Thursday, April 21, 2011

trilhos

"It was one of those days when it's a minute away from snowing and there's this electricity in the air, you can almost hear it. And this bag was, like, dancing with me. Like a little kid begging me to play with it. For fifteen minutes. And that's the day I knew there was this entire life behind things, and... this incredibly benevolent force, that wanted me to know there was no reason to be afraid, ever. Video's a poor excuse, I know. But it helps me remember... and I need to remember... Sometimes there's so much beauty in the world I feel like I can't take it, like my heart's going to cave in."
in American Beauty

Wednesday, April 13, 2011

Wednesday, March 23, 2011

passos largos e descompensados

Os blocos cimentados com suor, fazem agora suar quem ama.
As estradas calcetadas à torreira do sol, abrem espaço para o sol aquecer os apaixonados.
Salas construídas por solitários, guardam momentos do passado dos presentes, para sempre recordarem.
Cimentam-se pessoas do passado, para um futuro risonho, mas em que o passado teimar em rasgar sorrisos tortos.
Uma data de coisas fantásticas, e incongruências esquisitas.
É o que se vê simplesmente na rua, de um trajecto do trabalho para casa.
É no que se pensa quando se faz tempo para se começar a fazer qualquer coisa.

A prodigiosa jogadora de futebol


- Dizes que não tenho pés de gato para escalar esta montanha.
Mas eu nem sequer sei se a vou subir. Eu só estava a ver.
Dizes que como sempre as mesmas palavras, mas são as únicas que sei cantar, assim como tu, que pintas a tua dôr, sempre do mesmo tom.
Dizes que estou contente com algo que não tenho, mas para mim já ter esse sonho, é meio pedaço trincado.
Dizes que sou desarrumada, que deixo tudo espalhado, mas tu és igual.
Só que tu não deixas que ninguém o veja.
Dizes que ganhei esse vício horroroso de cuspir na água, mas tu só não cospes porque nunca abres a boca.
Eu digo-te: só gostava que deixasses de me acordar às três da manhã para me apontar um dedo que nem sequer é palpável.

És tão parecida com a minha mãe.

- Ai! Dôr de cabeça? Jogo sujo..

Friday, March 11, 2011

frases desfeitas

Palavras leva-as o vento, e guarda-as a memória numa caixa de sapatos.

pontos bufos

Tu não és mau actor, o teu ponto é que fala demasiado alto.

Wednesday, March 09, 2011

não me deixes, nunca

Adoro ver-te correr.
A forma como deslizas neste chão branco, fugindo e atropelando as sombras com as tuas pequenas, rápidas, mas concentradas passadas de côr negra, é fascinante.
Todos os dias me contas uma história nova.
Todos os dias me deixas seguir-te.
Por bons e maus caminhos, mas nunca te esqueces de mim.
Viras a página, mas levas-me contigo.
Corre, corre, corre. Viaja!
Pousas delicadamente nesse chão: branco; sempre limpo; novinho; a estrear; só para ti.
Fazes dele o que queres. Eu em ti não mando nada.
És a única que comanda os meus pensamentos, o que realmente quero dizer.
Ser-te-ei fiel, enquanto a lucidez me permitir.

Sunday, February 27, 2011

O Fogo acabou

"O Fogo acabou."
Por favor, não me digas isso.
"O Fogo a-ca-bou."
Porquê, mas porquê?
Porquê agora? Sem aviso..
Logo agora que eu mais precisava de ti.
Sem ti, não sei mais escrever.
Sem ti, este mar e vento frio perdem todo o encanto.
Sem ti, este mar e vento frio passam de reconfortantes, a demónios que lançam os seus braços e agarram a minha solidão.
Não vim para aqui para estar só.
Não me digas que o fogo acabou.
Nem às pedras da calçada me posso chorar, pois elas riem-se de mim, imóveis, irónicas, como só elas o sabem ser.
Não me digas isso, por favor.
És só tu a minha companhia.
O meu único vício, a minha única droga, não preciso de mais nada.
Não me deixes aqui, preso, agarrado aos meus pensamentos incontroláveis, que só tu sabes amenizar.
Sem ti, este quadro deixa de fazer sentido, perde a beleza.
Sem ti, perco-me nesta areia.
Sem ti, a minha vida pinta-se em tons cinzentos, de cimento.
Não quero voltar, quero ficar aqui.
Estou tão bem aqui.
Não me digas que o fogo acabou.

Mundo cruel. Sentindo-se castigado, volveu à cidade, e enterrou o momento partido, num cinzeiro cheio de beatas.

Wednesday, February 02, 2011

passado e presente

Friday, December 17, 2010

A borracha que apagou, as memórias do meu avô.

Depois de ver seus pais, quem amou demais, e as saudades imortais, à sua espera ali tão perto.
Depois de ver Maria, que jazia, naquele dia, no sofá de sua casa.
Depois de ver Luís, seu petiz, que outrora fora feliz, a lhe ser tirado.
Depois de receber a sua neta, uma míuda um pouco esperta, com uma vida tão incerta, a trazer-lhe rebuçados.
Depois de receber carinhos e postais de natal, brincar não lhe fez mal, a viver na sua terra natal, terra que o viu crescer.
(Da herança, tive esperança, de ficar com a lembrança, do que é ser criança.)

Paz à sua alma, na sua campa não murcharão, as flores da saudade.
Serafim Luís dos Santos
03.02.1910 - 17.12.2005

Wednesday, December 08, 2010

há 9 anos era assim

Sobre um abalo de emoções,
rabisco umas quantas palavras.
Palavras estas, que mais tarde recordarei
e que talvez sinta saudades de..!
Abrir a janela.. receber um abraço..
APAGAR esses gritos que me atormentam de certa forma, e mais tarde me voltam a atormentar...
Queixar-me... e retraír-me.
Afogar-me, sufocar-me, engasgar-me... com as minhas próprias palavras... os meus próprios sentimentos...
As palavras do coração.. coração que sofre porque ama.. odeia porque ama... critica porque ama; não saem, sobre um comando consciente que incorpora a capa da vergonha e falta de coragem...

AI, A DÔR! que devíamos sentir pelos outros que definham e se encontram abraçados pela morte, tão pouco depois de terem sido entregues à vida... e para sempre abraçados...


10.07.01, algures perto da praia de Algés, a observar gaivotas e pescadores.
p.s.: ainda não sinto saudades de..!

Tuesday, December 07, 2010

provérbios figurados

Meti os dedos à boca,
mas nem às pedras da calçada consegui chorar.

Meti os dedos à boca,
mas nem a água bateu, nem a pedra moeu.

Meti os dedos à boca,
mas nem caíu o Carmo, nem a Trindade.

Meti os dedos à boca,
mas nem presunção, nem água benta.

Meti os dedos à boca,
mas nem às paredes confessei.

Meti os dedos à boca,
mas afinal a encomenda era igual ao cabaz.

Meti os dedos à boca,
mas nem a bolsa ficou leve, nem o coração menos pesado.

Meti os dedos à boca,
mas nem pão nem queijo.

Meti os dedos à boca,
mas nem leste escuro, nem sol seguro.

Meti os dedos à boca,
mas nem tudo o que abanou, caíu.

Meti os dedos à boca,
mas nem sequer a voz me doeu.

Meti os dedos à boca,
mas não passei da cepa torta.

Monday, November 15, 2010

esforcemo-nos

"Se não se puder destacar pelo talento, vença pelo esforço."
Dave Weinbaum

Tuesday, November 09, 2010

isto foi assim

foi assim, num ataque de ansiedade, lá p'rós lados de Março, num bar dançante pelas ruas de Lisboa.

a vida boémia tortura-me.
e eu já há algum tempo que a larguei.
mas ela sussurra e ri-se no escuro, pega-me no braço e arrasta-me no meio das multidões, com os seus olhos negros e brincalhões.
geme por mim, tenta-me seduzir.

faz-me lembrar uma mulher morena, de cabelos negros, e olhos castanhos, dóceis, mas sedutores.
curvílinea, que dança com movimentos largos, espaçados, e esbeltos.

como tudo, nunca acabei (o texto).

contextualizações e cenas

contextualizações no blog do ElMau, para fotografias de Henri Cartier Bresson.
uma e outra.
as outras já haviam sido publicadas..

Thursday, November 04, 2010

o melhor amigo do homem

quem é amigo, quem é??
é o ombro...

Wednesday, November 03, 2010

parabéns

parabéns a mim, por mais um ano de vida.

Thursday, October 21, 2010

ouvi dizer

"É melhor escrevermos para nós próprios e não termos público, do que escrever para o público e não nos termos a nós."
Cyril Connolly

Saturday, October 16, 2010

Estado sólido/Eu Lúcida (um acrescento)

"Somos feitos da matéria dos sonhos, nossa vida pequenina é cercada pelo sono."
William Shakespeare

hmmm.. será?
 
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