Thursday, October 21, 2010

ouvi dizer

"É melhor escrevermos para nós próprios e não termos público, do que escrever para o público e não nos termos a nós."
Cyril Connolly

Saturday, October 16, 2010

Estado sólido/Eu Lúcida (um acrescento)

"Somos feitos da matéria dos sonhos, nossa vida pequenina é cercada pelo sono."
William Shakespeare

hmmm.. será?

Tuesday, October 12, 2010

Estado sólido/Eu Lúcida


Toco na tua pele, e os meus dedos colam-se aos teus.
Questiono este fenómeno, e tu respondes que é gasoso, como os sonhos.
Feitos de algo que se dissolve, que não é palpável, algo criado pelo inconsciente, que na realidade, não é sólido, nem líquido, mas sim gasoso, como os sonhos.
E eu, lúcida das minhas ideias, nego.
E renego.
E tu questionas o meu estado apreensivo.
Não líquido, mas sólido.
E eu respondo: "Quem me dera voltar aos dias em que se trocavam batatas por couves, e a existência humana era pouco questionada entre os comerciantes e estabelecidos".

Monday, October 11, 2010

O limbo do sentimento ou o melhor e o pior de um mundo.


Às vezes penso, o quão engraçado será trabalhar num aeroporto.
Caras novas todos os dias, novos conhecimentos, que vão e vêm tão rapidamente que mal dá tempo para sequer tecer uma ferida, ou criar uma erupção cutânea.
Poder passar os dias a fantasiar sobre vidas alheias, tentar adivinhar o que fazem, os seus interesses, os pequenos pormenores que os deixam felizes ou que os aborrecem, as suas amarguras, as suas tristezas, o seu propósito de vida, o berço em que foram criados...
Enfim... colorir as sombras (que por mim eventualmente passariam, se ali trabalhasse), com as cores que eu as pinto.
Depois penso, na quantidade de energias e sentimentos que circulam naquele espaço.
As chegadas. A ansiedade, a saudade, a alegria, o amor, o desejo, a paixão, os sorrisos, os choros de felicidade, os abraços, os beijos, os apertos de mão..
As partidas. A ansiedade, a saudade, a alegria, a tristeza, a saudade, os sorrisos nervosos, os choros, os abraços, os beijos, os apertos de mão, os choros, as saudades, o medo.
De um modo global, focar o olhar de "explorador de vidas", apenas em partidas e chegadas mais intensas.
Viver ali a minha telenovela. Assumir as vidas como minhas, as emoções como minhas.
Assumi-las, chorá-las, quer de tristeza, quer de alegria.
Encher-me com isso, como se de um largo copo de café bem quente se tratasse.
Uma emoção reconfortante.
Não há cá espaço para um sentimento de médio valor no meio destas pessoas.
Não há insensibilidades, não há friezas. Nem nos cafés há gelo.
Os olhos são o espelho da alma, não é o que dizem?
Ler tudo isso, e sentir o pior e o melhor.
Não há limbo. Não há limbo no aeroporto. Não há meios termos. E é horrível.
Não gostaria de as ver todos os dias.
Não gostaria de viver nestes dois mundos todos os dias, e sentir que não há um piso mais estável, em que a ignorância, e o só estar, existe.

Fosse eu poeta, fosse eu pintor, fosse eu músico, fosse eu artista.. se calhar tinha ali matéria-prima. Mas não.

Wednesday, October 06, 2010

não x 4 dá sim x 2

não estou bem onde não estou, mas estaria melhor se não estivesse aqui.

Humor cão, Amor cão, O murcão.

Nos dias que correm, conclui-se..

Que o sangue que me sai mensalmente do corpo, me faz questionar mais sobre mim e sobre o que me rodeia, do que o que me corre todos os dias nas veias.

Que as pessoas gostam mais de mim ou me atribuem mais valor quando sou intocável, ou estou menos presente. (O feitiço das medusas vira-se contra o feiticeiro).


E aqui jaz mais uma página do tempo inacabada.

Tuesday, September 14, 2010

o meu sistema nervoso

Sou portadora de um intestino turbulento quando os meus olhos não suam.
As palavras que ecoam no meu pequeno corpo, são interpeladas por vómitos e má disposição.
Saem gritos grotescos em forma de eructações, protestando contra a barreira invisível, que priva as palavras de saírem.
A noite quer-me desperta, e o dia adormecida.
Às vezes há comportamentos no meu corpo que me fazem lembrar o dito "volvo". Mas se a porcaria toda que aqui vai quiser realmente sair, ou sufoco, ou me sufoco.
O meu coração bate tão forte, que vejo a t-shirt a mover-se arritmadamente.
O meu corpo pede-me café, a minha boca pede-me cigarros, a minha cabeça quer dormir, o meu coração quer colo.
Mas no meio disto tudo não quero é nada.

Wednesday, September 08, 2010

pergunto-me outra vez


pergunto-me

The Smiths - Well I Wonder


Well I wonder
Do you hear me when you sleep ?
I hoarsely cry
Why...

Well I wonder
Do you see me when we pass ?
I half die...
Why...

Please keep me in mind
Please keep me in mind

Gasping - but somehow still alive
This is the fierce last stand of all I am

Gasping - dying - but somehow still alive
This is the final stand of all I am

Please keep me in mind

Well I wonder
Well I wonder
Please keep me in mind
Keep me in mind
Keep me in mind

Wednesday, August 04, 2010

eu, tu, ele, nós, vós e eles

se eu estou bem, e tu estás mal, e por média nós estamos mais ou menos.. que verbo é esse?

Sunday, June 20, 2010

No Teu Coração

Orelha Negra - Tanto Tempo

"Procura no sítio mais escabroso do teu coração
Lá me encontrarás
a cantar
de cerveja na mão
E se te parecer que sorrio
não passará de uma impressão
causada pelo calafrio
constante que me traz a solidão.
Baixa o volume,
dá-me a mão
e um abraço
é que eu passo
tanto tempo
à tua espera."

Carlos Nobre

ele diz, e eu concordo

"As coisas mais belas são ditadas pela loucura e escritas pela razão" - André Gide

Tuesday, June 15, 2010

palavras


há palavras e frases que saem das nossas bocas, como foguetes de sinalização.
como estar só numa ilha deserta, e já só se ter forças para enviar um último foguete.

Friday, June 11, 2010

ontem conheci um ex-tísico

uma melodia alegre, para animar as hostes..

Bessie Smith - Nobody knows you when you're down and out


Once I lived the life of a millionaire
Spending my money, I didn't care
I carried my friends out for a good time
Bying bootleg liquor, champagne and wine

Then I began to fall so low
I didn't have a friend, and no place to go
So if I ever get my hand on a dollar again
I'm gonna hold on to it till them eagle's green

Nobody knows you when you down and out
In my pocket not one penny
And my friends I haven't any
But If I ever get on my feet again
Then I'll meet my long lost friend
It's mighty strange, without a doubt
Nobody knows you when you down and out
I mean when you down and out

When you're down and out
Not one penny
And my friends I haven't any
Well I felt so low
Nobody wants me round their door
Without a doubt,
No man can use you wen you down and out
I mean when you down and out.

Monday, June 07, 2010

postsecret

hoje li isto..

ao mesmo tempo que ouvia isto..

Smashing Pumpkins - Mayonaise


..e é curioso o número de pessoas à volta do globo, que se preocupou com esta pessoa, e manifestou interesse em mantê-la entre nós.
faz-me pensar em mil e quinhentas coisas, com interesse e sem interesse.
em confrontos de ideias que as minhas vozes interiores têm todos os dias ao deitar.
mas não as consigo expôr, por isso deixo a vosso critério.

Thursday, May 27, 2010

adicione q.b. de condimentos


mundo este, em que as pessoas se usam umas às outras e ainda se chamam de amigas.
há capítulos na sabedoria popular que se calhar ainda não apurei bem.
mas também, cozinhar nunca foi o meu forte.

Monday, April 26, 2010

parir ou não parir: eis a questão


já repararam na semelhança entre um bébé recém-nascido e um morto-vivo?

"O filho, quando nasce, martiriza, tortura a mãe... mata-a muitas vezes... e não ri ao chegar ao mundo... Não ri... chora... grita..." in Loucura de Mário de Sá-Carneiro.

ambos berram imenso, a maior diferença é que os mortos-vivos já têm força suficiente para poder atacar alguém.

estavam tão descansados no cantinho deles.. e nós resolvemos importuná-los e trazê-los para o nosso mundinho.

Thursday, April 22, 2010

the more you change the less you feel

- mamã, não quero ir à escola.

20 anos depois..

- mamã, não quero dormir.

Thursday, April 15, 2010

Monday, April 12, 2010

visão turva


às vezes parece que estou a viver debaixo de água.
porque toda a minha percepção da realidade fica turva.
e eu tento
dizer-me que é da minha cabeça, que é só dos meus olhos, como se estivesse debaixo de água.
será correcto tentar domar os nossos instintos mais "violentos"?
eu acho que sim.
acho que não há nada mais livre, do que podermos tomar a decisão de castrar a nossa própria liberdade.
 
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