
Oh, my darling, cling to me
For we're like creatures of the wind,
and wild is the wind

Wild is the wind
Wild is the wind
Wild is the wind
Wild is the wind

Monday, December 15, 2008

folhas soltas

mais um dia de pinturas.
foi-me informado que limpasse o armário.
ao invés, limpei umas gavetas e a secretária.
encontrei.. papéis de multibanco, bilhetes de autocarro/metro/comboio, flyers de eventos, releases de artistas portugueses, folhas pequenas, folhas grandes, folhas fartas, tudo escrito até a ponta da caneta (ou do lápis) se cruzar com o horizonte da folha.

nelas.. palavras sem sentido. prossegue o estudo.
(o começo com a frase já mais que batida: "cada vez mais se torna insuportável respirar neste mundo". neste mundo insano, acrescento.)

Enquanto a cabeça esvoaça, e o sorriso teima em rasgar para o erguer de um novo dia, o coração palpita ferozmente e as fossas nasais entopem.
O corpo passa a ser mais uma máquina, porque a alimentação que lhe é servida, de manhã, ao almoço, e ao jantar, está poluída de futilidades, egoísmo, e malícia.
O soro que salva esta vida é incerto como o tempo.
Como o frio, como a chuva, como a trovoada, como a neblina, como o sol, como o calor, como a lua..

Tuesday, November 25, 2008

confidências

vasculhando entre velhos papéis neste antro onde durmo, encontrei um postal que me fora enviado em outros tempos. 1998, penso.
nele, entre tantas outras coisas vem um P.S. que diz o seguinte:
"não penses demais nas coisas: sente-as."

Monday, November 17, 2008

ode às taínhas

suja como a taínha.
essa que não me compreende, lembras-te?
eu suja como a taínha, e ele?
puro.
do mais puro que já conheci.
não o posso sujar.
quero-me limpar mas estas escamas não me saem.
falta-me a lingua aguçada para as limpar, os dentes saudáveis para as roer.
por mais que tente, esta sujidade não sai.
esta demência não tem cura.
não me posso misturar.
é como as taínhas. não se misturam com o mar.
se há as que se misturam, então é para lá que vou. para me limpar.
mas não sei onde é.
eu bem tento falar com elas, pode ser que me ouçam.
mas nem com a demência potenciada ao máximo elas me ouvem.
limitam-se a nadar a nadar a nadar, em busca de nada. ou em busca de tudo. e não encontram. morrem.
libertam-se?
não sei.
vou continuar a nadar? não sei.
se calhar vou procurar esse tal mar.
azul, primário.
gosto demasiado de vocês para vos fazer mal.
vou nadando. boiem.

Saturday, November 15, 2008

d'O louco

Além-Tédio

Nada me espira já,nada me vive
Nem a tristeza nem as horas belas.
De as não ter e de nunca vir a tê-las,
Fartam-me até as coisas que não tive.
Como eu quisera, enfim d'alma esquecida,
Dormir em paz num leito d'hospital...
Cansei dentro de mim,cansei a vida
De tanto a divagar em luz irreal.
Outrora imaginei escalar os céus
À força de ambição e nostalgia,
E doente-de-Novo, fui-me Deus
No grande rastro fulvo que me ardia.
Parti. Mas logo regressei à dor,
Pois tudo me ruiu...Tudo era igual:
A quimera, cingida, era real,
A própria maravilha tinha cor!
Ecoando-me em silêncio, a noite escura
Baixou-me assim na queda sem remédio;
Eu próprio me traguei na profundura,
Me sequei todo, endureci de tédio.
E só me resta hoje uma alegria:
É que, de tão iguais e tão vazios,
Os instantes me esvoam dia a dia
Cada vez mais velozes,mais esguios...

Mário de Sá Carneiro

Wednesday, October 29, 2008

dôr

dói-me tanto.
sinto a carne a rasgar, a cabeça a inchar. as lágrimas caem, os maxilares desdobram-se em mil. a dôr não passa. anda adormecida.
afastem-se de mim, deixem-me passar. finjam que não estou cá.
idolatrem a minha máscara, mas não se aproximem
imaginem uma redoma em torno da minha pessoa. intocável. como a maçã de adão. envenenada.
leiam relatos, catástrofes.
desenganem-se aqueles que me dizem que tudo isto é minha ilusão.
nada é ilusão se não tem um porquê.
se tem um porquê é real, pode-se apalpar, mexer, consertar.
mas aqui não há um porquê, não há uma explicação. não há um kharma justificável.
não sabemos por que vidas andamos a pagar. não sabemos os erros que cometemos, se os que cometemos não foram graves. foram humanos.
sempre ouvi dizer que tudo torna para nós. todo o mal que distribuímos torna para nós.
eu não sei do meu.


hoje é o papel da vítima. normalmente é o outro.
há que ser original.

Kings Of Leon - Closer


nota: precisa-se paciência. já não há sono que me ature, lençóis que me embrulhem com gosto, nem letras que vomitem o que sinto. estou aborrecida, apática, sem forças.

Tuesday, October 21, 2008

Mãe

Aldina Duarte - Mulheres ao Espelho [2008]



Mãe
Mãe, eu quero ir-me embora - a vida não é nada
Daquilo que disseste quando os meus seios começaram
A crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,
Murcharam tão depressa as rosas que me deram -
Se é que me deram flores, já não tenho a certeza, mas tu
Deves lembrar-te porque disseste que isso ía acontecer.

Mãe, eu quero ir-me embora - os meus sonhos estão
Cheios de pedras e de terra; e quando fecho os olhos,
Só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais
Que a escuridão por cima. Ainda por cima, matei todos
Os sonhos que tiveste para mim - tenho a casa vazia,
Deitei-me com mais homens do que aqueles que amei
E o que amei de verdade nunca acordou comigo.

Mãe, eu quero ir-me embora - nenhum sorriso abre
Caminho no meu rosto e os beijos azedam na minha boca.
Tu sabes que não gosto de deixar-te sozinha, mas desta vez
Não chames pelo meu nome, não me peças que fique -
As lágrimas impedem-me de caminhar e eu tenho de ir-me
Embora, tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue
De uma ferida que se foi encostando ao meu peito como
Uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer.

Mãe, eu vou-me embora - esperei a vida inteira por quem
Nunca me amou e perdi tudo, até o medo de morrer. A esta
Hora as ruas desertas e as janelas convidam à viagem.
Para ficar, bastava-me uma voz que me chamasse, mas
Essa voz, tu sabes, não é a tua - a última canção sobre
O meu corpo já foi há muito tempo e desde então os dias
Foram sempre tão compridos, e o amor tão parco, e a solidão
Tão grande, e as rosas que disseste que um dia chegariam
Virão já amanhã, mas desta vez, não as verei murchar.

Maria do Rosário Pedreira










[nota: não é dedicado à minha mãe. é dedicado a outros. aos sonhadores, aos iludidos. aos perdidos, aos que acreditaram, aos que continuam a acreditar. aos solidários, aos solitários, aos saudosos. aos infelizes. que se fodam os felizes. aos egoístas. gente feliz deve ser aquela que nunca se questionou nem questiona.]

Friday, September 26, 2008

come and live with me

não consigo exprimir o que sinto quando ouço esta música ou vejo este vídeo.
é muito forte.
muito intenso.
muito nosso.
muito eu.

Massive Attack - Live With Me


It don't matter, when you turn
Gonna survive, live and learn.
I've been thinking about you baby
By the light of dawn, and in my blues
Day and night, I been missing you

I've been thinking about you baby,
Almost makes me crazy,
Come and live with me

Either way, win or lose,
When you're born into trouble you live the blues

I've been thinking about you baby

See it almost makes me crazy child
Nothing's right if you ain't here
I'd give all that I have just to, keep you near
I wrote you a letter and tried to make it clear
That you just don't believe that, I'm sincere.

I've been thinking about you baby...

Plans and schemes, hopes and fears
Dreams i've denied for all these years

I've been thinking about you babe, living with me, well.....
I've been thinking about you baby, makes me wanna...child

Nothing's right, if you ain't here
I give all that I have just to keep you near
I wrote you a letter darlin', trying to make it clear
How much you just don't believe that I'm sincere.
Thinking about you baby, I want you near me

Wednesday, September 17, 2008

és

és o que crias.
és o que te consome.
és o pedaço de merda que evitas pisar.

Tuesday, August 05, 2008

ENCERRADO

Este blog está temporariamente ou definitivamente (ainda a decidir) encerrado, para obras.
Até um dia destes, próximo ou não.

Monday, July 21, 2008

o café que nunca bebi

Unimos as chávenas em tom de brinde.
Tu, porque batalhei para tomar um pouco do teu tempo, e não me conhecias. E isso dava-te gozo, apesar do teu mau feitio e desconfiança nos humanos.
Eu, porque te encontrei, ao fim de muitos anos de luta.
Assim que parei de lutar, apareceste tu.
Devia ter ficado feliz, por saber que existias. Mas nem sei o que sinto. Estou envolvida em sentimentos mórbidos, sem destino nem porquês. Não sei se sorria, se chore.
Sei que no meu silêncio, apenas eu me compreenderei.
Visita-me nos meus sonhos.
Viajo por tanto lado que por certo irás passar perto de mim.
Sinto saudades tuas, das conversas que não tivémos, do tempo que estive afastada de ti.
Nos primeiros dias senti-me em baixo. O meu propósito era ser uma formiga e ao fim do dia beber um copo de vinho e rever as tuas memórias.
Nos seguintes meses, não sei como me senti. Mas espero que bem melhor.
Porque se te encontrei, foi com o propósito certo.
Entristece-me que nunca me tivesses encontrado.
Mas daqui a uns tempos isso acontecerá.
E nessa altura, provavelmente serei eu que nunca te vou encontrar.
Padeceste do meu mal.
E a vida fez-te pagar por isso com mais anos de vida do que pensavas que irias ter, ou mesmo que querias. Também te deu força para seres quem és, quem foste.
Encontrei-te no meu presente, minha alma-gémea.
Mas tu és agora passado. E eu, vou ser o futuro.


um pequeno update deste post

Sunday, July 13, 2008

O degradé do amor às paixões (ou a decadência do humano).

Tempos infinos, dedicados ao amor.
Rumos, caminhos, olhos abertos, trocados, com estigmatismo.
Chega a altura em que estima o amor-próprio, e tapa-se o gargalo da garrafa. Tudo meu, todo meu.
Continua-se a dar importância ao amor, ou não fosse ele, tema de conversa habitual com a própria pessoa.
Surge a primavera. Surge o frio. Surge uma nova etapa.
Um novo caminho, cheio de arco-íris e flores pretas.
Ao entrar por ele, venho descobrir uma nova faceta à qual não estou habituada, nem nunca me conheci.
Há paixões.
Há muitas.
Há desejo carnal.
Há a necessidade.
Há a necessidade dos carinhos, dos olhares, dos cheiros, dos sabores, do prazer, do MOMENTO.
Há o presente.
E não há o futuro.
As flores pretas caem-nos sobre a cabeça, como fortes pingos de chuva desalinhados. Aqueles que nos chateiam, mas que pouco tempo depois já não nos incomodam, pois são tantos e é tão recorrente que começa a fazer parte do clima-mãe.
Acabam-se as paixões. Mas continua a necessidade.
Acaba-se a necessidade. Mas continua sempre o MOMENTO.
O caminho nunca mais acaba. Mas já se vê o fim.
Já se vêem as últimas pedras da calçada.
Surge a tua mão. A tua mão suave que agarra a minha.
E apesar de toda a minha inconsciência, sentir o toque da tua mão, foi o que mais gostei neste caminho inteiro.

Sunday, June 29, 2008

beijo-te

beijo-te para me beijar
veijo-te para me veijar
vejo-te para me ver
bejo-te para me ber
beijo-te para me beijar
veijo-te para me veijar
veijo-te para me vier
beijo-te para me bier

de uma maneira ou de outra, é o que faço. beijo-te para me beijar. para me amar.

Tuesday, June 03, 2008

monte de carne inútil


o mesmo sonho outra vez.
a mesma música a ecoar na cabeça vezes sem conta.
o meu desejo de partir, mas não posso. já tenho férias marcadas.
não sei que fazer, vou ter que me aguentar.
trancar a porta a sete chaves e só sair para trabalhar.
mais duas pedras de gelo se faz favor.
destróis-me toda.
tu, ele, os outros, elas, eu.

estou com a cabeça a marinar. culpa tua? culpa minha?
culpa minha, claro.
aqui o monstro faz sempre mais do mesmo.
vivo comigo e continuo a ter que viver.
falta a força no braço.
falta a força na cabeça.
falta o descrer que tudo melhora.
portanto, cá vou ficando. e cá vou existindo.
e cá vou destruíndo para me construir.
e para me destruir.
sinto falta dos dias em que vou dormir e nada me falta.
sinto falta de chegar à hora de me deitar e pensar que o dia não foi só aquilo.
que tenho uma razão para aqui estar e me deitar e dormir.
porque é que as horas de sono não passam já e me deixam ir trabalhar?
não quero ir dormir.
quero ficar acordada a sentir o cheiro da urina nas vielas a secar, a ver a decomposição das beatas, a ver cacos de vidro de garrafas e a imaginar a vida que segurou nelas. a ouvir o silêncio, e o susto de um passo. a ouvir a mesma música que ecoa na minha cabeça vezes sem conta quando estou num sonho que nem é pesadelo nem mais que realidade.
"é isto? o dia acabou? amanhã há mais disto? não quero."

empranha-me. será essa a solução?
bate-me. esta?
esfola um animal à minha frente.
DIZ-ME QUE ME AMAS.
esbofeteia-me com realidade. MAS FORTE.
uma que me corte o cabelo, de preferência às navalhadas.
deixa-me nua no meio da avenida e espera a minha reacção.

amanhã já sei que a monotonia do dia se vai encarregar de me fazer sorrir.
mas não queria nada.
quero sair daqui.
estou presa nestas quatro paredes, neste cheiro a oriente, com estes vidros azuis, estes cremes gordurosos, estes postais de lisboa do século passado, nesta aldeia mesquinha, neste corpo, neste corpo.
ai este corpo.
cada vez encolhe mais.

surdos mudos


4% é bom.
está a crescer.
deixem-me palavras.
cada vez me confundo mais com a minha própria escolha na sondagem.

Monday, May 26, 2008

..A PERFURAR


[pensei que este sentimento já não existia.
pensei que já tinha os poderes suficientes para o controlar.
aliás... este sentimento nunca o controlo, vem volta e meia. mas as condições em que vem, é que me fazem confusão.
pensei que já me conseguia controlar, estava quase a sentir-me dona do meu mundo.
saber ser fria, saber não ter os sentimentos quando quero.
tê-los se alguma vez os quisesse ter.
não os queria ter nada agora, juro.
algo está a falhar.
ou então sou só eu que me estou a precipitar e a julgar que este sentimento de infelicidade mórbida, justificado pela minha bipolar persona, é culpa tua. ou de apareceres.
ou melhor, de quando não apareces.
às vezes onde não olhamos bem e embarcamos por aventura, é onde tropeçamos e nos magoamos a sério.
a merda dos cascos.

o que vale é que daqui a pouco já me estou a rir. e a rir, e a rir, e depois passo para a vivência André Rieu, e lá vou estar eu no meu mundo de felicidade mórbida. nojenta quase.

pensava mesmo que estava a conseguir controlar.
]





escrito um destes dias, afinal estava-me mesmo a precipitar.
um viva à bipolaridade emocional repentina.
ou afinal não.

Monday, May 19, 2008

sondagem

gosto de ver que há opiniões distintas.
estou a gostar destes 2% que prefeririam viver sem sentimento.
digam-me coisas, contem-me estórias.

jaz aqui


mensal como o meu corpo manda.
é como me apareces. é como me relembro do que me disseste no passado.
é isso, e é também quando te vejo. se não te vir, quase que não me lembro.
enerva-me.
queria chorar, queria ouvir músicas deprimentes, queria-me embriagar de nostalgia e cheiros esquecidos (não por mim)..
..mas não me deram esse espaço.
amanhã é um novo dia, e não me devo lembrar de ti, por isso não te cruzes comigo.
quero-me ir embora daqui, quero ver outras caras.
tu não me mereces, nem és tu quem procuro. estou só a passar por uma fase em que me apetece beijar-te e reviver o que não tive contigo. por isso, vai-te, ou vou-me eu.
mas ajuda-me, porque isto cansa.
sim, é para ti.
passado este tempo todo, tenho que me desdobrar por algum lado, ou querias o quê..
o meu corpo é pequeno, e agora que entrei no mesmo jogo que o teu, não seria de esperar outra coisa.
espero é não ser o teu "eu" para outra pessoa que se cruze comigo. isso ainda seria pior do que isto. porque isto eu aguento bem.
é como te digo, é mensal..
e só quando te cruzas comigo.

Sunday, April 27, 2008

.

Faith No More - Evidence


If you want to open the hole
Just put your head down and go
Step beside the piece of the circumstance
Got to wash away the taste of evidence

Wash it away (evidence)

I didn't feel a thing
It didn't mean a thing
Look in the eye and testify:
I didn't feel a thing

Anything you say, we know you're guilty
Hands above your head, you won't even feel me

You won't feel me (evidence)

.

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.

.

.

.

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é daquelas músicas... não mata, mas mói.

Monday, March 17, 2008

Sunday, March 16, 2008

miudas suburbanas part II

abro a janela e a rua está vazia.
o sol que se pôs de manhã, já se foi embora, mas mesmo assim, o céu padece sereno, nada como eu desejava. queria que chovesse, que estivesse um tempo frio, aqueles que não gosto, para me aconchegar no meu desconforto.
a rua continua sempre vazia, e o dia ainda agora começou.
o meu nem sequer terminou. os olhos que se queriam fechar, agora teimam em manter-se abertos, em focar-se em nada. trinta e duas horas e meia a dormir acordada e os pés inchados.
ouço a única música que vai confortar a perca desta sanidade.
estou calma, o que estranho, já me doeu o coração, ainda há pouco, as batidas do mesmo faziam lembrar carpas a tentar escapar duma rede de pesca. com força, força, força! mas sufocadas!
não me consegui libertar disso porque estou calma...
ainda estranho..
às vezes preferia ter uma visão futura sobre as escolhas a tomar em certos momentos que nos parecem insignificantes. gostava que fossem apresentados os prós e contras de uma escolha e da outra.
embora pensando racionalmente de uma forma meio egoísta em relação a mim própria gostasse de ter escolhido outra saída, se não tivesse escolhido esta, mataria o momento.

e o português abriga-se na palavra saudade e esquece os momentos.
porque o momento passa e a saudade fica.
o momento passa e a saudade volta.
e lá se foi o momento.

mas foi.

Wednesday, March 12, 2008

para quem os sinos tocam

Uma noite igual a tantas outras, ofereceu-me paixão.
Plantei-a num terreno fértil, diferente de todos os outros em que já havia plantado.
Não sei se foi da plantação, que não me cheirava nem sabia às que já tinha conhecido e gostava, ou se era do terreno. Mas plantei.
Durante meses a fio, não a reguei nem tratei.
Deixei que a natureza a criasse e fizesse crescer.
Até que num dia sem destino, nasceram delas as mais belas rosas vermelhas, lisas, aveludadas, quase da côr do sangue.
Do meu sangue!
Belas, compridas, carnudas, gordas, pétalas, muitas, milhares delas!.. a encher aquele terreno cada vez mais bonito, apetecível e envolvente!
Quando me apareceu uma visita inesperada em minha casa, deliciou-se a vê-las e disse:
"Oh! Nasceu aqui uma bela amizade!"

Quis despertar...



p.s.: sei de cultura popular que as rosas vermelhas costumam ser de paixão, amor, e as amarelas, de amizade, etc. mas também já li num livro sábio que é exactamente o contrário. só não consegui encontrar um documento na internet que o provasse.

Wednesday, March 05, 2008

só, acto II

só
abrev.,
somente;
adj.,
apenas;
unicamente;
exclusivamente.

Encosta o teu peito contra o meu.
Deixa-me pousar o meu olhar pesado no teu ombro, e banha-me com as cordas da guitarra.
Quero-te abraçar, quero que me acolhas.
Como uma mãe aninha o seu filho quando está febril.
Na música do amor, só quero o conforto, mesmo que não percebas porquê.
Porque é assim que te quero. Sombra que não percebes. Que me deixes só no meu sofrimento martirizante.
Embala-me, só.

só, acto I

só
do Lat. solu
adj.,
solitário;
que está sem companhia;
ermo;
único;
isolado;
afastado da convivência social;
s. m.,
aquele que vive só.


Encosta o teu peito contra o meu.
Deixa-me pousar o meu olhar pesado no teu ombro, e banha-me com as cordas da guitarra.
Quero-te abraçar, quero que me acolhas.
Como uma mãe aninha o seu filho quando está febril.
Na música do amor, só quero o conforto, mesmo que não percebas porquê.
Porque é assim que te quero. Sombra que não percebes. Que me deixes só no meu sofrimento martirizante.
Embala-me, só.

Wednesday, February 27, 2008

poema

Isto é um poema que foi escrito por uma miuda, doente terminal de cancro, num hospital em Nova Iorque. Leiam, é belíssimo, e trasmite uma mensagem fundamental.

SLOW DANCE
Have you ever watched kids
On a merry-go-round?
Or listened to the rain
Slapping on the ground?
Ever followed a butterfly's erratic flight?
Or gazed at the sun into the fading night?
You better slow down.
Don't dance so fast.
Time is short.
The music won't last.
Do you run through each day
On the fly?
When you ask
How are you?
Do you hear the reply?
When the day is done
Do you lie in your bed
With the next hundred chores
Running through your head?
You'd better slow down
Don't dance so fast.
Time is short.
The music won't last.
Ever told your child,
We'll do it tomorrow?
And in your haste,
Not see his sorrow?
Ever lost touch,
Let a good friendship die
Cause you never had time
To call and say,'Hi'
You'd better slow down.
Don't dance so fast.
Time is short.
The music won't last.
When you run so fast to get somewhere
You miss half the fun of getting there.
When you worry and hurry through your day,
It is like an unopened gift....
Thrown away.
Life is not a race.
Do take it slower
Hear the music
Before the song is over.

Saturday, February 23, 2008

descoberta

ao fim de 24 anos, 113 dias, e algumas horas.. descobri o impensável.
descobri a minha alma gémea. mas não a conheci. daí a frustração e ainda não saber como me hei de sentir, ou como o descrever. fiquei bastante feliz na altura, completamente pasmada, boquiaberta, etc etc.. até descobrir que já tinha falecido.
aí só se apoderou de mim a saudade, mágoa, e dúvidas.

pequena biografia de Hubert Selby, Jr.
página oficial

Wednesday, February 20, 2008

tu, a noite, e a música

Tones On Tail - You, The Night and The Music

Sunday, February 17, 2008

para fernando



Claro que te amo.
Mas Passo bem sem ti
.
Sem tabaco e' que
não.*

ainda bem que a vida nos cruzou
*por ele

Friday, February 08, 2008

a nós

votar não morde.
digam-me, preciso de saber. também eu sou voyeur.
votem aqui ao lado. s.f.f....

urgente: lobotomia



caro Deus, preciso que me entretenhas com outra coisa sem ser amor e paixão.
já estou farta, já me está a furar o coração e não quero brincar mais.
queres mesmo que faça uma lobotomia?

p.s.: o.s.t. by Faith No More - "Evidence"

Tuesday, February 05, 2008

update a "odeio-te"

relativamente a este post, reutilizei-o, e como fruto da 2ª via serviu para contextualizar uma nova imagem. espreitem aqui.

Friday, February 01, 2008

segunda carta

Olá..
Desta vez escrevo-te porque não sei desenhar.
E só me vem uma imagem à cabeça.
A do meu sonho.
A do meu acordar.
Brincávamos que nem adolescentes depois de mais uma noite de "paixão" juntos.
Eu fingia que tinha cócegas, só para me agarrares mais e mais.
Só te queria ali, por mais um minuto. Para não te dizer nada, e quando partisses, descansar na minha dor.

Esta foi a segunda carta que te escrevi, e rasguei.

Palavras para uma imagem.

Tuesday, January 15, 2008

miuda, não te consigo apaziguar a alma

- deixar de ter medo e entregar-se? ou entregar-se para reviver esse medo?
- quando deixamos de acreditar nas pessoas, o que nos resta é acreditar.

AMAR DÓI TANTO! adoro quando me dizem o contrário. e eu é que sou a problemática. a que não vê as coisas simples, a que complica.
é simples: é bonito, é bom, é viver, é partilha, é conhecimento, é felicidade, é saudade, é tudo. e quando não há? quando morre? quando parte? é dôr.

para me explicarem como se mexem uns ovos, ninguém me fala nos movimentos pendulares nem rotativos com que se deve manusear a mão. dizem-me "bates com o garfo, mexes com ele, só".

simples.
ai mas o amor é tão bonito.
adoraria chacinar quem inventou a palavra "contradição".
e "mar de rosas".

mas porque é que ninguém me deixa dormir nesta casa??

Wednesday, January 09, 2008

TANTA COISA MEU DEUS


Agora sou eu
24.01.06

Jogo com o pensamento.
Cuspo no sentimento.
Penso no que jogo,
tento-me deixar ir.

Tremo e sorrio, indago e suspiro, páro e recomeço, recordo e permaneço.
Reavivar...
A alma e o pensamento cruzam-se e unem-se, quebrando então numa louca parafernália de questões que os coloca em posições opostas, numa roda viva que torna a nossa mente louca também.
Concordo e repenso, chocam uma com a outra, obedecem e respiram por si próprias como se de outro ente se tratasse.
Vivem por mim e fogem para locais desconhecidos e/ou distantes, incapacitando-me de me apegar e compreendê-las.
Drogo-me e atento no espírito incandescente que não é mais que descrito como tal. Arde e puxa o intelecto de volta para mais uma noite louca de paixão com a minha alma, que se evade em poucos segundos devido a incongruências inexplicáveis.
É-me díficil compreender-me.

onde foste?

onde foste ó inocência?

Abraça-me
23.01.06

O poder do inconsciente que é o mero consciente.
A acção do presente que cobrimos com a desculpa do inconsciente em acção. Mais uma vez é o poder do momento invocado para discursar o próprio sentimento, que nos diz e demonstra o saber, cheirar, querer e ver. Viver.
Alimento-me de cheiros, de pessoas, de passeios pedestres na 3ª pessoa, de gaivotas que esvoaçam sobre o cais, de tudo em geral, mas principalmente em particular. Ao pormenor, sem ditados, não regrada, o que é, o que seja. Eu estou aqui para o viver, e sabe-me bem. Partilhar os sentimentos, os conhecimentos, o nada, e um pouco do que sei. Aprender e sugar o que me querem e não querem transmitir. O poder da mente, e o poder das palavras. Dar a volta à questão, brincar com a inteligência, testar, ser testado, soltar palavras sem nexo, e colhê-las com um enorme sorriso físico ou psicológico, tendo a certeza que é bom viver. E ansear por mais momentos destes, pois tudo o que vem, é recebido de braços abertos.

essência

25.01.06

Sinto o rasgar agressivo que puxa as minhas costelas como se fossem asas de porcelana.
Expande-se a um conhecimento notório que me obriga a pôr a cabeça para cima e me força a repetir vezes sem conta a mesma frase.

Medusas do lago

O calor de serem apanhadas,
a adrenalina de fugir, quando no último segundo um pé submerso se aproxima.
O poder de emitir carinho, sendo intocáveis, e o gosto que é observar e admirar a perfeita felicidade.
No seu próprio egoísmo, é conservada a energia dos outros, tocando-lhes levemente com a ponta de seus dedos.

Saturday, December 22, 2007

vazia

vazia, vazia, vazia..
nunca te vejo, nunca lá estás, nunca te procuro, nunca te encontro.
mas quando sei que estás longe é quando mais quero que estejas perto.
logo eu, que só te quero longe de mim.
e do meu sono.

Friday, December 07, 2007

assuntos inacabados

*update*
Música: Hawkwind - Seeing It As You Really Are

Wednesday, November 28, 2007

rascunhos




Aquele conforto

Saiu de casa, após horas a fio entre folhas soltas, beatas de cigarros, incensos queimados, música deprimente e um corte de cabelo novo.
A noite já ía longa, e só o vento e barulhos de carros em movimento bem longe da estrada, importunavam a fria, mas bonita noite.
Comprou uma cerveja e sentou-se num banco de jardim a fumar mais um cigarro. Ficou ali longos minutos até se começar a sentir incomodada pelo frio.
Ir para casa não era uma hipótese.
Pegou no telefone e enviou-lhe uma mensagem.
Chegou ao lar de um conhecido estranho onde foi recebida com um olá tímido, um beijo na face, e uma caneca de chá quente.
Sentaram-se no sofá a ouvir uma música calma, completamente nova para ela.
Ele embrulhou-a num cobertor e acariciou-lhe o cabelo até ela adormecer.


Era tudo o que ela queria.







O conforto do não-conhecimento da realidade

Ela adormeceu.
Levantou-se lentamente do sofá, aconchegando-a mais um pouco. Olhou para ela como se fosse um anjo ali perdido.
Suspirou profundamente, e foi para o seu quarto...
...onde ficou horas a fio, entre folhas soltas e beatas de cigarros, incensos queimados, música deprimente, e uma fotografia rasgada.

Sunday, November 18, 2007

odeio-te


Odeio-te.
Odeio o teu cheiro que se entranha nas minhas narinas e não desaparece facilmente, tornando-se incómodo.
Odeio o teu espreguiçar, principalmente quando rasgas um sorriso tímido.
Odeio os teus olhos semi-cerrados em tom de sedutor.
Odeio a maneira como passas a mão pelo teu cabelo.
Odeio a tua voz cheia de ritmo e meio profunda.
Odeio os teus olhos penetrantes e as tuas longas pestanas.
Odeio as curvas do teu dorso.
Odeio como te vestes despreocupadamente, mas mesmo assim estás sempre bem.
Odeio os teus ténis sujos e as tuas calças apertadas.
Odeio as tuas escolhas musicais.
Odeio a maneira como mexes o chá e respiras o ar puro das árvores com ar de satisfação.
Odeio a tua vida boémia, e as danças parvas que fazes.
Odeio ouvir o teu riso lá de longe quando estou a beber café com os meus amigos.
Odeio essa tua cara de menino grande.
Odeio o teu andar acelerado e o teu andar calmo.
Odeio o teu humor sarcástico.
Odeio quando me fazes rir.
Odeio todos os teus pormenores físicos, psicológicos, interiores e exteriores.
Odeio o sabor dos teus beijos longos.
Odeio os teus abraços apertados.
Odeio sentir a tua respiração forte e descontroladamente suave quando te digo que te amo.

Saturday, November 10, 2007

rosa vermelha


Tenho um amigo meu que fuma, que não se preocupa muito com a sua beleza exterior.
Preocupa-se mais com a interior.
E para esta finalidade, a medicação exacta que o mais comum dos mortais lhe daria seriam livros, exposições, documentários, estudos universitários, etc.
Ao invés disso, ele dedica-se a leves viagens interiores. Força-as sem sucesso, e consegue atingi-las sem se aperceber.
Viaja e deduz coisas que só se apercebe quando mexe durante largos segundos o café, enquanto fita a mão lesada da empregada que o serviu.
Este é o meu amigo que fuma, e só ele me tira de casa nestes dias.
E eu nestes dias ainda o acho menos bonito.

Wednesday, November 07, 2007

vejo o mesmo que tu




















até que sou uma miuda simples.
já me custou mais olhar para ti, agora não custa tanto.
agora já me habituei que não és o que quero. o que quero não, o que eu gostava que me passasse a mão pelo cabelo. quem eu gostava de levar a passear de carro a descer uma serra, com o vento a roçar a nossa pele, e a deixar-se envolver pelos nossos risos. quem eu gostava de levar a beber o meu chá preferido. quem eu gostava que visse todos os meus tiques e rituais de ser humano. quem eu queria que experimentasse todas as massas horríveis que cozinho, mas que só eu gosto. quem eu gostava que pudesse apreciar a minha cara de estúpida quando se ouve a Disappointment dos Cranberries sem eu estar à espera.
já passei a mão pelo teu cabelo sem tu sequer reparares que eu o estava a fazer. a tocar em cada fio, e a sentir a sua macieza. porque eu até sou boa miuda, só que não estou muito para mim virada. por isso é que já não me custa olhar para ti.
porque me quero virar para mim. e tu não queres. tu queres virar-te para ti.
já o sabes, mas não o queres saber.
porque também queres aquele conforto do corpo morto ao teu lado, que na realidade não é quem desejas.


e também existes tu. que não te conheço, mas que quero conhecer. porque tu se calhar é que és aquele a quem também passo a mão no cabelo. e passo.
mas trazes-me um olhar que há muito que não via.
és um contador de histórias.
e eu só me deixo envolver nisso porque preciso de imaginar algo naqueles instantes antes de adormecer.


e tu e eu? isso não existe. mas também nunca existirá.
e este que me deram a conhecer? Fritz Perls disse:

Eu faço o que me é próprio, e tu o que te é próprio.
Não estou neste mundo para satisfazer as tuas expectativas,
e tu não estás neste mundo para satisfazer as minhas.
Tu és tu, e eu sou eu.
E, se eventualmente nos encontrarmos, é maravilhoso.
Se não, não tem remédio
.

[a primeira foto foi retirada deste site http://olhares.aeiou.pt/quartadimensao. é uma fotografia de ricardo jorge, embora não conheça, gosto das fotografias. obrigada]


30.01.06



[30.01.06]
Pousado sob uma cor serena,
semeio o teu passo,
com diamantes brutos, irreconhecíveis pelo tempo e falta de espaço.
Regresso a mim e indago a nossa existência.
Cura para um sentimento que são mais sentimentos.
Caligrafo dezenas de palavras em rochas e frutas selvagens, dum ponto ao outro, esmagando-os uns contra os outros na espera de uma sucessão.
Do alcance de um nível... a nível espiritual mas não conjugal.
Alheio-me de tudo e foco as gotas de água que trespassam o meu cabelo, roçando o meu rosto como uma força maligna que ao cair, aterram num espaço limpo e tranquilo.
Adormeço e recupero...
Respira-se um novo ser.

Monday, October 15, 2007

é mudo


procurei-te na multidão
travei-me para não te procurar
mas ergui o meu whisky e fingi divertir-me
porque me achei ridícula na procura do que não quero

se te vir não te digo, se te cheirar não vais saber
se te possuir não vai passar disso
porque não me deixo querer

dancei aqueles instantes que me destruíam
até vestir a melhor máscara que tenho
e esquecer-me da razão da minha vinda

fui-me embora mais animada.
hoje não sei onde pûs a máscara,
mas não há problema, porque estou sozinha

amanhã vou fumar os meus cigarros e mexer o meu café
e não vou partilhar esta dôr
nem dá-la a conhecer

estalo os dedos com uma frieza que me dá a conhecer o que os outros acham que conhecem de mim
não me guardo para ti nem ninguém
só eu sei o amor que sou capaz de transportar
e o tanto que tenho para dar

prefiro sofrer com dôr, do que sofrer por amor
prefiro sofrer por amar, sem ter um amor
que me possa fazer sofrer

Thursday, October 11, 2007

botteled pride


ando a consumir orgulho diariamente e várias vezes ao dia. ando a espiolhar onde não devo. ando-me a magoar porque quero tirar a dôr maior que tenho. não o digo a ninguém, ou sussuro apenas pequenos pedaços dela.
estou com saudades de algo que não conheço, de algo que ando a tentar esquecer o cheiro. de algo que não me sai da cabeça por mais que queira. estou-me a tornar impotente nisso e isso irrita-me severamente. por isso bebo orgulho aos litros!!

Thursday, September 20, 2007

ashes to ashes

hoje ouvi dizer:

deprimir tem um lado bom: ouve-se sempre musica porreira

é um estado de egoísmo
absoluto


é excelente...

Is your skin your skeletons

Splinters my daydreams
Under surface see is it any seed
Shadows fly across the wall I walk outside and try to see you right in front of me
Silhouette of something sweet and so bright
Don't know what to offer you I'm only broke and lonely
And another one goes, and another goes by
Sometimes when I step outside I see you standing right in front of me
And another one goes, and another one goes by
Don't know what to offer you I'm only broke and lonely
And another one goes, and another one goes by
Sometimes when I walk outside I see it right in front of me and so bright
And another one goes
And another one goes
And another one goes by

Another One Goes By - música e letra de Quentin Stoltzfus

Wednesday, September 05, 2007

é tão fácil rir e odiar

entrei numa roda-viva assim de repente, que já nem me lembro por onde queria começar.sei que estava no café e me estavam a agoniar as conversas que eu conhecia falsas, ditas com tanta certeza e verdade mentirosa. começou-me a faltar o ar relembrar tudo o que aprendi.aperceber-me que é tudo uma falsidade. que as pessoas são falsas, mentirosas, hipócritas, egoístas, que não têm amor-próprio nem sabem lidar com isso... todos todos todos todos os humanos são um ser horripilante. passam é metade do tempo cobertos com penas de pavão lindíssimas e ninguém dá por nada. será que somos todos?
levar estaladões quando não se dá por nada, e apercebermo-nos disso para não passarmos pelo mesmo outra vez...? inútil. neste momento há-de haver alguem a enganar-me/te e nem sequer nos apercebermos.
a outra parte és tu. ainda não te disse para saires do meu corpo, mas pelo menos o teu cheiro já faço por não o sentir. enerva-me este sentimento, porque não o quero ter. e se o quisesse ter não o queria. porque o que eu quero é estar comigo..

Saturday, July 21, 2007

it never really began


pûs a parte da minha alma que quis ignorar no elevador e elevei-a.
assim fica a ver-te, enquanto o meu corpo dança..
ou isso ou a ideia brilhante que ando a tentar fomentar à minha sanidade.
a paixão platónica inconcebível.
é das melhores expressões.. a da areia nos olhos.
[mas é tão bom dançar que por momentos tapa isso tudo..]
são grãos de areia enormes que só são mais destapados ainda por hormonas.
vá, desliga lá isto, já chega de brincadeiras quero ir dormir...
acorda-me daqui a uma semana.

Saturday, June 16, 2007

paixão platónica inconcebível

se não fosses tu a ouvir-me já me tinha perdido.
graças a deus que me cantas ao ouvido.
porque é dificil...

Thursday, May 24, 2007

not for you, my love, not tonight


6 dias poderiam fazer um rio, poderia banhar alguém. mas não é qualquer um que iria querer banhar-se aqui.
e quando o rio travava a sua ordem natural para deixar passar alguém, quando não quis ele evoluir, viu-se só.

Thursday, April 19, 2007

miudas suburbanas part I


Dói-me a cabeça, tronco e membros de tanto pensar..
.. e pensar que batalho por algo que não existe.
Ainda não deixei de acreditar que é possível, mas já esteve bem mais longe o dia de acreditar com mais dentes e forças que assim o era.
Já não sei o que digo. Tenho palavra mas não acredito em mim. Já tomo o dito por não dito.
Estou sentada neste banco, num ambiente que normalmente me fascinaria e sinto-me neutra.
Banco de metal, carris envelhecidos, grilos e batida urbana, pernas doridas que percorreram o dia esperando a noite chegar, para matar saudades.
Saudades que não deveriam ser mortas, mas sim deixadas de molho. Pelo menos num universo paralelo. Para que esta pessoa que se deliciaria num dia normal com os tons alaranjados e castiços que a noite fresca de Lisboa lhe proporciona, não pudesse magoar ninguém...
E o dia do julgamento final que nunca mais amanhece e se faz homem...

Tuesday, January 02, 2007

combustão cerebral prestes a explodir

Quase quase e não sei onde pára.
Acho que perdi o raciocínio lógico.
Não faço ideia onde o deixei.
Se calhar foi perto da caixa de comprimidos que o Napoleão me dá a tomar, porque há pouco sabia onde estava.
Sinto bebedeira de conjugações verbais, sentimentos e emoções.
A caligrafia foge da minha mão.
Onde é que foi toda a gente que morava ao pé de mim?
Porque é que o meu corpo não pára de tremer?
Vais jantar? Só pergunto porque não sei se me apetece jantar contigo.
Eu quero estar contigo, mas ao mesmo tempo não quero. Porque sei que quando estiveres por perto eu não vou querer estar. Ou melhor, o meu lado racional não vai querer estar.
E eu que o perdi!!

Tuesday, December 19, 2006

19.12.06 - paixões in//rasputine


Calhou em conversa falar de implantes. Mais concretamente em implantes de coração.
Uma pessoa racional, ou térrea disse-me: "Eu tenho os meus limites". Pois, eu também tenho os meus, mas os meus travões estão avariados. Mas não é por falta de óleo.
Isto tudo se poderá tratar como uma equação matemática, ou questões de lógica.
Ora se o batimento cardíaco está ligado ao cérebro, ou vice-versa, então os sentimentos estarão portanto ligados ao cérebro também. O coração sente. Mas o coração sente porque o cérebro assimila esse sentimento. E quem se debruça demais sobre esse pensamento, mais sente ainda sobre o mesmo.
Tremer de paixão por toda a gente.
Tudo o que se manifesta agradável, tudo o que se manifesta de paixão, tudo o que é perfeito aos olhos mais sensíveis ou sensíveis. Sensibilidade ou sensivilidade. Que merda que se torna isto tudo.
Frágil foi o que me chamaram indirectamente uns quantos dias antes.
Ritmos mensais que atenuam o estado de espírito sentimental não racional racional!!!
Díficil expressão é o que se torna.
Dar voltas na mesma questão e mesmo assim deixar-se ir pelo que se sente.
"Eu já pedi o meu implante faz mais de 5 minutos, este sítio é uma espelunca!"
Há um ser que se quer conhecer, por isso se isola e limita o seu espaço ao conhecimento próprio, para se apaixonar pelo mesmo. Para então poder abrir as portas e se inaugurar (dentro do que já era, mas mais absorvido na sua consciência) a outras pessoas com quem deseja partilhar esse seu salão, esse seu mundo. Essa sua pessoa. Esse seu ser que não o vai abandonar por mais que fuja da sua própria sombra.
Uma pessoa que é viciada em sombras mas não consegue fugir da sua, embebeda-se em sentimentos que não quer ter, mas não foge deles porque a sua sombra os puxa para os mesmos. É correr no mesmo sítio! Como ir a um ginásio para fazer exercício porque tem hora marcada e dinheiro a cair todos os meses. Ou não, porque é uma obrigação. Então porque se torna a nossa consciência de certo modo numa obrigação? Obrigação de fazer o que sente. E se se sente muita coisa ao mesmo tempo? E se a paixão se dilui ao ponto de se confundir com diversos sentimentos? E o amor que não é próprio?
Vai para casa e escrever, escrever faz bem. Isso para mim é claro como água. Tu estás é carente.
Carente? Mas que são carências, pergunto eu, quando a única pessoa que quero amar está dentro de mim?
Estará errado obrigar-me a amar-me? Será dificil?
Houve uma senhora que perguntou ao médico onde se injectava o colagénio para o vazio existencial, eu cá corrobo a questão e pergunto também se estas fases se curam com shampoos para a caspa e medicamentos para emagrecer. Caspa não, caspa é físico. Emagrecer e depressões, que vem cá de dentro.
Terapia musical e ainda se riem de mim. Não faz efeito num mês. O comprimido bem que pode ser de açúcar.
E ainda me perguntam porque me injecto tanto com o que me faz mal. Pergunta-lhe a filha porque se mata aos poucos. Mas que gozo isso me dá.
Que gozo me dá aquele ardor, que gozo me dá a visão turva, que gozo me dá a dôr. Que gozo me dá saber que estou viva, que gozo me dá a disfunção da realidade por certos instantes.
E que gozo me dá quando penso sobre isso ao ouvir o que penso de quem vem de longe. De quem não me conhece e se exprime por mim.
Que gozo me dá essa ilusão. Dizerem-me que estamos sozinhos no mundo e afinal ser mentira.
Não sei se gosto de paixões ou não. E falo de paixões.
Uma paixão que não tem o significado que tem para ti. O mesmo significado que tem para ti, não tem para mim.
A minha absorção de paixão. O poder de me apaixonar por uma pessoa que não conheço.
Pode só esboçar-me um sorriso. E até agora ainda não bati na cabeça.

Sunday, December 17, 2006

"my brain is a mess"

Mostrou-me o interior dela.
Mostrou-me como sangrava, mostrou-me a roupa no meio do chão, mostrou-me a cinza do cigarro descuidado, mostrou-me o que estava caído que não devia.
Mostrou-me isso, eu virei a cara e fingi que não era comigo.
Ela disse-me que erámos iguais.

Saturday, December 09, 2006

saíu-lhe assim



ele disse: "a minha alma gémea está doente."
e ela disse: "o amor é horrível."

pára de respirar em cima de mim

As caras desfiguram-se ao longo dos dias.
Contam-me histórias nos sonhos, e acordam-me quando não estou a sonhar.
Desfiguram-se em dentes caninos e aumentam a minha circulação sanguínea.
Mas amanhã já não se desfiguram...
Só que nunca mais é amanhã...
 
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