Sunday, December 17, 2006

"my brain is a mess"

Mostrou-me o interior dela.
Mostrou-me como sangrava, mostrou-me a roupa no meio do chão, mostrou-me a cinza do cigarro descuidado, mostrou-me o que estava caído que não devia.
Mostrou-me isso, eu virei a cara e fingi que não era comigo.
Ela disse-me que erámos iguais.

Saturday, December 09, 2006

saíu-lhe assim



ele disse: "a minha alma gémea está doente."
e ela disse: "o amor é horrível."

pára de respirar em cima de mim

As caras desfiguram-se ao longo dos dias.
Contam-me histórias nos sonhos, e acordam-me quando não estou a sonhar.
Desfiguram-se em dentes caninos e aumentam a minha circulação sanguínea.
Mas amanhã já não se desfiguram...
Só que nunca mais é amanhã...

Thursday, November 30, 2006

estudos segundos//royale devaneium


Tenho neste preciso momento a oportunidade de fazer um casulo em volta da minha pessoa. Queixava-me da falta de um lápis e um pequeno pedaço de papel, ao qual a minha intuição contribuíu, enviando sinais óbvios a quem não me conhece disponibilizando-me assim o que desejava.
Rodeada de pequenos prazeres..
Um local com luzes de noite, vozes humanas apenas como efeito sonoro, sem que as consiga perceber como as baleias. Música desconhecida que não me faça trauteá-la por a conhecer. Uma vela que não se apaga, um chá bem quente prendendo-me à mesa, e cigarros. O dia chuvoso torna-se assim mais belo.
Um cigarro após outro, uma nota após outra, assistindo ao esfriar do chá através do seu fumo, encontro o momento só, não estando só.
Pois quando estamos sós, somente nós numa divisão fechada sem sentirmos cheiro a carne humana, mesmo que seja por meio visual ou sonoro, muitas vezes não conseguimos encontrar a profundeza da solidão que procuramos.
As questões diárias que colocamos sem nunca as achar.
Nunca questionas o amor? É demasiado? É um assunto extenso, mas não será banal
questioná-lo.
Se vês paixões em todo o lado, se te apetece sorrir às pessoas na rua e quando dás por ti e não sabes se o queres ter..
Quando queres dá-lo a toda a gente, mas não o fazes porque a sociedade injecta malícia na testa das pessoas e tu acabas por não o dar.
Porque às vezes dizer que adoramos os nossos amigos, e nos dirigirmos a uma pessoa que mal conhecemos e dizer-lhe que é pura porque lhe sentimos o cheiro a milhas e ela sorri e pensa que és louco.
"Vou-me sentar naquele sofá porque é mais confortável. Mas assim fico sem contacto visual com a pessoa que está à minha frente... Que se lixe, vou para o sofá. É mais confortável."
As pessoas gostam de mijar nas pernas umas das outras para marcarem território.
Mas não querem ver as suas mijadas.

Wednesday, November 29, 2006

estudos urbanos


as pessoas gostam de mijar nas pernas umas das outras para marcar território.
mas não gostam de ver as suas mijadas.

Sunday, November 12, 2006

nesta latrina a que é que cheira..?


Os meus cigarros crescem sem controle reflexivo, devido a um esquecimento membral
ligado ao cérebro. Ao cérebro estatelado pelo coração e pela alma.
A dôr encoberta é destapada a metade pelos dias consumidos por um lobo com fome.
Vorazmente, com mais necessidade que apetite.
A incapacidade de expressão oral, força a incapacidade literária. Os dedos calam-se
uns aos outros. e não me deixam expandir.
A respiração faz-me vibrar e chega a ser assustadora de modo a que fique acordada
para saber que ainda o estou.Inutilidade, fraqueza, tristeza. Eza Eza Eza Eza. Falta a beleza. É difícil encontrá-la. O mal. O terrível mal. O homem da capa preta que desfigura os belos só porque o são.
Não sei. Já nem isso sei. Já nem o meu corpo sabe não responder à minha mente. O meu corpo egoísta faz com que a minha alma seja egoísta. E a minha alma egoísta torna o
meu pensamento racional egoísta.
Quando tudo o que quero é paz. Só paz. Só.

Monday, October 16, 2006

love will tear us apart




















"ela quer-me, mas não me quer. mas quer-me. "

Thursday, September 14, 2006

só lê nas entrelinhas quem sabe, e quem me sabe sou eu

Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
And as I climb into an empty bed
Oh well. Enough said.
I know it's over - still I cling
I don't know where else I can go
Oh ...
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
See, the sea wants to take me
The knife wants to slit me
Do you think you can help me ?
Sad veiled bride, please be happy
Handsome groom, give her room
Loud, loutish lover, treat her kindly
(Though she needs you
More than she loves you)
And I know it's over - still I cling
I don't know where else I can go
Over and over and over and over
Over and over, la ...
I know it's over
And it never really began
But in my heart it was so real
And you even spoke to me, and said :
"If you're so funny
Then why are you on your own tonight ?
And if you're so clever
Then why are you on your own tonight ?
If you're so very entertaining
Then why are you on your own tonight ?
If you're so very good-looking
Why do you sleep alone tonight ?
I know ...
'Cause tonight is just like any other night
That's why you're on your own tonight
With your triumphs and your charms
While they're in each other's arms..."
It's so easy to laugh
It's so easy to hate
It takes strength to be gentle and kind
Over, over, over, over
It's so easy to laugh
It's so easy to hate
It takes guts to be gentle and kind
Over, over
Love is Natural and Real
But not for you, my love
Not tonight, my love
Love is Natural and Real
But not for such as you and I, my love
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my ...
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can even feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my head
Oh Mother, I can feel the soil falling over my ...

I know it's over - The Smiths

Friday, August 25, 2006

por su calor, por su aliento

É útil ao ser humano construir a sua própria cama de pregos.
Pois após se deitar nela, saberá dar o respectivo valor à sua cama de penas.
Sofrer é crescer.

café com cianeto

- Como está?
- Já tive dias melhores..

Começo-me a questionar sobre a crueldade. Cru-eldade, que poderia vir de cru, como irmandade vem de irmão(s). Crueldade ou ruindade.
Sugiro crueldade, porque à primeira vista o que vejo é cru. Porque as pessoas no seu fundo têm consciência do que são ou do que mostram ser.
Teremos no nosso esoterismo contas a pagar? Mudam as nossas auras de côr dia a dia? Ou será que o corpo é que paga e a terra se move por arrasto?

Friday, July 21, 2006

bacia dormente


Estou tão cansada.. Dói-me tudo. Tenho a mente perturbada. Mas o sorriso não se desfaz. Pego no telefone mas não sei a quem ligar. Só quero que me dêem uma resposta pois estou muito confusa. Invento algo de novo todos os dias. Mas com os meus playmóbis não sei eu brincar.
Mas será assim tão díficil? Sinto-me como uma pessoa fora de mim a tentar-me compreender. Agora sim, entendo, quando as pessoas me dizem que não são capazes de me compreender. A quem é que eu ligo? Que faço? Vou chorar ao mar? Enrolo-me na areia e abro a porta para o destino ao acaso?
Se faz favor, é uma marcação para um hotel onde se possa dormir um mês de seguida sem estupefacientes que molestem o meu corpo.
Quero também consultar o catálogo dos duendes por encomenda. Para as lides.
Só vejo cicatrizes exteriores, por isso não há saliva que cure as interiores. Se há, onde se vende? Onde estão os ditos frascos? Porque páram de jorrar as lágrimas que molham o leito em que nos deitamos? Porquê tantas perguntas? Será que vou recuar no tempo e voltar à facilidade das dores de crescimento?

Saturday, July 01, 2006

o que transcende o pós-evidenciamento

Dissertar asneiras e maus-cumprimentos.
Viajar no alucínio da música que nos transmite sem sabermos, exactamente aquilo que queremos.
Chegar a casa, olhar para um monitor que escreve o que comandamos e ouvirmos a certa batida que nos permite viajar.
Roça o desagradável, mas se é disso que o nosso cérebro necessita porquê o evitar?
Bater com panelas no quarto do vizinho do lado enquanto este descansa só porque precisamos da atenção nem que seja do seu cão a lamber-nos os pés, será então ainda mais desagradável com esta batida maravilhosa.
E?
E o quê?

Ter a certeza que somos loucos para não nos debatermos se o somos ou não. Mas ao mesmo tempo ter a possibilidade de nos debatermos com isso porque nos elucida sermos loucos.
Desdobrar um guardanapo no café central entre amigos de cafés e copos, escrevendo coisas disparatadas como o ciclo da nossa lucidez, de modo a ver os seus intestinos despojados entre batatas fritas e beatas mal apagadas.
O que eu gostava é que alguém me explicasse porque é que as estaladas no meu rosto fazem eco. Será que é por consigar dá-las? E não dar a quem mais merece? Somos auto-críticos no seu próprio exagero de auto-criticismo. Dá-me náuseas mas ao mesmo tempo não me dá, porque isso, acaba por ser como um wonderbra. Não no modo como suporta ou evidencia os seios. Mas sim, do modo, como a pessoa que o usa, deseja evidenciar algo que chame a atenção para si de outros seres.

É TUDO! UMA! ILUSÃO!
Torna-se evidente que não me apetece desenvolver mais o assunto. Ficará então para outro dia.

Thursday, June 01, 2006

bolero sonambulo


estou fodida.bate pior hoje que ontem.o coração é o único órgão que nos mantem vivo. se ele não bombear sangue para o resto do corpo, deixamos simplesmente de viver. e se o meu pára agora? não quero.. mas não o posso combater.sonhar de intermédio, é sonhar antes de se começar a adormecer e realmente se começar a sonhar. ontem nesse sonho de intermédio vi-me por debaixo de uma máquina que estava bastante perto do chão. e fiquei lá fechada. foi claustrofóbico. anteontem, imaginei-me sem poder nas pernas. foi aterrador. estou a pensar escrever uma carta ao presidente da república para a enviar a alguém para nos aumentar os dias. 24 horas não chegam. é muito pouco.
e este texto também não chega!!!!estas parvoíces para aqui ditadas também não chegam!!! quero ser um cliente mal-disposto com a vida só porque a noite de ontem não lhe correu bem e indispostar os vendedores que estão ali para me agradar...
a taquicardia sente-se no teclado. e tu sentes-me o cheiro ao longe. nem sequer estou em período fértil, ou talvez esteja, devido ao teu faro. se calhar és mais que um cão farejador. um daqueles cães a que faço festas esquecendo-me que tenho que apanhar o transporte público para ir servir o "consumismo".
forçar o choro, será saudável? expulsar a dôr em imagens tontas e palavras sem sentido. chocar pessoas que não se conhece bem e expôr os nossos intestinos em cima da mesa para que lhes possam tocar.

Tuesday, May 09, 2006

Thursday, April 27, 2006

no fim do dia.


















escarradeira? com tronco e membros sou uma pessoa, não uma escarradeira.

Thursday, April 06, 2006

algo do passado..

..mas do presente.
apresento-me com a banda sonora que ilustra a momentânea disfunção corporal devido a líquidos ingeridos. letras pequenas, sem preocupações, mas não menos ponderando nos erros ortográficos nem na maneira de como são expressas as sensações. sensações que eu sinto.

Cinematic Orchestra - Burn Out

Desenvolvem-se ideias a ritmos cósmicos, tão rápidos e sonoros, que me escapam entre os dedos. Quase como ossadas imperceptíveis de passar, mas que fogem. Ossos grandes e robustos não são os que passam. Só o conteúdo o é. O vísivel é escasso, é esquelético.

[ --- inserir aqui uma fotografia da memória fotográfica do dia de hoje. a árvore iluminada com o contraste do carro velho, molhado e sujo, que passei a caminho do quotidiano não rotineiro]
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Movimento shanti

O bocejo contagiante, a batida inesgotável, o calor da pele desgastada, o fumo que submerge encaminhado pelo respirar do desconhecido.
É mais um registo.
Solo...Abrem-se-me as entranhas e grita algo que não pode atingir outra coisa.
Sussura e soluça. Observa e ri-se... chora e manda. Desmanda e comanda.
Sobe as paredes tal qual um gato aflito.
Livre e confuso.
Gira sobre si mesmo de braços abertos.
Cai e rebola, corre e geme. Treme...
Desliza e brilha...
Acalma-se e explode.
Cacareja e rosna. Semeia o que não quer colher. Planeia o que não planeou.

Saturday, March 25, 2006

uma nódoa com taquicardia

A água escorre-me pelo peito, a mão não quer enxaguar. A mente não a deixa.
Está demasiado ocupada. A água escorre-me dos olhos. O quente aquece. Superficialmente. Aquece dentro. O grande aquece-o.

Aquele ser aquece-me, escalda-me. Tu, apenas me dás latejâncias na cabeça. No cucuruto, na testa. Um tumor no pescoço. Não é díficil, sou um ser humano como tu. Mas tu não me compreendes. Não te queres deixar invadir pela minha elouquência. Pelo meu prazer de pensar.
Pelo meu segundo nível de elasticidade de desempenho preguiçoso à vista comum. Ao olho comum.
A dôr que me penetra por entre as fibras de algodão e unhas lascadas.
As minhas pestanas colam-se com as tuas palavras.
Fazes-me afirmar o que já sei. Di-lo! Espeta-me um garfo na perna. Torce-o.
Mas não te esforces muito. Lá dentro já se tornou impossível de cicatrizar.

Tuesday, March 07, 2006

Bom Apetite


Mísera no mísero estado de miseridade.
Miseravelmente sorvendo um sumo de cevada num mísero estabelecimento.
Miseridade poderosa, numa apoderação da não-miseridade, não condolência, não-pena.
A não-solidão.
Vivências e subestimação.
Crenças políticas, viáveis, não viáveis.
Políticas em termo de palavra específica não contornada ao seu ímpeto comercial.
Vícios e obstáculos, a não convivência dos membros sensoriais descoordenados.

Sunday, March 05, 2006

ditadura dentro da minha personagem

fe-ro-mo-nas-con-fu-são-ca-ri-ca-tu-ra...............Dia mestre. Hoje comanda a outra. É ela que comanda. Ela que quer ditar as regras do meu outro ser. Ela que quer ficar por cima a cavalgar. Ela que acha que pode mexer na caldeirada, deitar as mãos ao nódulos de massa e destruí-los com seus dedos. Com seus punhos fechados.
Ela que não me deixa ir buscar um copo de água para matar esta secura. Esse copo de água sólido, palpável. Que o arranca com as unhas e esgravata. Uma noite de sono poderá matá-la, ou simplesmente adormecê-la, até reaparecer novamente sob um pretexto de solidão ou incoerência. Ou mesmo auto-estima.

"BATE-LHE!" Vou-lhe bater, afogá-la, matá-la, sequestrá-la e esquartejá-la. Beijá-la, amá-la, fodê-la.

Wednesday, March 01, 2006

O que é a arte..?


O que faz dele dizer que é artista? Que lhe dá esse direito? Que lhe dá o direito de me-o esfregar na cara, cuspir-me como se eu nada fosse. Pisar-me. Mesquinhez. Mesquinhice. Mesquinho.
Desfaleço.
Puxa-me.
Mostra-me a arte. Mostra-me isso, mostra aos outros todos o que fazem, o que é a arte deles. Este quadro, aquele caco, aquela escrita, aquele pedaço de carne, aquela nota, aquele pão, aquele ponto, aquela vela, aquele barco, aquele voo, aquela mente, aquele passo, a sua cara, a sua mão.
Deu-me a mão e empurrou-me da janela. Aterrei de barriga num soalho que pensei ser mais duro do que já era. Conclusão: embati num chão mais duro do que era, mas o ressentimento foi apenas vocal. Um suspiro sonoro seco. Falei-lhe de música, calou-me com fita adesiva, obrigou-me a levantar e foi-me mostrar corpos quentes. Moles, sem sabor, não se mexiam. Parados apenas, com um leve fio de baba a sair de suas entranhas. Seguimo-las e encontrei-te. A ti e aos outros. Todos dementes. Dementes à procura e ensonados, acordados de um sono, que já haviam acordado à muito, mas nunca pasmado sobre. Uns rodavam, outros submetiam-se aos jogos tradicionais, dançando com um copo de vidro na mão, em cacos. Explosão de futilidade e ignorância aos factos que ocorrem. Tanta merda dita, não se chega a lado nenhum. Agarro na tralha, desisto atiro-me para a frente, acordo suado na minha cama, no meu quarto. Escuro, tapado com a luz da indiferença proveniente do resto da casa. Dirijo-me a uma superfície, passageira de peões, peço dinheiro para justificar os pensamentos que não deveria ter. Amanhã sonharei outra vez. Amanhã vais voar mais alto. Amanhã baterás com a cabeça na parede e verás que o outro lado da estrada está mais perto. Caligrafia.
Artistas reunidos, poetas. A poesia da vida, traz-me-a num pudim. Aborrece-me. Pára o tempo.
 
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