Fotografei-te.
Parecias um burro a olhar para um palácio, como se nunca me tivesses visto.
Os teus olhos penetravam-me e o teu cabelo esvoaçava na minha direcção.
Os teus dedos acariciavam-me, e o teu corpo inclinava-se sobre mim.
Justificaste-te perante mim, dizendo que te fascinava o meu tamanho, a minha imensidão, o meu poder, a minha simples beleza.
A minha beleza, que por ser tão simples, era a mais bela de todas.
Fiquei apaixonado pela forma como me olhaste, tocaste e descreveste.
Só tenho pena de não me ter apaixonado por ti.
É que para mim, vocês são todos iguais, e usam sempre as mesmas palavras.
Mas descansa, nunca vou esquecer o teu olhar.
Tuesday, April 03, 2012
Monday, April 02, 2012
Perder tudo!
Não entendo porque se fala em perder a cabeça, quando é muito mais comum de se perder tempo, a pensar onde se perdeu a cabeça, onde se irá perder, onde se irá encontrá-la.
Perde-se é tempo, muito tempo.
Eu por exemplo, perdi agora cerca de umas 4 horas, e não sei onde as pûs.
E já estou farta de as procurar.
Só que o facto de estar farta de as procurar, faz com que não tenha mais vontade de o fazer. Então continuo a perder tempo.
Perde-se é tempo, muito tempo.
Eu por exemplo, perdi agora cerca de umas 4 horas, e não sei onde as pûs.
E já estou farta de as procurar.
Só que o facto de estar farta de as procurar, faz com que não tenha mais vontade de o fazer. Então continuo a perder tempo.
Friday, March 30, 2012
Saturday, March 24, 2012
peish
Quando abri os olhos ainda estava dentro de água.
Esquisito, pensei. Ao me libertar desta goma, era suposto respirar somente ar. Mas era só água que existia à minha volta.
Nadei, nadei, nadei, e comecei a perder noção do mundo à minha volta.
A minha mãe já estava bem longe, os meus irmãos haviam seguido o seu caminho.
E agora que faço? Já sei, vou continuar a nadar.
Sinto falta de ter sido criança. Já ouvi estórias e pareceram-me todas bastante agradáveis. A ingenuidade, a descoberta, essas coisas todas bonitas que se perdem quando crescemos.
Não me lembro de as ter tido. Quando nasci, já era grande, e o ar que respirava estava todo dentro de água.
Nado sozinho, sempre nadei. Adoro o mar, por isso o persigo, sempre à espera que me mostre algo de novo. Mas por mais voltas que dê, acabo sempre por navegar nas mesmas ondas.
O que mais me custa é não conseguir fechar os olhos.
Mas também quando o fizer, há de ser p'ra sempre.
Esquisito, pensei. Ao me libertar desta goma, era suposto respirar somente ar. Mas era só água que existia à minha volta.
Nadei, nadei, nadei, e comecei a perder noção do mundo à minha volta.
A minha mãe já estava bem longe, os meus irmãos haviam seguido o seu caminho.
E agora que faço? Já sei, vou continuar a nadar.
Sinto falta de ter sido criança. Já ouvi estórias e pareceram-me todas bastante agradáveis. A ingenuidade, a descoberta, essas coisas todas bonitas que se perdem quando crescemos.
Não me lembro de as ter tido. Quando nasci, já era grande, e o ar que respirava estava todo dentro de água.
Nado sozinho, sempre nadei. Adoro o mar, por isso o persigo, sempre à espera que me mostre algo de novo. Mas por mais voltas que dê, acabo sempre por navegar nas mesmas ondas.
O que mais me custa é não conseguir fechar os olhos.
Mas também quando o fizer, há de ser p'ra sempre.
Tuesday, March 20, 2012
O que escreves?
Eu escrevo apenas o que sinto.
O que vejo, o que leio, o que ouço, o que saboreio.
Há tanta liberdade nisto como na vossa interpretação.
Pode?
Pode existir um mundo em que a conexão carnal possa andar a par com a conexão espiritual, amorosa, e de compromisso?
Ou parte-se já do principio que este será um mundo sem princípios ou respeito?
Um mundo em que não haja julgamentos por parte de quem não viveu, não sabe, nem sonha.
Um mundo onde há precipitação, momentos intensos e não há futuro.
Um mundo onde a única moral a ser cumprida é a nossa, e os princípios mesmo que desrespeitados sejam os nossos.
Um mundo em que o que não consideramos maldoso, quando nos é mostrada a outra face da moeda, continuemos a concordar com a nossa ideia inicial.
Um mundo em que a obrigação, o compromisso e o respeito, não andem de mãos dadas por não serem solidários com a hipocrisia e a falsa moral.
Um mundo em que não há mentira, pois todas as pessoas são incrivelmente francas e genuínas.
Um mundo em que o egoísmo é algo positivo, porque quem o pratica é mais feliz, e não precisa de magoar ou passar por cima dos outros para atingir essa felicidade.
Um mundo em que o nosso espaço é respeitado, exactamente por ser "nosso", e ao ser nosso, somente a nós dizer respeito.
Poderá a utopia ser palpável?
Ou os sonhos deixarem de ser gasosos?
Histórias de embalar
Uma história de embalar, das duas uma: ou deveria ser uma história enfadonha de modo a nos causar e dar sono; ou uma história incompleta, p'ra que quando fechássemos os olhos, pudéssemos imaginar o resto da história, até os nossos pensamentos conscientes se misturassem com os do inconsciente e acabássemos eventualmente por adormecer.
Um dia destes escrevo uma a sério. É que todas as noites o faço, só que o inconsciente liga-me directamente ao sono, e deixa-me o corpo dormente, de maneira que pegar numa caneta e num caderno se torna extremamente difícil.
Friday, March 16, 2012
Crianças..
Cada vez mais adoro a inocência das crianças.
Uma criança que não me conhece, que corre para o meu colo, me abraça e me dá um beijo, talvez porque tenha simpatizado com o meu rosto ou com o meu sorriso, é um dos actos mais puros a que já assisti.
Admiro-lhes a inocência e tenho pena que a mesma não seja administrada inconscientemente a mais adultos.
Adoro beijar uma criança na face, fazer-lhe festas no cabelo e tê-la ao colo, mesmo que sejam momentos de silêncio.
O crescimento tira-nos esta inocência, e um gesto destes com um adulto, incita logo maldade e segundas intenções.
Tenho pena.
Porque até há dias em que gosto de humanos já crescidos.
Wednesday, March 14, 2012
Poesia concluída
A poesia que há num copo de vinho pronto a ser degustado, só é mais bonita que num copo de vinho vazio, porque quando a alma se enche e os lábios não cerram em alguém que não teme o que diz, as palavras não vibram oralmente.
Saturday, February 25, 2012
Este sou eu
Só passou um minuto e parece que estou aqui à uma eternidade.
"Pára de escrever e conversa comigo", disse-me ela."Deixa de estar como gostas e vem ouvir os meus problemas infindáveis. Justifica a minha presença neste local e põe-me um sorriso na cara", quis ela dizer.
E assim o fiz. Guardei o caderno e fui dançar, numa dança macaca que a animava enquanto viajava no meio de todos os seus problemas.
Dois dígitos depois da casa dos dez
Porque é que não posso fazer as perguntas que quero?
Porque é que não posso saber as respostas correctas e os sentimentos verdadeiros?
Porque é que as pessoas insistem em negar o que sentem? Será por medo da repressão que poderão sentir?
Será isto a crise da meia-idade dos porquês?
Porque é que quando exponho o que sinto as pessoas se afastam? Será um ar assim tão pesado?
Ontem imaginei um mundo
Estou farta destas cores.
Estou farta das sombras das pessoas.
Apetecia-me entrar num sítio em que fossem todas círculos, quadrados ou triângulos.
Estou farta dos erros que toda a gente comete.
Estou farta de errar e farta de pensar.
Estou farta que haja explicações rápidas para coisas que não têm explicação.
Estou farta dos mesmos movimentos de anca, farta dos braços levantados a segurar um copo, farta das músicas sempre o mesmo sol e dó.
Tenho dó disto tudo porque não vejo sol nenhum.
Está tudo escuro e feio.
Thursday, February 16, 2012
Question
Será que os espelhos nos enganam a vista como a nossa voz engana os nossos próprios ouvidos?
Thursday, December 29, 2011
Sonhos
Gostava que os meus sonhos fossem a minha vida.
Não para os viver, pois são caricatos ou assustadores.
Mas sim porque a minha vida são só sonhos, e estou farta de não os viver.
São iguais aos que se comem.
Doces, dá-se uma trinca, e puff.
Num instante eles desaparecem, e de repente, já estou cheia de fome.
Não para os viver, pois são caricatos ou assustadores.
Mas sim porque a minha vida são só sonhos, e estou farta de não os viver.
São iguais aos que se comem.
Doces, dá-se uma trinca, e puff.
Num instante eles desaparecem, e de repente, já estou cheia de fome.
Wednesday, December 14, 2011
Letra k
É tipo um livro ou filme, que lemos ou vemos e com que nos identificamos.
Estou tão confusa em relação à minha identidade e ao meu propósito enquanto ser humano, que toda a gente me troca o nome.
Estou tão confusa em relação à minha identidade e ao meu propósito enquanto ser humano, que toda a gente me troca o nome.
O livro de multas
Sacou do livro de multas e voltou a autuar-se.
Cada letra, cada palavra, cada texto, uma acta.
Uma lição da professora para levar para casa por se ter portado mal.
Às vezes gostava de ter uma lente atarrachada ao livro para que pudesse fotografar o momento em que se estava a atuar.
Não era por sentir pena de si própria que se autuava. Mas sim, para relembrar mais tarde, as parvoíces em que se banhava.
Cada letra, cada palavra, cada texto, uma acta.
Uma lição da professora para levar para casa por se ter portado mal.
Às vezes gostava de ter uma lente atarrachada ao livro para que pudesse fotografar o momento em que se estava a atuar.
Não era por sentir pena de si própria que se autuava. Mas sim, para relembrar mais tarde, as parvoíces em que se banhava.
Monday, December 12, 2011
Uma anormal num pedestal
Jazia estendida, fria e sem feições.
Rasgando-lhe a carne tentavam decifrar os seus segredos.
Os ombros contavam nós infinitos, incapazes de se desmembrarem.
Nós grossos, como o peso da idade e das preocupações que não se desfaziam.
A única solução seria escavar a carne dos mesmos até se encontrar os pequenos ossos que os suportavam.
Tinha ombros tensos que caíam sobre as costas marrecas que se dobravam até aos joelhos numa tentativa de beijarem o chão.
O canal respiratório era minúsculo.
Tinha o diâmetro de uma palhinha, por ter deixado de utilizar a boca tantas vezes e utilizar somente o nariz para respirar.
Os pulmões eram negros, secos e magros, como o ar que respirava.
O coração apresentava várias escoriações e encontrava-se envolto num líquido gelatinoso em tons de ferrugem.
O estômago era uma fina película, que unia as costas com a barriga, e tinha toda uma espécie de fungos ao abandono.
O sistema reprodutor era o único que se encontrava são. Ironia.
Os pés eram chatos, mostravam-se calejados e com feridas abertas por os arrastar tentando cavar a terra que pisava.
A boca era uma miséria.
As gengivas encontravam-se desfeitas, e confundiam-se dentes com maxilares, pela ausência de uns, e presença visual em demasia dos outros.
A boca estava colada com uma viscosidade que parecia seiva.
Ao abri-la, desfez-se em pedaços. O odor era intensamente mau. Um cheiro terrível a enxofre.
Das cordas vocais só sobrava uma, resistente à sua apatia geral.
Os dedos eram velhos e enrugados, e as unhas garras amarelas, duras e fortes, nas pontas lascadas.
Após uma análise sem sucesso, taparam-na com um lençol, envolto em mistérios que não quiseram ser percebidos.
Rasgando-lhe a carne tentavam decifrar os seus segredos.
Os ombros contavam nós infinitos, incapazes de se desmembrarem.
Nós grossos, como o peso da idade e das preocupações que não se desfaziam.
A única solução seria escavar a carne dos mesmos até se encontrar os pequenos ossos que os suportavam.
Tinha ombros tensos que caíam sobre as costas marrecas que se dobravam até aos joelhos numa tentativa de beijarem o chão.
O canal respiratório era minúsculo.
Tinha o diâmetro de uma palhinha, por ter deixado de utilizar a boca tantas vezes e utilizar somente o nariz para respirar.
Os pulmões eram negros, secos e magros, como o ar que respirava.
O coração apresentava várias escoriações e encontrava-se envolto num líquido gelatinoso em tons de ferrugem.
O estômago era uma fina película, que unia as costas com a barriga, e tinha toda uma espécie de fungos ao abandono.
O sistema reprodutor era o único que se encontrava são. Ironia.
Os pés eram chatos, mostravam-se calejados e com feridas abertas por os arrastar tentando cavar a terra que pisava.
A boca era uma miséria.
As gengivas encontravam-se desfeitas, e confundiam-se dentes com maxilares, pela ausência de uns, e presença visual em demasia dos outros.
A boca estava colada com uma viscosidade que parecia seiva.
Ao abri-la, desfez-se em pedaços. O odor era intensamente mau. Um cheiro terrível a enxofre.
Das cordas vocais só sobrava uma, resistente à sua apatia geral.
Os dedos eram velhos e enrugados, e as unhas garras amarelas, duras e fortes, nas pontas lascadas.
Após uma análise sem sucesso, taparam-na com um lençol, envolto em mistérios que não quiseram ser percebidos.
Sunday, December 11, 2011
Traços direitos em dias tortos
Um traço, outro traço, outro traço..
Já fiz uns seis traços hoje, e nenhum deles me apaziguou a puta da dor de cabeça que tenho.
Enrolo mais um cigarro, bebo mais duas cervejas e meia, fecho a conta e vou p'ra casa, deixando o sorriso numa valeta qualquer e encostando a apatia na almofada.
Sete traços agora.
Já fiz uns seis traços hoje, e nenhum deles me apaziguou a puta da dor de cabeça que tenho.
Enrolo mais um cigarro, bebo mais duas cervejas e meia, fecho a conta e vou p'ra casa, deixando o sorriso numa valeta qualquer e encostando a apatia na almofada.
Sete traços agora.
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