Friday, September 26, 2008

come and live with me

não consigo exprimir o que sinto quando ouço esta música ou vejo este vídeo.
é muito forte.
muito intenso.
muito nosso.
muito eu.

Massive Attack - Live With Me


It don't matter, when you turn
Gonna survive, live and learn.
I've been thinking about you baby
By the light of dawn, and in my blues
Day and night, I been missing you

I've been thinking about you baby,
Almost makes me crazy,
Come and live with me

Either way, win or lose,
When you're born into trouble you live the blues

I've been thinking about you baby

See it almost makes me crazy child
Nothing's right if you ain't here
I'd give all that I have just to, keep you near
I wrote you a letter and tried to make it clear
That you just don't believe that, I'm sincere.

I've been thinking about you baby...

Plans and schemes, hopes and fears
Dreams i've denied for all these years

I've been thinking about you babe, living with me, well.....
I've been thinking about you baby, makes me wanna...child

Nothing's right, if you ain't here
I give all that I have just to keep you near
I wrote you a letter darlin', trying to make it clear
How much you just don't believe that I'm sincere.
Thinking about you baby, I want you near me

Wednesday, September 17, 2008

és

és o que crias.
és o que te consome.
és o pedaço de merda que evitas pisar.

Tuesday, August 05, 2008

ENCERRADO

Este blog está temporariamente ou definitivamente (ainda a decidir) encerrado, para obras.
Até um dia destes, próximo ou não.

Monday, July 21, 2008

o café que nunca bebi

Unimos as chávenas em tom de brinde.
Tu, porque batalhei para tomar um pouco do teu tempo, e não me conhecias. E isso dava-te gozo, apesar do teu mau feitio e desconfiança nos humanos.
Eu, porque te encontrei, ao fim de muitos anos de luta.
Assim que parei de lutar, apareceste tu.
Devia ter ficado feliz, por saber que existias. Mas nem sei o que sinto. Estou envolvida em sentimentos mórbidos, sem destino nem porquês. Não sei se sorria, se chore.
Sei que no meu silêncio, apenas eu me compreenderei.
Visita-me nos meus sonhos.
Viajo por tanto lado que por certo irás passar perto de mim.
Sinto saudades tuas, das conversas que não tivémos, do tempo que estive afastada de ti.
Nos primeiros dias senti-me em baixo. O meu propósito era ser uma formiga e ao fim do dia beber um copo de vinho e rever as tuas memórias.
Nos seguintes meses, não sei como me senti. Mas espero que bem melhor.
Porque se te encontrei, foi com o propósito certo.
Entristece-me que nunca me tivesses encontrado.
Mas daqui a uns tempos isso acontecerá.
E nessa altura, provavelmente serei eu que nunca te vou encontrar.
Padeceste do meu mal.
E a vida fez-te pagar por isso com mais anos de vida do que pensavas que irias ter, ou mesmo que querias. Também te deu força para seres quem és, quem foste.
Encontrei-te no meu presente, minha alma-gémea.
Mas tu és agora passado. E eu, vou ser o futuro.


um pequeno update deste post

Sunday, July 13, 2008

O degradé do amor às paixões (ou a decadência do humano).

Tempos infinos, dedicados ao amor.
Rumos, caminhos, olhos abertos, trocados, com estigmatismo.
Chega a altura em que estima o amor-próprio, e tapa-se o gargalo da garrafa. Tudo meu, todo meu.
Continua-se a dar importância ao amor, ou não fosse ele, tema de conversa habitual com a própria pessoa.
Surge a primavera. Surge o frio. Surge uma nova etapa.
Um novo caminho, cheio de arco-íris e flores pretas.
Ao entrar por ele, venho descobrir uma nova faceta à qual não estou habituada, nem nunca me conheci.
Há paixões.
Há muitas.
Há desejo carnal.
Há a necessidade.
Há a necessidade dos carinhos, dos olhares, dos cheiros, dos sabores, do prazer, do MOMENTO.
Há o presente.
E não há o futuro.
As flores pretas caem-nos sobre a cabeça, como fortes pingos de chuva desalinhados. Aqueles que nos chateiam, mas que pouco tempo depois já não nos incomodam, pois são tantos e é tão recorrente que começa a fazer parte do clima-mãe.
Acabam-se as paixões. Mas continua a necessidade.
Acaba-se a necessidade. Mas continua sempre o MOMENTO.
O caminho nunca mais acaba. Mas já se vê o fim.
Já se vêem as últimas pedras da calçada.
Surge a tua mão. A tua mão suave que agarra a minha.
E apesar de toda a minha inconsciência, sentir o toque da tua mão, foi o que mais gostei neste caminho inteiro.

Sunday, June 29, 2008

beijo-te

beijo-te para me beijar
veijo-te para me veijar
vejo-te para me ver
bejo-te para me ber
beijo-te para me beijar
veijo-te para me veijar
veijo-te para me vier
beijo-te para me bier

de uma maneira ou de outra, é o que faço. beijo-te para me beijar. para me amar.

Tuesday, June 03, 2008

monte de carne inútil


o mesmo sonho outra vez.
a mesma música a ecoar na cabeça vezes sem conta.
o meu desejo de partir, mas não posso. já tenho férias marcadas.
não sei que fazer, vou ter que me aguentar.
trancar a porta a sete chaves e só sair para trabalhar.
mais duas pedras de gelo se faz favor.
destróis-me toda.
tu, ele, os outros, elas, eu.

estou com a cabeça a marinar. culpa tua? culpa minha?
culpa minha, claro.
aqui o monstro faz sempre mais do mesmo.
vivo comigo e continuo a ter que viver.
falta a força no braço.
falta a força na cabeça.
falta o descrer que tudo melhora.
portanto, cá vou ficando. e cá vou existindo.
e cá vou destruíndo para me construir.
e para me destruir.
sinto falta dos dias em que vou dormir e nada me falta.
sinto falta de chegar à hora de me deitar e pensar que o dia não foi só aquilo.
que tenho uma razão para aqui estar e me deitar e dormir.
porque é que as horas de sono não passam já e me deixam ir trabalhar?
não quero ir dormir.
quero ficar acordada a sentir o cheiro da urina nas vielas a secar, a ver a decomposição das beatas, a ver cacos de vidro de garrafas e a imaginar a vida que segurou nelas. a ouvir o silêncio, e o susto de um passo. a ouvir a mesma música que ecoa na minha cabeça vezes sem conta quando estou num sonho que nem é pesadelo nem mais que realidade.
"é isto? o dia acabou? amanhã há mais disto? não quero."

empranha-me. será essa a solução?
bate-me. esta?
esfola um animal à minha frente.
DIZ-ME QUE ME AMAS.
esbofeteia-me com realidade. MAS FORTE.
uma que me corte o cabelo, de preferência às navalhadas.
deixa-me nua no meio da avenida e espera a minha reacção.

amanhã já sei que a monotonia do dia se vai encarregar de me fazer sorrir.
mas não queria nada.
quero sair daqui.
estou presa nestas quatro paredes, neste cheiro a oriente, com estes vidros azuis, estes cremes gordurosos, estes postais de lisboa do século passado, nesta aldeia mesquinha, neste corpo, neste corpo.
ai este corpo.
cada vez encolhe mais.

surdos mudos


4% é bom.
está a crescer.
deixem-me palavras.
cada vez me confundo mais com a minha própria escolha na sondagem.

Monday, May 26, 2008

..A PERFURAR


[pensei que este sentimento já não existia.
pensei que já tinha os poderes suficientes para o controlar.
aliás... este sentimento nunca o controlo, vem volta e meia. mas as condições em que vem, é que me fazem confusão.
pensei que já me conseguia controlar, estava quase a sentir-me dona do meu mundo.
saber ser fria, saber não ter os sentimentos quando quero.
tê-los se alguma vez os quisesse ter.
não os queria ter nada agora, juro.
algo está a falhar.
ou então sou só eu que me estou a precipitar e a julgar que este sentimento de infelicidade mórbida, justificado pela minha bipolar persona, é culpa tua. ou de apareceres.
ou melhor, de quando não apareces.
às vezes onde não olhamos bem e embarcamos por aventura, é onde tropeçamos e nos magoamos a sério.
a merda dos cascos.

o que vale é que daqui a pouco já me estou a rir. e a rir, e a rir, e depois passo para a vivência André Rieu, e lá vou estar eu no meu mundo de felicidade mórbida. nojenta quase.

pensava mesmo que estava a conseguir controlar.
]





escrito um destes dias, afinal estava-me mesmo a precipitar.
um viva à bipolaridade emocional repentina.
ou afinal não.

Monday, May 19, 2008

sondagem

gosto de ver que há opiniões distintas.
estou a gostar destes 2% que prefeririam viver sem sentimento.
digam-me coisas, contem-me estórias.

jaz aqui


mensal como o meu corpo manda.
é como me apareces. é como me relembro do que me disseste no passado.
é isso, e é também quando te vejo. se não te vir, quase que não me lembro.
enerva-me.
queria chorar, queria ouvir músicas deprimentes, queria-me embriagar de nostalgia e cheiros esquecidos (não por mim)..
..mas não me deram esse espaço.
amanhã é um novo dia, e não me devo lembrar de ti, por isso não te cruzes comigo.
quero-me ir embora daqui, quero ver outras caras.
tu não me mereces, nem és tu quem procuro. estou só a passar por uma fase em que me apetece beijar-te e reviver o que não tive contigo. por isso, vai-te, ou vou-me eu.
mas ajuda-me, porque isto cansa.
sim, é para ti.
passado este tempo todo, tenho que me desdobrar por algum lado, ou querias o quê..
o meu corpo é pequeno, e agora que entrei no mesmo jogo que o teu, não seria de esperar outra coisa.
espero é não ser o teu "eu" para outra pessoa que se cruze comigo. isso ainda seria pior do que isto. porque isto eu aguento bem.
é como te digo, é mensal..
e só quando te cruzas comigo.

Sunday, April 27, 2008

.

Faith No More - Evidence


If you want to open the hole
Just put your head down and go
Step beside the piece of the circumstance
Got to wash away the taste of evidence

Wash it away (evidence)

I didn't feel a thing
It didn't mean a thing
Look in the eye and testify:
I didn't feel a thing

Anything you say, we know you're guilty
Hands above your head, you won't even feel me

You won't feel me (evidence)

.

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.

.

.

.

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é daquelas músicas... não mata, mas mói.

Monday, March 17, 2008

Sunday, March 16, 2008

miudas suburbanas part II

abro a janela e a rua está vazia.
o sol que se pôs de manhã, já se foi embora, mas mesmo assim, o céu padece sereno, nada como eu desejava. queria que chovesse, que estivesse um tempo frio, aqueles que não gosto, para me aconchegar no meu desconforto.
a rua continua sempre vazia, e o dia ainda agora começou.
o meu nem sequer terminou. os olhos que se queriam fechar, agora teimam em manter-se abertos, em focar-se em nada. trinta e duas horas e meia a dormir acordada e os pés inchados.
ouço a única música que vai confortar a perca desta sanidade.
estou calma, o que estranho, já me doeu o coração, ainda há pouco, as batidas do mesmo faziam lembrar carpas a tentar escapar duma rede de pesca. com força, força, força! mas sufocadas!
não me consegui libertar disso porque estou calma...
ainda estranho..
às vezes preferia ter uma visão futura sobre as escolhas a tomar em certos momentos que nos parecem insignificantes. gostava que fossem apresentados os prós e contras de uma escolha e da outra.
embora pensando racionalmente de uma forma meio egoísta em relação a mim própria gostasse de ter escolhido outra saída, se não tivesse escolhido esta, mataria o momento.

e o português abriga-se na palavra saudade e esquece os momentos.
porque o momento passa e a saudade fica.
o momento passa e a saudade volta.
e lá se foi o momento.

mas foi.

Wednesday, March 12, 2008

para quem os sinos tocam

Uma noite igual a tantas outras, ofereceu-me paixão.
Plantei-a num terreno fértil, diferente de todos os outros em que já havia plantado.
Não sei se foi da plantação, que não me cheirava nem sabia às que já tinha conhecido e gostava, ou se era do terreno. Mas plantei.
Durante meses a fio, não a reguei nem tratei.
Deixei que a natureza a criasse e fizesse crescer.
Até que num dia sem destino, nasceram delas as mais belas rosas vermelhas, lisas, aveludadas, quase da côr do sangue.
Do meu sangue!
Belas, compridas, carnudas, gordas, pétalas, muitas, milhares delas!.. a encher aquele terreno cada vez mais bonito, apetecível e envolvente!
Quando me apareceu uma visita inesperada em minha casa, deliciou-se a vê-las e disse:
"Oh! Nasceu aqui uma bela amizade!"

Quis despertar...



p.s.: sei de cultura popular que as rosas vermelhas costumam ser de paixão, amor, e as amarelas, de amizade, etc. mas também já li num livro sábio que é exactamente o contrário. só não consegui encontrar um documento na internet que o provasse.

Wednesday, March 05, 2008

só, acto II

só
abrev.,
somente;
adj.,
apenas;
unicamente;
exclusivamente.

Encosta o teu peito contra o meu.
Deixa-me pousar o meu olhar pesado no teu ombro, e banha-me com as cordas da guitarra.
Quero-te abraçar, quero que me acolhas.
Como uma mãe aninha o seu filho quando está febril.
Na música do amor, só quero o conforto, mesmo que não percebas porquê.
Porque é assim que te quero. Sombra que não percebes. Que me deixes só no meu sofrimento martirizante.
Embala-me, só.

só, acto I

só
do Lat. solu
adj.,
solitário;
que está sem companhia;
ermo;
único;
isolado;
afastado da convivência social;
s. m.,
aquele que vive só.


Encosta o teu peito contra o meu.
Deixa-me pousar o meu olhar pesado no teu ombro, e banha-me com as cordas da guitarra.
Quero-te abraçar, quero que me acolhas.
Como uma mãe aninha o seu filho quando está febril.
Na música do amor, só quero o conforto, mesmo que não percebas porquê.
Porque é assim que te quero. Sombra que não percebes. Que me deixes só no meu sofrimento martirizante.
Embala-me, só.

Wednesday, February 27, 2008

poema

Isto é um poema que foi escrito por uma miuda, doente terminal de cancro, num hospital em Nova Iorque. Leiam, é belíssimo, e trasmite uma mensagem fundamental.

SLOW DANCE
Have you ever watched kids
On a merry-go-round?
Or listened to the rain
Slapping on the ground?
Ever followed a butterfly's erratic flight?
Or gazed at the sun into the fading night?
You better slow down.
Don't dance so fast.
Time is short.
The music won't last.
Do you run through each day
On the fly?
When you ask
How are you?
Do you hear the reply?
When the day is done
Do you lie in your bed
With the next hundred chores
Running through your head?
You'd better slow down
Don't dance so fast.
Time is short.
The music won't last.
Ever told your child,
We'll do it tomorrow?
And in your haste,
Not see his sorrow?
Ever lost touch,
Let a good friendship die
Cause you never had time
To call and say,'Hi'
You'd better slow down.
Don't dance so fast.
Time is short.
The music won't last.
When you run so fast to get somewhere
You miss half the fun of getting there.
When you worry and hurry through your day,
It is like an unopened gift....
Thrown away.
Life is not a race.
Do take it slower
Hear the music
Before the song is over.

Saturday, February 23, 2008

descoberta

ao fim de 24 anos, 113 dias, e algumas horas.. descobri o impensável.
descobri a minha alma gémea. mas não a conheci. daí a frustração e ainda não saber como me hei de sentir, ou como o descrever. fiquei bastante feliz na altura, completamente pasmada, boquiaberta, etc etc.. até descobrir que já tinha falecido.
aí só se apoderou de mim a saudade, mágoa, e dúvidas.

pequena biografia de Hubert Selby, Jr.
página oficial

Wednesday, February 20, 2008

tu, a noite, e a música

Tones On Tail - You, The Night and The Music

Sunday, February 17, 2008

para fernando



Claro que te amo.
Mas Passo bem sem ti
.
Sem tabaco e' que
não.*

ainda bem que a vida nos cruzou
*por ele

Friday, February 08, 2008

a nós

votar não morde.
digam-me, preciso de saber. também eu sou voyeur.
votem aqui ao lado. s.f.f....

urgente: lobotomia



caro Deus, preciso que me entretenhas com outra coisa sem ser amor e paixão.
já estou farta, já me está a furar o coração e não quero brincar mais.
queres mesmo que faça uma lobotomia?

p.s.: o.s.t. by Faith No More - "Evidence"

Tuesday, February 05, 2008

update a "odeio-te"

relativamente a este post, reutilizei-o, e como fruto da 2ª via serviu para contextualizar uma nova imagem. espreitem aqui.

Friday, February 01, 2008

segunda carta

Olá..
Desta vez escrevo-te porque não sei desenhar.
E só me vem uma imagem à cabeça.
A do meu sonho.
A do meu acordar.
Brincávamos que nem adolescentes depois de mais uma noite de "paixão" juntos.
Eu fingia que tinha cócegas, só para me agarrares mais e mais.
Só te queria ali, por mais um minuto. Para não te dizer nada, e quando partisses, descansar na minha dor.

Esta foi a segunda carta que te escrevi, e rasguei.

Palavras para uma imagem.

Tuesday, January 15, 2008

miuda, não te consigo apaziguar a alma

- deixar de ter medo e entregar-se? ou entregar-se para reviver esse medo?
- quando deixamos de acreditar nas pessoas, o que nos resta é acreditar.

AMAR DÓI TANTO! adoro quando me dizem o contrário. e eu é que sou a problemática. a que não vê as coisas simples, a que complica.
é simples: é bonito, é bom, é viver, é partilha, é conhecimento, é felicidade, é saudade, é tudo. e quando não há? quando morre? quando parte? é dôr.

para me explicarem como se mexem uns ovos, ninguém me fala nos movimentos pendulares nem rotativos com que se deve manusear a mão. dizem-me "bates com o garfo, mexes com ele, só".

simples.
ai mas o amor é tão bonito.
adoraria chacinar quem inventou a palavra "contradição".
e "mar de rosas".

mas porque é que ninguém me deixa dormir nesta casa??

Wednesday, January 09, 2008

TANTA COISA MEU DEUS


Agora sou eu
24.01.06

Jogo com o pensamento.
Cuspo no sentimento.
Penso no que jogo,
tento-me deixar ir.

Tremo e sorrio, indago e suspiro, páro e recomeço, recordo e permaneço.
Reavivar...
A alma e o pensamento cruzam-se e unem-se, quebrando então numa louca parafernália de questões que os coloca em posições opostas, numa roda viva que torna a nossa mente louca também.
Concordo e repenso, chocam uma com a outra, obedecem e respiram por si próprias como se de outro ente se tratasse.
Vivem por mim e fogem para locais desconhecidos e/ou distantes, incapacitando-me de me apegar e compreendê-las.
Drogo-me e atento no espírito incandescente que não é mais que descrito como tal. Arde e puxa o intelecto de volta para mais uma noite louca de paixão com a minha alma, que se evade em poucos segundos devido a incongruências inexplicáveis.
É-me díficil compreender-me.

onde foste?

onde foste ó inocência?

Abraça-me
23.01.06

O poder do inconsciente que é o mero consciente.
A acção do presente que cobrimos com a desculpa do inconsciente em acção. Mais uma vez é o poder do momento invocado para discursar o próprio sentimento, que nos diz e demonstra o saber, cheirar, querer e ver. Viver.
Alimento-me de cheiros, de pessoas, de passeios pedestres na 3ª pessoa, de gaivotas que esvoaçam sobre o cais, de tudo em geral, mas principalmente em particular. Ao pormenor, sem ditados, não regrada, o que é, o que seja. Eu estou aqui para o viver, e sabe-me bem. Partilhar os sentimentos, os conhecimentos, o nada, e um pouco do que sei. Aprender e sugar o que me querem e não querem transmitir. O poder da mente, e o poder das palavras. Dar a volta à questão, brincar com a inteligência, testar, ser testado, soltar palavras sem nexo, e colhê-las com um enorme sorriso físico ou psicológico, tendo a certeza que é bom viver. E ansear por mais momentos destes, pois tudo o que vem, é recebido de braços abertos.

essência

25.01.06

Sinto o rasgar agressivo que puxa as minhas costelas como se fossem asas de porcelana.
Expande-se a um conhecimento notório que me obriga a pôr a cabeça para cima e me força a repetir vezes sem conta a mesma frase.

Medusas do lago

O calor de serem apanhadas,
a adrenalina de fugir, quando no último segundo um pé submerso se aproxima.
O poder de emitir carinho, sendo intocáveis, e o gosto que é observar e admirar a perfeita felicidade.
No seu próprio egoísmo, é conservada a energia dos outros, tocando-lhes levemente com a ponta de seus dedos.

Saturday, December 22, 2007

vazia

vazia, vazia, vazia..
nunca te vejo, nunca lá estás, nunca te procuro, nunca te encontro.
mas quando sei que estás longe é quando mais quero que estejas perto.
logo eu, que só te quero longe de mim.
e do meu sono.

Friday, December 07, 2007

assuntos inacabados

*update*
Música: Hawkwind - Seeing It As You Really Are

Wednesday, November 28, 2007

rascunhos




Aquele conforto

Saiu de casa, após horas a fio entre folhas soltas, beatas de cigarros, incensos queimados, música deprimente e um corte de cabelo novo.
A noite já ía longa, e só o vento e barulhos de carros em movimento bem longe da estrada, importunavam a fria, mas bonita noite.
Comprou uma cerveja e sentou-se num banco de jardim a fumar mais um cigarro. Ficou ali longos minutos até se começar a sentir incomodada pelo frio.
Ir para casa não era uma hipótese.
Pegou no telefone e enviou-lhe uma mensagem.
Chegou ao lar de um conhecido estranho onde foi recebida com um olá tímido, um beijo na face, e uma caneca de chá quente.
Sentaram-se no sofá a ouvir uma música calma, completamente nova para ela.
Ele embrulhou-a num cobertor e acariciou-lhe o cabelo até ela adormecer.


Era tudo o que ela queria.







O conforto do não-conhecimento da realidade

Ela adormeceu.
Levantou-se lentamente do sofá, aconchegando-a mais um pouco. Olhou para ela como se fosse um anjo ali perdido.
Suspirou profundamente, e foi para o seu quarto...
...onde ficou horas a fio, entre folhas soltas e beatas de cigarros, incensos queimados, música deprimente, e uma fotografia rasgada.

Sunday, November 18, 2007

odeio-te


Odeio-te.
Odeio o teu cheiro que se entranha nas minhas narinas e não desaparece facilmente, tornando-se incómodo.
Odeio o teu espreguiçar, principalmente quando rasgas um sorriso tímido.
Odeio os teus olhos semi-cerrados em tom de sedutor.
Odeio a maneira como passas a mão pelo teu cabelo.
Odeio a tua voz cheia de ritmo e meio profunda.
Odeio os teus olhos penetrantes e as tuas longas pestanas.
Odeio as curvas do teu dorso.
Odeio como te vestes despreocupadamente, mas mesmo assim estás sempre bem.
Odeio os teus ténis sujos e as tuas calças apertadas.
Odeio as tuas escolhas musicais.
Odeio a maneira como mexes o chá e respiras o ar puro das árvores com ar de satisfação.
Odeio a tua vida boémia, e as danças parvas que fazes.
Odeio ouvir o teu riso lá de longe quando estou a beber café com os meus amigos.
Odeio essa tua cara de menino grande.
Odeio o teu andar acelerado e o teu andar calmo.
Odeio o teu humor sarcástico.
Odeio quando me fazes rir.
Odeio todos os teus pormenores físicos, psicológicos, interiores e exteriores.
Odeio o sabor dos teus beijos longos.
Odeio os teus abraços apertados.
Odeio sentir a tua respiração forte e descontroladamente suave quando te digo que te amo.

Saturday, November 10, 2007

rosa vermelha


Tenho um amigo meu que fuma, que não se preocupa muito com a sua beleza exterior.
Preocupa-se mais com a interior.
E para esta finalidade, a medicação exacta que o mais comum dos mortais lhe daria seriam livros, exposições, documentários, estudos universitários, etc.
Ao invés disso, ele dedica-se a leves viagens interiores. Força-as sem sucesso, e consegue atingi-las sem se aperceber.
Viaja e deduz coisas que só se apercebe quando mexe durante largos segundos o café, enquanto fita a mão lesada da empregada que o serviu.
Este é o meu amigo que fuma, e só ele me tira de casa nestes dias.
E eu nestes dias ainda o acho menos bonito.

Wednesday, November 07, 2007

vejo o mesmo que tu




















até que sou uma miuda simples.
já me custou mais olhar para ti, agora não custa tanto.
agora já me habituei que não és o que quero. o que quero não, o que eu gostava que me passasse a mão pelo cabelo. quem eu gostava de levar a passear de carro a descer uma serra, com o vento a roçar a nossa pele, e a deixar-se envolver pelos nossos risos. quem eu gostava de levar a beber o meu chá preferido. quem eu gostava que visse todos os meus tiques e rituais de ser humano. quem eu queria que experimentasse todas as massas horríveis que cozinho, mas que só eu gosto. quem eu gostava que pudesse apreciar a minha cara de estúpida quando se ouve a Disappointment dos Cranberries sem eu estar à espera.
já passei a mão pelo teu cabelo sem tu sequer reparares que eu o estava a fazer. a tocar em cada fio, e a sentir a sua macieza. porque eu até sou boa miuda, só que não estou muito para mim virada. por isso é que já não me custa olhar para ti.
porque me quero virar para mim. e tu não queres. tu queres virar-te para ti.
já o sabes, mas não o queres saber.
porque também queres aquele conforto do corpo morto ao teu lado, que na realidade não é quem desejas.


e também existes tu. que não te conheço, mas que quero conhecer. porque tu se calhar é que és aquele a quem também passo a mão no cabelo. e passo.
mas trazes-me um olhar que há muito que não via.
és um contador de histórias.
e eu só me deixo envolver nisso porque preciso de imaginar algo naqueles instantes antes de adormecer.


e tu e eu? isso não existe. mas também nunca existirá.
e este que me deram a conhecer? Fritz Perls disse:

Eu faço o que me é próprio, e tu o que te é próprio.
Não estou neste mundo para satisfazer as tuas expectativas,
e tu não estás neste mundo para satisfazer as minhas.
Tu és tu, e eu sou eu.
E, se eventualmente nos encontrarmos, é maravilhoso.
Se não, não tem remédio
.

[a primeira foto foi retirada deste site http://olhares.aeiou.pt/quartadimensao. é uma fotografia de ricardo jorge, embora não conheça, gosto das fotografias. obrigada]


30.01.06



[30.01.06]
Pousado sob uma cor serena,
semeio o teu passo,
com diamantes brutos, irreconhecíveis pelo tempo e falta de espaço.
Regresso a mim e indago a nossa existência.
Cura para um sentimento que são mais sentimentos.
Caligrafo dezenas de palavras em rochas e frutas selvagens, dum ponto ao outro, esmagando-os uns contra os outros na espera de uma sucessão.
Do alcance de um nível... a nível espiritual mas não conjugal.
Alheio-me de tudo e foco as gotas de água que trespassam o meu cabelo, roçando o meu rosto como uma força maligna que ao cair, aterram num espaço limpo e tranquilo.
Adormeço e recupero...
Respira-se um novo ser.

Monday, October 15, 2007

é mudo


procurei-te na multidão
travei-me para não te procurar
mas ergui o meu whisky e fingi divertir-me
porque me achei ridícula na procura do que não quero

se te vir não te digo, se te cheirar não vais saber
se te possuir não vai passar disso
porque não me deixo querer

dancei aqueles instantes que me destruíam
até vestir a melhor máscara que tenho
e esquecer-me da razão da minha vinda

fui-me embora mais animada.
hoje não sei onde pûs a máscara,
mas não há problema, porque estou sozinha

amanhã vou fumar os meus cigarros e mexer o meu café
e não vou partilhar esta dôr
nem dá-la a conhecer

estalo os dedos com uma frieza que me dá a conhecer o que os outros acham que conhecem de mim
não me guardo para ti nem ninguém
só eu sei o amor que sou capaz de transportar
e o tanto que tenho para dar

prefiro sofrer com dôr, do que sofrer por amor
prefiro sofrer por amar, sem ter um amor
que me possa fazer sofrer

Thursday, October 11, 2007

botteled pride


ando a consumir orgulho diariamente e várias vezes ao dia. ando a espiolhar onde não devo. ando-me a magoar porque quero tirar a dôr maior que tenho. não o digo a ninguém, ou sussuro apenas pequenos pedaços dela.
estou com saudades de algo que não conheço, de algo que ando a tentar esquecer o cheiro. de algo que não me sai da cabeça por mais que queira. estou-me a tornar impotente nisso e isso irrita-me severamente. por isso bebo orgulho aos litros!!

Thursday, September 20, 2007

ashes to ashes

hoje ouvi dizer:

deprimir tem um lado bom: ouve-se sempre musica porreira

é um estado de egoísmo
absoluto


é excelente...

Is your skin your skeletons

Splinters my daydreams
Under surface see is it any seed
Shadows fly across the wall I walk outside and try to see you right in front of me
Silhouette of something sweet and so bright
Don't know what to offer you I'm only broke and lonely
And another one goes, and another goes by
Sometimes when I step outside I see you standing right in front of me
And another one goes, and another one goes by
Don't know what to offer you I'm only broke and lonely
And another one goes, and another one goes by
Sometimes when I walk outside I see it right in front of me and so bright
And another one goes
And another one goes
And another one goes by

Another One Goes By - música e letra de Quentin Stoltzfus

Wednesday, September 05, 2007

é tão fácil rir e odiar

entrei numa roda-viva assim de repente, que já nem me lembro por onde queria começar.sei que estava no café e me estavam a agoniar as conversas que eu conhecia falsas, ditas com tanta certeza e verdade mentirosa. começou-me a faltar o ar relembrar tudo o que aprendi.aperceber-me que é tudo uma falsidade. que as pessoas são falsas, mentirosas, hipócritas, egoístas, que não têm amor-próprio nem sabem lidar com isso... todos todos todos todos os humanos são um ser horripilante. passam é metade do tempo cobertos com penas de pavão lindíssimas e ninguém dá por nada. será que somos todos?
levar estaladões quando não se dá por nada, e apercebermo-nos disso para não passarmos pelo mesmo outra vez...? inútil. neste momento há-de haver alguem a enganar-me/te e nem sequer nos apercebermos.
a outra parte és tu. ainda não te disse para saires do meu corpo, mas pelo menos o teu cheiro já faço por não o sentir. enerva-me este sentimento, porque não o quero ter. e se o quisesse ter não o queria. porque o que eu quero é estar comigo..

Saturday, July 21, 2007

it never really began


pûs a parte da minha alma que quis ignorar no elevador e elevei-a.
assim fica a ver-te, enquanto o meu corpo dança..
ou isso ou a ideia brilhante que ando a tentar fomentar à minha sanidade.
a paixão platónica inconcebível.
é das melhores expressões.. a da areia nos olhos.
[mas é tão bom dançar que por momentos tapa isso tudo..]
são grãos de areia enormes que só são mais destapados ainda por hormonas.
vá, desliga lá isto, já chega de brincadeiras quero ir dormir...
acorda-me daqui a uma semana.

Saturday, June 16, 2007

paixão platónica inconcebível

se não fosses tu a ouvir-me já me tinha perdido.
graças a deus que me cantas ao ouvido.
porque é dificil...

Thursday, May 24, 2007

not for you, my love, not tonight


6 dias poderiam fazer um rio, poderia banhar alguém. mas não é qualquer um que iria querer banhar-se aqui.
e quando o rio travava a sua ordem natural para deixar passar alguém, quando não quis ele evoluir, viu-se só.

Thursday, April 19, 2007

miudas suburbanas part I


Dói-me a cabeça, tronco e membros de tanto pensar..
.. e pensar que batalho por algo que não existe.
Ainda não deixei de acreditar que é possível, mas já esteve bem mais longe o dia de acreditar com mais dentes e forças que assim o era.
Já não sei o que digo. Tenho palavra mas não acredito em mim. Já tomo o dito por não dito.
Estou sentada neste banco, num ambiente que normalmente me fascinaria e sinto-me neutra.
Banco de metal, carris envelhecidos, grilos e batida urbana, pernas doridas que percorreram o dia esperando a noite chegar, para matar saudades.
Saudades que não deveriam ser mortas, mas sim deixadas de molho. Pelo menos num universo paralelo. Para que esta pessoa que se deliciaria num dia normal com os tons alaranjados e castiços que a noite fresca de Lisboa lhe proporciona, não pudesse magoar ninguém...
E o dia do julgamento final que nunca mais amanhece e se faz homem...

Tuesday, January 02, 2007

combustão cerebral prestes a explodir

Quase quase e não sei onde pára.
Acho que perdi o raciocínio lógico.
Não faço ideia onde o deixei.
Se calhar foi perto da caixa de comprimidos que o Napoleão me dá a tomar, porque há pouco sabia onde estava.
Sinto bebedeira de conjugações verbais, sentimentos e emoções.
A caligrafia foge da minha mão.
Onde é que foi toda a gente que morava ao pé de mim?
Porque é que o meu corpo não pára de tremer?
Vais jantar? Só pergunto porque não sei se me apetece jantar contigo.
Eu quero estar contigo, mas ao mesmo tempo não quero. Porque sei que quando estiveres por perto eu não vou querer estar. Ou melhor, o meu lado racional não vai querer estar.
E eu que o perdi!!

Tuesday, December 19, 2006

19.12.06 - paixões in//rasputine


Calhou em conversa falar de implantes. Mais concretamente em implantes de coração.
Uma pessoa racional, ou térrea disse-me: "Eu tenho os meus limites". Pois, eu também tenho os meus, mas os meus travões estão avariados. Mas não é por falta de óleo.
Isto tudo se poderá tratar como uma equação matemática, ou questões de lógica.
Ora se o batimento cardíaco está ligado ao cérebro, ou vice-versa, então os sentimentos estarão portanto ligados ao cérebro também. O coração sente. Mas o coração sente porque o cérebro assimila esse sentimento. E quem se debruça demais sobre esse pensamento, mais sente ainda sobre o mesmo.
Tremer de paixão por toda a gente.
Tudo o que se manifesta agradável, tudo o que se manifesta de paixão, tudo o que é perfeito aos olhos mais sensíveis ou sensíveis. Sensibilidade ou sensivilidade. Que merda que se torna isto tudo.
Frágil foi o que me chamaram indirectamente uns quantos dias antes.
Ritmos mensais que atenuam o estado de espírito sentimental não racional racional!!!
Díficil expressão é o que se torna.
Dar voltas na mesma questão e mesmo assim deixar-se ir pelo que se sente.
"Eu já pedi o meu implante faz mais de 5 minutos, este sítio é uma espelunca!"
Há um ser que se quer conhecer, por isso se isola e limita o seu espaço ao conhecimento próprio, para se apaixonar pelo mesmo. Para então poder abrir as portas e se inaugurar (dentro do que já era, mas mais absorvido na sua consciência) a outras pessoas com quem deseja partilhar esse seu salão, esse seu mundo. Essa sua pessoa. Esse seu ser que não o vai abandonar por mais que fuja da sua própria sombra.
Uma pessoa que é viciada em sombras mas não consegue fugir da sua, embebeda-se em sentimentos que não quer ter, mas não foge deles porque a sua sombra os puxa para os mesmos. É correr no mesmo sítio! Como ir a um ginásio para fazer exercício porque tem hora marcada e dinheiro a cair todos os meses. Ou não, porque é uma obrigação. Então porque se torna a nossa consciência de certo modo numa obrigação? Obrigação de fazer o que sente. E se se sente muita coisa ao mesmo tempo? E se a paixão se dilui ao ponto de se confundir com diversos sentimentos? E o amor que não é próprio?
Vai para casa e escrever, escrever faz bem. Isso para mim é claro como água. Tu estás é carente.
Carente? Mas que são carências, pergunto eu, quando a única pessoa que quero amar está dentro de mim?
Estará errado obrigar-me a amar-me? Será dificil?
Houve uma senhora que perguntou ao médico onde se injectava o colagénio para o vazio existencial, eu cá corrobo a questão e pergunto também se estas fases se curam com shampoos para a caspa e medicamentos para emagrecer. Caspa não, caspa é físico. Emagrecer e depressões, que vem cá de dentro.
Terapia musical e ainda se riem de mim. Não faz efeito num mês. O comprimido bem que pode ser de açúcar.
E ainda me perguntam porque me injecto tanto com o que me faz mal. Pergunta-lhe a filha porque se mata aos poucos. Mas que gozo isso me dá.
Que gozo me dá aquele ardor, que gozo me dá a visão turva, que gozo me dá a dôr. Que gozo me dá saber que estou viva, que gozo me dá a disfunção da realidade por certos instantes.
E que gozo me dá quando penso sobre isso ao ouvir o que penso de quem vem de longe. De quem não me conhece e se exprime por mim.
Que gozo me dá essa ilusão. Dizerem-me que estamos sozinhos no mundo e afinal ser mentira.
Não sei se gosto de paixões ou não. E falo de paixões.
Uma paixão que não tem o significado que tem para ti. O mesmo significado que tem para ti, não tem para mim.
A minha absorção de paixão. O poder de me apaixonar por uma pessoa que não conheço.
Pode só esboçar-me um sorriso. E até agora ainda não bati na cabeça.

Sunday, December 17, 2006

"my brain is a mess"

Mostrou-me o interior dela.
Mostrou-me como sangrava, mostrou-me a roupa no meio do chão, mostrou-me a cinza do cigarro descuidado, mostrou-me o que estava caído que não devia.
Mostrou-me isso, eu virei a cara e fingi que não era comigo.
Ela disse-me que erámos iguais.

Saturday, December 09, 2006

saíu-lhe assim



ele disse: "a minha alma gémea está doente."
e ela disse: "o amor é horrível."

pára de respirar em cima de mim

As caras desfiguram-se ao longo dos dias.
Contam-me histórias nos sonhos, e acordam-me quando não estou a sonhar.
Desfiguram-se em dentes caninos e aumentam a minha circulação sanguínea.
Mas amanhã já não se desfiguram...
Só que nunca mais é amanhã...

Thursday, November 30, 2006

estudos segundos//royale devaneium


Tenho neste preciso momento a oportunidade de fazer um casulo em volta da minha pessoa. Queixava-me da falta de um lápis e um pequeno pedaço de papel, ao qual a minha intuição contribuíu, enviando sinais óbvios a quem não me conhece disponibilizando-me assim o que desejava.
Rodeada de pequenos prazeres..
Um local com luzes de noite, vozes humanas apenas como efeito sonoro, sem que as consiga perceber como as baleias. Música desconhecida que não me faça trauteá-la por a conhecer. Uma vela que não se apaga, um chá bem quente prendendo-me à mesa, e cigarros. O dia chuvoso torna-se assim mais belo.
Um cigarro após outro, uma nota após outra, assistindo ao esfriar do chá através do seu fumo, encontro o momento só, não estando só.
Pois quando estamos sós, somente nós numa divisão fechada sem sentirmos cheiro a carne humana, mesmo que seja por meio visual ou sonoro, muitas vezes não conseguimos encontrar a profundeza da solidão que procuramos.
As questões diárias que colocamos sem nunca as achar.
Nunca questionas o amor? É demasiado? É um assunto extenso, mas não será banal
questioná-lo.
Se vês paixões em todo o lado, se te apetece sorrir às pessoas na rua e quando dás por ti e não sabes se o queres ter..
Quando queres dá-lo a toda a gente, mas não o fazes porque a sociedade injecta malícia na testa das pessoas e tu acabas por não o dar.
Porque às vezes dizer que adoramos os nossos amigos, e nos dirigirmos a uma pessoa que mal conhecemos e dizer-lhe que é pura porque lhe sentimos o cheiro a milhas e ela sorri e pensa que és louco.
"Vou-me sentar naquele sofá porque é mais confortável. Mas assim fico sem contacto visual com a pessoa que está à minha frente... Que se lixe, vou para o sofá. É mais confortável."
As pessoas gostam de mijar nas pernas umas das outras para marcarem território.
Mas não querem ver as suas mijadas.

Wednesday, November 29, 2006

estudos urbanos


as pessoas gostam de mijar nas pernas umas das outras para marcar território.
mas não gostam de ver as suas mijadas.

Sunday, November 12, 2006

nesta latrina a que é que cheira..?


Os meus cigarros crescem sem controle reflexivo, devido a um esquecimento membral
ligado ao cérebro. Ao cérebro estatelado pelo coração e pela alma.
A dôr encoberta é destapada a metade pelos dias consumidos por um lobo com fome.
Vorazmente, com mais necessidade que apetite.
A incapacidade de expressão oral, força a incapacidade literária. Os dedos calam-se
uns aos outros. e não me deixam expandir.
A respiração faz-me vibrar e chega a ser assustadora de modo a que fique acordada
para saber que ainda o estou.Inutilidade, fraqueza, tristeza. Eza Eza Eza Eza. Falta a beleza. É difícil encontrá-la. O mal. O terrível mal. O homem da capa preta que desfigura os belos só porque o são.
Não sei. Já nem isso sei. Já nem o meu corpo sabe não responder à minha mente. O meu corpo egoísta faz com que a minha alma seja egoísta. E a minha alma egoísta torna o
meu pensamento racional egoísta.
Quando tudo o que quero é paz. Só paz. Só.

Monday, October 16, 2006

love will tear us apart




















"ela quer-me, mas não me quer. mas quer-me. "

Thursday, September 14, 2006

só lê nas entrelinhas quem sabe, e quem me sabe sou eu

Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
And as I climb into an empty bed
Oh well. Enough said.
I know it's over - still I cling
I don't know where else I can go
Oh ...
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
See, the sea wants to take me
The knife wants to slit me
Do you think you can help me ?
Sad veiled bride, please be happy
Handsome groom, give her room
Loud, loutish lover, treat her kindly
(Though she needs you
More than she loves you)
And I know it's over - still I cling
I don't know where else I can go
Over and over and over and over
Over and over, la ...
I know it's over
And it never really began
But in my heart it was so real
And you even spoke to me, and said :
"If you're so funny
Then why are you on your own tonight ?
And if you're so clever
Then why are you on your own tonight ?
If you're so very entertaining
Then why are you on your own tonight ?
If you're so very good-looking
Why do you sleep alone tonight ?
I know ...
'Cause tonight is just like any other night
That's why you're on your own tonight
With your triumphs and your charms
While they're in each other's arms..."
It's so easy to laugh
It's so easy to hate
It takes strength to be gentle and kind
Over, over, over, over
It's so easy to laugh
It's so easy to hate
It takes guts to be gentle and kind
Over, over
Love is Natural and Real
But not for you, my love
Not tonight, my love
Love is Natural and Real
But not for such as you and I, my love
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my ...
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can even feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my ...

I know it's over - The Smiths

Friday, August 25, 2006

por su calor, por su aliento

É útil ao ser humano construir a sua própria cama de pregos.
Pois após se deitar nela, saberá dar o respectivo valor à sua cama de penas.
Sofrer é crescer.

café com cianeto

- Como está?
- Já tive dias melhores..

Começo-me a questionar sobre a crueldade. Cru-eldade, que poderia vir de cru, como irmandade vem de irmão(s). Crueldade ou ruindade.
Sugiro crueldade, porque à primeira vista o que vejo é cru. Porque as pessoas no seu fundo têm consciência do que são ou do que mostram ser.
Teremos no nosso esoterismo contas a pagar? Mudam as nossas auras de côr dia a dia? Ou será que o corpo é que paga e a terra se move por arrasto?

Friday, July 21, 2006

bacia dormente


Estou tão cansada.. Dói-me tudo. Tenho a mente perturbada. Mas o sorriso não se desfaz. Pego no telefone mas não sei a quem ligar. Só quero que me dêem uma resposta pois estou muito confusa. Invento algo de novo todos os dias. Mas com os meus playmóbis não sei eu brincar.
Mas será assim tão díficil? Sinto-me como uma pessoa fora de mim a tentar-me compreender. Agora sim, entendo, quando as pessoas me dizem que não são capazes de me compreender. A quem é que eu ligo? Que faço? Vou chorar ao mar? Enrolo-me na areia e abro a porta para o destino ao acaso?
Se faz favor, é uma marcação para um hotel onde se possa dormir um mês de seguida sem estupefacientes que molestem o meu corpo.
Quero também consultar o catálogo dos duendes por encomenda. Para as lides.
Só vejo cicatrizes exteriores, por isso não há saliva que cure as interiores. Se há, onde se vende? Onde estão os ditos frascos? Porque páram de jorrar as lágrimas que molham o leito em que nos deitamos? Porquê tantas perguntas? Será que vou recuar no tempo e voltar à facilidade das dores de crescimento?

Saturday, July 01, 2006

o que transcende o pós-evidenciamento

Dissertar asneiras e maus-cumprimentos.
Viajar no alucínio da música que nos transmite sem sabermos, exactamente aquilo que queremos.
Chegar a casa, olhar para um monitor que escreve o que comandamos e ouvirmos a certa batida que nos permite viajar.
Roça o desagradável, mas se é disso que o nosso cérebro necessita porquê o evitar?
Bater com panelas no quarto do vizinho do lado enquanto este descansa só porque precisamos da atenção nem que seja do seu cão a lamber-nos os pés, será então ainda mais desagradável com esta batida maravilhosa.
E?
E o quê?

Ter a certeza que somos loucos para não nos debatermos se o somos ou não. Mas ao mesmo tempo ter a possibilidade de nos debatermos com isso porque nos elucida sermos loucos.
Desdobrar um guardanapo no café central entre amigos de cafés e copos, escrevendo coisas disparatadas como o ciclo da nossa lucidez, de modo a ver os seus intestinos despojados entre batatas fritas e beatas mal apagadas.
O que eu gostava é que alguém me explicasse porque é que as estaladas no meu rosto fazem eco. Será que é por consigar dá-las? E não dar a quem mais merece? Somos auto-críticos no seu próprio exagero de auto-criticismo. Dá-me náuseas mas ao mesmo tempo não me dá, porque isso, acaba por ser como um wonderbra. Não no modo como suporta ou evidencia os seios. Mas sim, do modo, como a pessoa que o usa, deseja evidenciar algo que chame a atenção para si de outros seres.

É TUDO! UMA! ILUSÃO!
Torna-se evidente que não me apetece desenvolver mais o assunto. Ficará então para outro dia.

Thursday, June 01, 2006

bolero sonambulo


estou fodida.bate pior hoje que ontem.o coração é o único órgão que nos mantem vivo. se ele não bombear sangue para o resto do corpo, deixamos simplesmente de viver. e se o meu pára agora? não quero.. mas não o posso combater.sonhar de intermédio, é sonhar antes de se começar a adormecer e realmente se começar a sonhar. ontem nesse sonho de intermédio vi-me por debaixo de uma máquina que estava bastante perto do chão. e fiquei lá fechada. foi claustrofóbico. anteontem, imaginei-me sem poder nas pernas. foi aterrador. estou a pensar escrever uma carta ao presidente da república para a enviar a alguém para nos aumentar os dias. 24 horas não chegam. é muito pouco.
e este texto também não chega!!!!estas parvoíces para aqui ditadas também não chegam!!! quero ser um cliente mal-disposto com a vida só porque a noite de ontem não lhe correu bem e indispostar os vendedores que estão ali para me agradar...
a taquicardia sente-se no teclado. e tu sentes-me o cheiro ao longe. nem sequer estou em período fértil, ou talvez esteja, devido ao teu faro. se calhar és mais que um cão farejador. um daqueles cães a que faço festas esquecendo-me que tenho que apanhar o transporte público para ir servir o "consumismo".
forçar o choro, será saudável? expulsar a dôr em imagens tontas e palavras sem sentido. chocar pessoas que não se conhece bem e expôr os nossos intestinos em cima da mesa para que lhes possam tocar.
 
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