Sunday, March 16, 2008
miudas suburbanas part II
o sol que se pôs de manhã, já se foi embora, mas mesmo assim, o céu padece sereno, nada como eu desejava. queria que chovesse, que estivesse um tempo frio, aqueles que não gosto, para me aconchegar no meu desconforto.
a rua continua sempre vazia, e o dia ainda agora começou.
o meu nem sequer terminou. os olhos que se queriam fechar, agora teimam em manter-se abertos, em focar-se em nada. trinta e duas horas e meia a dormir acordada e os pés inchados.
ouço a única música que vai confortar a perca desta sanidade.
estou calma, o que estranho, já me doeu o coração, ainda há pouco, as batidas do mesmo faziam lembrar carpas a tentar escapar duma rede de pesca. com força, força, força! mas sufocadas!
não me consegui libertar disso porque estou calma...
ainda estranho..
às vezes preferia ter uma visão futura sobre as escolhas a tomar em certos momentos que nos parecem insignificantes. gostava que fossem apresentados os prós e contras de uma escolha e da outra.
embora pensando racionalmente de uma forma meio egoísta em relação a mim própria gostasse de ter escolhido outra saída, se não tivesse escolhido esta, mataria o momento.
e o português abriga-se na palavra saudade e esquece os momentos.
porque o momento passa e a saudade fica.
o momento passa e a saudade volta.
e lá se foi o momento.
mas foi.
Wednesday, March 12, 2008
para quem os sinos tocam
Plantei-a num terreno fértil, diferente de todos os outros em que já havia plantado.
Não sei se foi da plantação, que não me cheirava nem sabia às que já tinha conhecido e gostava, ou se era do terreno. Mas plantei.
Durante meses a fio, não a reguei nem tratei.
Deixei que a natureza a criasse e fizesse crescer.
Até que num dia sem destino, nasceram delas as mais belas rosas vermelhas, lisas, aveludadas, quase da côr do sangue.
Do meu sangue!
Belas, compridas, carnudas, gordas, pétalas, muitas, milhares delas!.. a encher aquele terreno cada vez mais bonito, apetecível e envolvente!
Quando me apareceu uma visita inesperada em minha casa, deliciou-se a vê-las e disse:
"Oh! Nasceu aqui uma bela amizade!"
Quis despertar...
p.s.: sei de cultura popular que as rosas vermelhas costumam ser de paixão, amor, e as amarelas, de amizade, etc. mas também já li num livro sábio que é exactamente o contrário. só não consegui encontrar um documento na internet que o provasse.
Wednesday, March 05, 2008
só, acto II
abrev.,
somente;
adj.,
apenas;
unicamente;
exclusivamente.
Encosta o teu peito contra o meu.
Deixa-me pousar o meu olhar pesado no teu ombro, e banha-me com as cordas da guitarra.
Quero-te abraçar, quero que me acolhas.
Como uma mãe aninha o seu filho quando está febril.
Na música do amor, só quero o conforto, mesmo que não percebas porquê.
Porque é assim que te quero. Sombra que não percebes. Que me deixes só no meu sofrimento martirizante.
Embala-me, só.
só, acto I
do Lat. solu
adj.,
solitário;
que está sem companhia;
ermo;
único;
isolado;
afastado da convivência social;
s. m.,
aquele que vive só.
Encosta o teu peito contra o meu.
Deixa-me pousar o meu olhar pesado no teu ombro, e banha-me com as cordas da guitarra.
Quero-te abraçar, quero que me acolhas.
Como uma mãe aninha o seu filho quando está febril.
Na música do amor, só quero o conforto, mesmo que não percebas porquê.
Porque é assim que te quero. Sombra que não percebes. Que me deixes só no meu sofrimento martirizante.
Embala-me, só.
Wednesday, February 27, 2008
poema
Isto é um poema que foi escrito por uma miuda, doente terminal de cancro, num hospital em Nova Iorque. Leiam, é belíssimo, e trasmite uma mensagem fundamental.
SLOW DANCE
Have you ever watched kids
On a merry-go-round?
Or listened to the rain
Slapping on the ground?
Ever followed a butterfly's erratic flight?
Or gazed at the sun into the fading night?
You better slow down.
Don't dance so fast.
Time is short.
The music won't last.
Do you run through each day
On the fly?
When you ask
How are you?
Do you hear the reply?
When the day is done
Do you lie in your bed
With the next hundred chores
Running through your head?
You'd better slow down
Don't dance so fast.
Time is short.
The music won't last.
Ever told your child,
We'll do it tomorrow?
And in your haste,
Not see his sorrow?
Ever lost touch,
Let a good friendship die
Cause you never had time
To call and say,'Hi'
You'd better slow down.
Don't dance so fast.
Time is short.
The music won't last.
When you run so fast to get somewhere
You miss half the fun of getting there.
When you worry and hurry through your day,
It is like an unopened gift....
Thrown away.
Life is not a race.
Do take it slower
Hear the music
Before the song is over.
Saturday, February 23, 2008
descoberta
descobri a minha alma gémea. mas não a conheci. daí a frustração e ainda não saber como me hei de sentir, ou como o descrever. fiquei bastante feliz na altura, completamente pasmada, boquiaberta, etc etc.. até descobrir que já tinha falecido.
aí só se apoderou de mim a saudade, mágoa, e dúvidas.
pequena biografia de Hubert Selby, Jr.
página oficial
Wednesday, February 20, 2008
Sunday, February 17, 2008
para fernando
ainda bem que a vida nos cruzouClaro que te amo.
Mas Passo bem sem ti
.
Sem tabaco e' que
não.*
*por ele
Friday, February 08, 2008
a nós
digam-me, preciso de saber. também eu sou voyeur.
votem aqui ao lado. s.f.f....
urgente: lobotomia
Tuesday, February 05, 2008
update a "odeio-te"
Friday, February 01, 2008
segunda carta
Desta vez escrevo-te porque não sei desenhar.
E só me vem uma imagem à cabeça.
A do meu sonho.
A do meu acordar.
Brincávamos que nem adolescentes depois de mais uma noite de "paixão" juntos.
Eu fingia que tinha cócegas, só para me agarrares mais e mais.
Só te queria ali, por mais um minuto. Para não te dizer nada, e quando partisses, descansar na minha dor.
Esta foi a segunda carta que te escrevi, e rasguei.
Palavras para uma imagem.
Tuesday, January 15, 2008
miuda, não te consigo apaziguar a alma
- quando deixamos de acreditar nas pessoas, o que nos resta é acreditar.
AMAR DÓI TANTO! adoro quando me dizem o contrário. e eu é que sou a problemática. a que não vê as coisas simples, a que complica.
é simples: é bonito, é bom, é viver, é partilha, é conhecimento, é felicidade, é saudade, é tudo. e quando não há? quando morre? quando parte? é dôr.
para me explicarem como se mexem uns ovos, ninguém me fala nos movimentos pendulares nem rotativos com que se deve manusear a mão. dizem-me "bates com o garfo, mexes com ele, só".
simples.
ai mas o amor é tão bonito.
adoraria chacinar quem inventou a palavra "contradição".
e "mar de rosas".
mas porque é que ninguém me deixa dormir nesta casa??
Wednesday, January 09, 2008
TANTA COISA MEU DEUS

Jogo com o pensamento.
Tremo e sorrio, indago e suspiro, páro e recomeço, recordo e permaneço.
A alma e o pensamento cruzam-se e unem-se, quebrando então numa louca parafernália de questões que os coloca em posições opostas, numa roda viva que torna a nossa mente louca também.
onde foste?
Abraça-me
23.01.06
O poder do inconsciente que é o mero consciente.
A acção do presente que cobrimos com a desculpa do inconsciente em acção. Mais uma vez é o poder do momento invocado para discursar o próprio sentimento, que nos diz e demonstra o saber, cheirar, querer e ver. Viver.
Alimento-me de cheiros, de pessoas, de passeios pedestres na 3ª pessoa, de gaivotas que esvoaçam sobre o cais, de tudo em geral, mas principalmente em particular. Ao pormenor, sem ditados, não regrada, o que é, o que seja. Eu estou aqui para o viver, e sabe-me bem. Partilhar os sentimentos, os conhecimentos, o nada, e um pouco do que sei. Aprender e sugar o que me querem e não querem transmitir. O poder da mente, e o poder das palavras. Dar a volta à questão, brincar com a inteligência, testar, ser testado, soltar palavras sem nexo, e colhê-las com um enorme sorriso físico ou psicológico, tendo a certeza que é bom viver. E ansear por mais momentos destes, pois tudo o que vem, é recebido de braços abertos.
essência
Sinto o rasgar agressivo que puxa as minhas costelas como se fossem asas de porcelana.
Expande-se a um conhecimento notório que me obriga a pôr a cabeça para cima e me força a repetir vezes sem conta a mesma frase.
Medusas do lago
a adrenalina de fugir, quando no último segundo um pé submerso se aproxima.
O poder de emitir carinho, sendo intocáveis, e o gosto que é observar e admirar a perfeita felicidade.
No seu próprio egoísmo, é conservada a energia dos outros, tocando-lhes levemente com a ponta de seus dedos.
Saturday, December 22, 2007
vazia
Friday, December 07, 2007
Wednesday, November 28, 2007
rascunhos
Aquele conforto
Saiu de casa, após horas a fio entre folhas soltas, beatas de cigarros, incensos queimados, música deprimente e um corte de cabelo novo.
A noite já ía longa, e só o vento e barulhos de carros em movimento bem longe da estrada, importunavam a fria, mas bonita noite.
Comprou uma cerveja e sentou-se num banco de jardim a fumar mais um cigarro. Ficou ali longos minutos até se começar a sentir incomodada pelo frio.
Ir para casa não era uma hipótese.
Pegou no telefone e enviou-lhe uma mensagem.
Chegou ao lar de um conhecido estranho onde foi recebida com um olá tímido, um beijo na face, e uma caneca de chá quente.
Sentaram-se no sofá a ouvir uma música calma, completamente nova para ela.
Ele embrulhou-a num cobertor e acariciou-lhe o cabelo até ela adormecer.
Era tudo o que ela queria.

O conforto do não-conhecimento da realidade
Ela adormeceu.
Levantou-se lentamente do sofá, aconchegando-a mais um pouco. Olhou para ela como se fosse um anjo ali perdido.
Suspirou profundamente, e foi para o seu quarto...
...onde ficou horas a fio, entre folhas soltas e beatas de cigarros, incensos queimados, música deprimente, e uma fotografia rasgada.


